CNBC

CNBCJerome Powell pode permanecer no Fed mesmo após ser destituído; entenda

Mundo

Scott Bessent diz que EUA não se preocupam com venda de Treasuries ligada à Groenlândia e chama Dinamarca de “irrelevante”

Publicado 21/01/2026 • 07:40 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • A operação conhecida como “venda dos Estados Unidos” ganhou força na terça-feira, à medida que investidores se desfizeram de ações e títulos americanos.
  • O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou a jornalistas em uma coletiva de imprensa no Fórum Econômico Mundial, na quarta-feira, que não está preocupado com o movimento de venda.
  • “Os investimentos da Dinamarca em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, assim como a própria Dinamarca, são irrelevantes”, disse.

Win Mcnamee / AFP

Secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent

“Os investimentos da Dinamarca em títulos do Tesouro dos EUA, assim como a própria Dinamarca, são irrelevantes”, disse o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, a jornalistas em Davos, na quarta-feira.

A operação de “venda dos Estados Unidos” ganhou força na terça-feira (20), depois que o presidente Donald Trump e líderes europeus elevaram as tensões em torno da Groenlândia. As ações e os títulos americanos caíram, fazendo os rendimentos dispararem.

O movimento ocorreu após as ameaças de Trump de impor tarifas de 10% a oito países europeus como parte de sua iniciativa para assumir o controle da Groenlândia, o que assustou os mercados. Segundo Trump, as tarifas entrariam em vigor em 1º de fevereiro e, posteriormente, subiriam para 25%.

Leia também: Bessent: improvável que a Suprema Corte anule tarifas, a “marca registrada da política econômica” de Trump

As posições da Europa em títulos do Tesouro dos EUA, no entanto, passaram a ser apontadas como uma possível contramedida.

A gestora de previdência dinamarquesa AkademikerPension afirmou na terça-feira que estava vendendo US$ 100 milhões em Treasuries dos EUA. A decisão foi motivada por “finanças públicas [dos EUA] ruins”, disse Anders Schelde, diretor de investimentos da AkademikerPension.

Questionado sobre o grau de preocupação com a retirada de investidores europeus dos Treasuries, Bessent afirmou, em entrevista coletiva no Fórum Econômico Mundial: “Os investimentos da Dinamarca em títulos do Tesouro dos EUA, assim como a própria Dinamarca, são irrelevantes”.

“Isso é menos de US$ 100 milhões. Eles vendem Treasuries há anos; não estou nem um pouco preocupado.” Bessent acrescentou que os EUA têm registrado “investimento estrangeiro recorde” em seus títulos do Tesouro.

Ele sugeriu que a venda de títulos no Japão após o anúncio de uma eleição antecipada no país insular “transbordou para outros mercados”.

“A noção de que europeus estariam vendendo ativos dos EUA veio de um único analista do Deutsche Bank”, disse Bessent, e depois foi amplificada pela “mídia de fake news”.

Leia também: Tesouro dos EUA tenta conter crise da Groenlândia e alerta UE contra retaliação

A nota, de 18 de janeiro, afirmava que “os EUA têm uma fraqueza-chave: dependem de outros para pagar suas contas por meio de grandes déficits externos”. Na época, países europeus detinham US$ 8 trilhões em títulos e ações dos EUA.

“Em um ambiente em que a estabilidade geoeconômica da aliança ocidental está sendo desestabilizada de forma existencial, não está claro por que os europeus estariam tão dispostos a desempenhar esse papel”, disse George Saravelos, chefe global de pesquisa cambial do banco alemão.

Ele acrescentou: “Fundos de pensão dinamarqueses foram alguns dos primeiros a repatriar recursos e reduzir sua exposição ao dólar no início do ano passado. Com a exposição ao dólar ainda muito elevada em toda a Europa, os acontecimentos dos últimos dias têm potencial para incentivar ainda mais o rebalanceamento do dólar”.

Bessent disse a jornalistas na quarta-feira que o CEO do Deutsche Bank ligou para informar que o banco alemão “não endossa aquele relatório do analista”. A CNBC entrou em contato com o Deutsche Bank para obter comentários.

Europa deveria “sentar e esperar” por Trump

Os EUA passaram a considerar a Groenlândia uma questão de segurança nacional à medida que o Ártico aquece e novas rotas comerciais surgem, abrindo espaço para uma possível disputa de poder entre Estados Unidos, Rússia e China. O governo Trump afirmou que quer evitar esse conflito.

“Estamos pedindo aos nossos aliados que entendam que a Groenlândia precisa fazer parte dos Estados Unidos”, disse Bessent a jornalistas.

Os groenlandeses, no entanto, estão “perplexos” com a tentativa “devastadora” de Trump de anexar o território dinamarquês, disse à CNBC, na terça-feira, a ministra dos Negócios da Groenlândia, Naaja Nathanielsen.

“[Nós] sempre nos consideramos aliados dos EUA e tentamos acomodar as necessidades americanas ao longo dos anos, e o fizemos com satisfação”, afirmou Nathanielsen, por chamada de vídeo.

“De repente, nos vermos no meio de uma tempestade que trata de nos adquirir como um produto ou uma propriedade é muito difícil para nós – sem mencionar as ameaças de ação militar e de uma ocupação efetiva do nosso país.”

Leia também: Tesouro americano diz que Trump respeita o Fed e afasta risco de crise institucional

Políticos da ilha afirmaram que a Groenlândia está aberta a negócios – mas não está à venda.

Bessent acrescentou que os EUA compraram as Ilhas Virgens Americanas da Dinamarca durante a Primeira Guerra Mundial porque “entenderam” a importância estratégica das ilhas.

“O presidente Trump deixou claro que não vamos terceirizar nossa segurança nacional ou a segurança do nosso hemisfério para outros países”, disse Bessent. “Nosso parceiro, o Reino Unido, está nos decepcionando com a base em Diego Garcia, que compartilhamos por muitos e muitos anos, e eles querem transferi-la para Maurício. Portanto, o presidente Trump está falando sério.”

“Assim como eu disse após o dia da libertação no ano passado, diria a todos: ‘respirem fundo, não tenham essa raiva reflexiva que vimos, nem esse amargor’. Por que não se sentam e esperam o presidente Trump chegar e ouvir seus argumentos? Acho que eles serão convencidos.”

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.

MAIS EM Mundo

;