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ESG EM PAUTA Marina Grossi

Êxitos e legados possíveis da COP30

Publicado 03/12/2025 • 09:32 | Atualizado há 17 horas

Foto de Marina Grossi

Marina Grossi

Marina Grossi é economista e pioneira em sustentabilidade empresarial no Brasil. Tem mais de 25 anos de experiência em mudança do clima e finanças sustentáveis. É presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS).

Tânia Rêgo/Agência Brasil

Fachada da COP30 em Belém, no Pará

Com Belém no centro das atenções globais, a COP30 fez história por colocar as pessoas no coração das discussões. A participação popular reverberou para além dos corredores das Zonas Azul e Verde, chegando às ruas após três conferências climáticas com manifestações restritas. A Agenda de Ação — que mobiliza iniciativas voluntárias da sociedade civil, empresas, governos subnacionais e investidores — também ganhou grande destaque, especialmente com o lançamento de planos de aceleração.

O Acordo de Paris, principal tratado internacional em vigor para enfrentar a crise climática, celebrou sua primeira década durante a COP30. A Conferência foi marcada pelo anúncio de uma nova rodada de NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) até 2035. Esses compromissos devem ser suficientemente ambiciosos para manter no horizonte a meta global: limitar o aumento da temperatura média abaixo de 2ºC, com esforços para não ultrapassar 1,5ºC — limite considerado mais seguro pela ciência.

A COP30, contudo, começou com a constatação de que a humanidade já ultrapassou esse limiar, ainda que temporariamente. Em seu discurso na abertura da Cúpula de Líderes, o secretário-geral da ONU, António Guterres, afirmou que “a dura verdade é que falhamos em garantir que permaneceremos abaixo de 1,5ºC”, e exortou os países a acelerarem a transição para longe dos combustíveis fósseis, responsáveis por mais de 70% das emissões globais. Alertou ainda que “cada ano acima de 1,5ºC atingirá as economias, aprofundará desigualdades e causará danos irreversíveis”, sobretudo aos países em desenvolvimento. Assim se estabeleceu o tom da chamada “COP da implementação”.

Ao longo da Conferência, cerca de 120 dos 198 países da Convenção do Clima submeteram suas novas NDCs. A Presidência da COP30 também inovou ao ampliar o diálogo com diversos setores por meio de Enviados Especiais temáticos e regionais. Como Enviada Especial do Setor Empresarial, atuei ao lado das empresas para fornecer à Presidência da COP e ao governo brasileiro insumos técnicos e estratégicos voltados à descarbonização de setores-chave da economia.

Neste contexto, as coalizões empresariais, lideradas pelo CEBDS, ganham destaque ao estruturar a contribuição do setor produtivo para a transição rumo a uma economia de baixo carbono. Reunindo mais de 270 entidades — entre empresas, associações, academia e governo — as quatro Coalizões de Transportes, Energia, Agricultura e Minerais Essenciais mostram que é possível construir consensos técnicos e soluções práticas para desafios centrais da descarbonização nacional. Elas mobilizam ações que vão desde a promoção da mobilidade sustentável e da expansão da energia limpa até avanços em agricultura de baixo carbono e oferta de minerais críticos para a transição energética global.

Ao contribuírem diretamente para planos governamentais como o Plano Clima e o Plano de Transformação Ecológica, e ao influenciarem estratégias setoriais, essas coalizões demonstram a força de uma abordagem colaborativa, pré-competitiva e orientada pela ciência. Esse trabalho conjunto reforça a liderança empresarial brasileira na agenda climática, posiciona o país como referência global em descarbonização e deixa um legado que ultrapassa Belém — um modelo de cooperação que pode inspirar outros países a adotarem estruturas semelhantes.

* Marina Grossi é presidente do CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável), entidade com 28 anos de atuação e 120 grandes empresas associadas, Enviada Especial da Presidência da COP30 para o Setor Empresarial

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