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Chefe do FMI envia mensagem direta à Europa: ‘Recomponham-se’
Publicado 20/01/2026 • 09:07 | Atualizado há 4 horas
Publicado 20/01/2026 • 09:07 | Atualizado há 4 horas
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Hereward Holland / Reuters
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva
Enquanto as novas conversas sobre uma possível guerra comercial entre Estados Unidos e Europa ganharam força na terça-feira, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, fez um alerta direto aos líderes europeus. Em tom crítico, ela afirmou que é necessário maior coordenação e agilidade por parte do bloco, resumindo sua mensagem na expressão: “Recomponham-se”.
No sábado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que oito aliados europeus poderão ser alvo de tarifas progressivas caso não seja fechado um acordo envolvendo a Groenlândia. Segundo ele, as tarifas começariam em 10% a partir de 1º de fevereiro e poderiam chegar a 25% em 1º de junho, se Washington não obtiver autorização para “comprar” o território semiautônomo que integra o Reino da Dinamarca.
De acordo com Trump, as medidas tarifárias afetariam diretamente Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Holanda e Finlândia, ampliando a tensão comercial entre os dois lados do Atlântico e elevando o risco de retaliações por parte da União Europeia.
Diante das ameaças, líderes europeus reagiram publicamente contra as tarifas anunciadas pelos Estados Unidos e reforçaram a necessidade de ampliar o diálogo diplomático com Washington, na tentativa de evitar uma escalada do conflito comercial.
Na terça-feira, Trump voltou a elevar o tom ao ameaçar impor tarifas de até 200% sobre vinhos e champanhes franceses. A declaração ocorreu após relatos de que o presidente da França, Emmanuel Macron, não estaria disposto a integrar o chamado “Conselho de Paz” proposto por Trump para tratar do conflito em Gaza.
Durante entrevista concedida a Steve Sedgwick e Karen Tso, da CNBC, à margem da principal conferência do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, Kristalina Georgieva defendeu que os formuladores de políticas adotem uma postura pragmática na aplicação de tarifas específicas por país. Ainda assim, reconheceu que a Europa não tem utilizado todo o seu peso econômico para ganhar influência no atual cenário geopolítico global.
Georgieva afirmou que o FMI tem feito reiterados apelos para que os países europeus avancem na consolidação do mercado único e priorizem o fortalecimento da competitividade interna, destacando que essas reformas são conhecidas, mas pouco implementadas.
Leia também: Ursula von der Leyen defende Groenlândia e critica tarifas em Davos
Segundo ela, a Europa perdeu terreno em produtividade e também falhou em criar um ambiente que permita que pequenas empresas cresçam e se tornem grandes grupos globais, um fator que limita o dinamismo econômico do continente e reduz sua capacidade de competir com outras potências.
A diretora-gerente do FMI enumerou quatro medidas consideradas essenciais para que a Europa alcance seu pleno potencial econômico: concluir a união dos mercados de capitais, finalizar a união energética, facilitar a mobilidade de trabalhadores entre os países da União Europeia e ampliar os investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.
Georgieva também destacou que uma parte significativa das economias europeias não está sendo investida no próprio continente. Segundo ela, cerca de 300 bilhões de euros — o equivalente a US$ 351,75 bilhões — em poupança europeia estão atualmente aplicados nos Estados Unidos, o que enfraquece o crescimento interno do bloco.
Ela ressaltou ainda que a fragmentação do mercado energético é um entrave estrutural, afirmando que é inviável competir globalmente com 27 sistemas de energia distintos. Além disso, apontou que a falta de integração dificulta a livre circulação de trabalhadores, citando como exemplo as barreiras para trabalhar ao cruzar a fronteira entre Alemanha e França.
Na avaliação de Georgieva, os líderes europeus têm plena consciência das reformas necessárias, mas avançam de forma lenta na execução. Por isso, voltou a direcionar uma mensagem direta aos formuladores de políticas do continente, pedindo maior senso de urgência.
As novas ameaças tarifárias de Trump foram classificadas por líderes europeus como “inaceitáveis”. Segundo relatos, o bloco estuda possíveis contramedidas, com a França defendendo que a União Europeia utilize seu instrumento econômico mais robusto, conhecido como Instrumento Anticoerção.
Também na terça-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que a Europa não pode mais depender da antiga ordem mundial e precisa buscar maior autonomia diante da continuidade dos choques geopolíticos.
Em discurso principal no fórum de Davos, von der Leyen disse que, se as mudanças no cenário internacional forem duradouras, a Europa também precisará promover transformações estruturais permanentes para se adaptar à nova realidade.
Segundo ela, o momento atual representa uma oportunidade estratégica para o bloco avançar na construção de uma Europa mais independente, resiliente e preparada para competir globalmente.
Trump afirmou na manhã de terça-feira que concordou em se reunir com autoridades europeias durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, para discutir suas ambições relacionadas à Groenlândia.
Na segunda-feira, o FMI revisou levemente para cima suas projeções para a economia global, estimando que o crescimento mundial alcance 3,3% neste ano e 3,2% em 2027.
Georgieva explicou que um dos fatores que motivaram a revisão foi o impacto mais limitado das tarifas até o momento. Segundo ela, não houve uma escalada para uma guerra comercial de retaliações mútuas, cenário que o FMI considera positivo.
Ela acrescentou que a manutenção desse ambiente mais contido seria benéfica tanto para a economia global quanto para os países individualmente.
Por fim, Georgieva pediu que autoridades e participantes do mercado mantenham uma postura cautelosa e equilibrada diante do debate sobre tarifas.
Ela lembrou que, no ano anterior, muitos analistas reagiram de forma alarmista às discussões tarifárias e chegaram a projetar uma recessão global, o que não se concretizou. Segundo Georgieva, isso ocorreu porque a racionalidade econômica acabou prevalecendo sobre decisões impulsivas.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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