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Trump quer que Nvidia venda chips avançados de IA a Pequim
Publicado 22/01/2026 • 08:05 | Atualizado há 3 horas
Publicado 22/01/2026 • 08:05 | Atualizado há 3 horas
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Divulgação
Nvidia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja conceder à Nvidia licenças para enviar à China alguns de seus chips de inteligência artificial mais potentes, em uma iniciativa que vem irritando alguns dos mais influentes parlamentares de Washington com posições duras em relação a Pequim, inclusive integrantes do próprio partido do presidente.
A reação se intensificou nesta semana, quando o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes dos EUA avançou com um projeto de lei que busca ampliar a supervisão do Congresso sobre as exportações de chips de IA.
A proposta, conhecida como AI Overwatch Act, foi apresentada no mês passado pelo deputado Brian Mast, republicano da Flórida e presidente do comitê.
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O texto exige que tanto o Comitê de Relações Exteriores da Câmara quanto o Comitê Bancário do Senado aprovem, em até 30 dias, qualquer licença para o envio de chips avançados, concedendo aos parlamentares o poder de barrar as vendas por meio de uma resolução conjunta.
O projeto surge no momento em que o governo Trump planeja conceder licenças para que a Nvidia venda seus chips H200 à China, que são significativamente mais potentes do que os processadores anteriormente autorizados para exportação.
Se aprovado, o AI Overwatch Act revogaria as licenças já existentes para esse tipo de transferência de chips de IA e imporia uma proibição temporária até que o governo apresente uma estratégia de segurança nacional para as exportações de IA. O texto prevê exceções para empresas americanas consideradas “confiáveis” que enviem chips ao exterior sob controle dos Estados Unidos, desde que cumpram padrões de segurança.
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“Empresas como a Nvidia estão solicitando autorização para vender milhões de chips avançados de IA, que representam a fronteira tecnológica da guerra moderna, para empresas chinesas com vínculos militares, como Alibaba e Tencent”, afirmou o deputado Mast, ao caracterizar a iniciativa como um risco à segurança nacional.
O projeto também conta com a coautoria do deputado John Moolenaar, republicano de Michigan e presidente do Comitê Seleto sobre a China, que classificou a proposta como um “passo crítico para proteger a vantagem tecnológica dos Estados Unidos”.
Ainda assim, não está claro qual será o nível de apoio que o AI Overwatch Act conseguirá reunir na Câmara e no Senado.
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A proposta tende a se tornar um ponto central de uma disputa mais ampla em Washington entre parlamentares que veem as exportações de chips da Nvidia como um risco à segurança nacional e autoridades que argumentam que essas vendas ajudam a manter a liderança tecnológica dos Estados Unidos.
Entre os defensores dessa segunda posição está o responsável pela política de IA e criptoativos da Casa Branca, David Sacks, que já criticou publicamente o AI Overwatch Act. O empresário e investidor do Vale do Silício republicou recentemente uma postagem viral nas redes sociais segundo a qual o projeto enfraqueceria a autoridade de Trump sobre as exportações de chips de IA.
Sacks e outros integrantes do governo Trump favoráveis ao aumento das vendas da Nvidia ao exterior sustentam que as restrições americanas aos chips foram contraproducentes e acabaram abrindo espaço para concorrentes chineses.
Segundo esse grupo, é estratégico que chips projetados nos Estados Unidos permaneçam no centro da infraestrutura global de inteligência artificial — um argumento alinhado às posições do presidente-executivo da Nvidia, Jensen Huang, e de lobistas do setor.
Parlamentares de ambos os partidos no campo oposto, no entanto, afirmam que os chips H200 da Nvidia podem fortalecer as capacidades de IA da China e ser utilizados por seu aparato militar.
Atualmente, os controles americanos exigem licenças individuais do Departamento de Comércio para qualquer exportação ou transferência de chips de IA de alto desempenho para entidades localizadas em “países de preocupação”, como China, Cuba, Irã, Coreia do Norte e Rússia.
Essas restrições incluem o H200, um dos chips de IA mais poderosos da Nvidia. Ainda assim, na semana passada, Trump confirmou que seu governo aprovará a venda desses processadores à China, desde que os Estados Unidos recebam 25% da receita gerada.
Grande parte da resistência no Congresso tem partido da oposição. Em dezembro, o vice-presidente do Comitê de Inteligência do Senado, Mark Warner, democrata da Virgínia, criticou a decisão de Trump de autorizar as exportações do H200, classificando-a como evidência de uma abordagem “improvisada e transacional”, sem uma estratégia coerente para lidar com a China.
“As empresas americanas precisam permanecer como líderes incontestáveis em hardware de IA, porque nossa competição estratégica com a China nesse campo se resumirá a qual ecossistema impulsiona a adoção e a inovação em escala global”, afirmou.
A senadora Elizabeth Warren, democrata de Massachusetts e integrante sênior do Comitê Bancário do Senado, também alertou que a China busca esses chips para modernização militar, desenvolvimento de armas e sistemas de vigilância baseados em IA, citando avaliações do Departamento de Justiça.
Trump, no entanto, também enfrenta resistência bipartidária. Antes do H200, o presidente já havia anunciado que permitiria à Nvidia retomar as vendas do chip H20 à China — um produto que ele próprio havia restringido poucos meses antes.
Na ocasião, parlamentares reagiram com outras propostas sobre chips de IA, incluindo o GAIN AI Act, apresentado em novembro por um grupo bipartidário que incluía Warren e o senador Tom Cotton, republicano do Arkansas. O projeto determina que empresas americanas priorizem as vendas domésticas de chips avançados antes de exportá-los para a China.
Apesar das mudanças de posição de Trump em relação às exportações de chips, reguladores chineses não têm permitido a retomada irrestrita da entrada dos produtos da Nvidia no país.
Na semana passada, a Reuters informou que autoridades alfandegárias chinesas receberam instruções para bloquear importações de chips H200 e alertaram empresas de tecnologia a evitar a compra desses processadores, a menos que seja estritamente necessário.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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