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Bahia entra no mapa das terras raras, mas Brasil ainda esbarra em gargalos industriais

Publicado 14/01/2026 • 09:38 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Novo mapeamento do Serviço Geológico do Brasil identifica potencial para extração de terras raras na Bahia em depósitos de argilas iônicas.
  • Extração brasileira dispensa explosivos e foca em minerais de alto valor, como neodímio e disprósio, essenciais para a indústria de alta tecnologia.
  • Especialista alerta que o principal desafio do país é desenvolver a etapa industrial de refino para evitar a dependência tecnológica da China.

O novo mapeamento do Serviço Geológico do Brasil colocou a Bahia no radar das terras raras em um momento em que esses minerais se tornaram estratégicos para a geopolítica global, apesar de o país responder por menos de 1% da produção mundial.

Para analisar se o potencial geológico pode se transformar em uma oportunidade estrutural de longo prazo, o programa Pré Market conversou com Lucy Tahekara Chemale, coordenadora do projeto de avaliação do potencial de terras raras do Serviço Geológico do Brasil.

“O investimento é importante porque o desenvolvimento desses projetos mineiros no país traz renda, emprego e desenvolvimento social para as cidades envolvidas”, disse Lucy Tahekara Chemale, ao destacar que o principal obstáculo do Brasil não está na geologia, mas na etapa industrial da cadeia produtiva.

Terras raras têm potencial no Brasil, mas indústria ainda não acompanha

Segundo a coordenadora, embora o país tenha potencial reconhecido em terras raras, a indústria nacional ainda é pouco desenvolvida no chamado downstream, que envolve processamento e refino. Ela explicou que, apesar dos investimentos em pesquisa, desenvolvimento e no próprio setor produtivo, o avanço dessa cadeia depende também de condições de mercado e de decisões estratégicas de longo prazo.

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“O teor do minério brasileiro é interessante, especialmente por estarmos em um país tropical, onde predominam as argilas iônicas, que permitem uma extração mais simples”, afirmou Chemale, ao comparar as reservas brasileiras com as de outros países produtores, como a China.

A especialista disse ao Pré Market que esse tipo de depósito dispensa o uso de explosivos e favorece a concentração de elementos como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, considerados terras raras magnéticas e de maior valor agregado para a indústria de alta tecnologia. Essa característica coloca o Brasil em posição competitiva do ponto de vista geológico.

“Os estudos já realizados por empresas que atuam na Bahia têm apresentado resultados interessantes, mas ainda em escala de laboratório”, disse. Ela ressaltou que a transição para escalas piloto e industrial exige investimentos significativamente maiores.

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Lucy Tahekara Chemale explicou que a dependência do Brasil em relação à China deve persistir no curto prazo, já que o país asiático desenvolveu sua cadeia produtiva ao longo de décadas. Segundo ela, o Brasil chegou a ser protagonista nas décadas de 1950 e 1960, mas interrompeu a produção com a entrada massiva da oferta chinesa no mercado global.

Para a coordenadora, a retomada atual ocorre em um contexto tecnológico diferente, com novos processos já consolidados em outros países. No entanto, ela alertou que parte das empresas que atuam no Brasil é de capital estrangeiro, o que pode resultar na mineração local e no refino realizado fora do país.

Ao final, Chemale destacou que esse cenário exige atenção para que o Brasil não se limite à exportação de commodities, mas avance na industrialização e na agregação de valor às terras raras, reduzindo a dependência externa e ampliando sua inserção na cadeia global de tecnologia.

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