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O milagre de janeiro: o que fez a bolsa disparar 7 mil pontos em algumas horas? Tem espaço para mais?
Publicado 22/01/2026 • 15:56 | Atualizado há 2 horas
Publicado 22/01/2026 • 15:56 | Atualizado há 2 horas
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Quem apostou no Ibovespa foi dormir feliz na última quarta-feira, quando o índice subiu 3,33%. E antes do almoço desta quinta já estava renovando seu bom humor: em algumas horas, o principal índice da bolsa subiu quase 7% e cerca de 7 mil pontos, avançando 3,45%, a 177,7 mil pontos.
O movimento está diretamente relacionado ao boom de investimentos pelo mundo no mês de janeiro. “Os gestores têm que alocar o dinheiro, o risco que está baixo, o mercado se move rapidamente em alguma direção. É um fenômeno documentado que acontece várias vezes ao longo de uma década”, explica Alexandre Mathias, economista-chefe da Monte Bravo.
O economista acrescenta que o fluxo aumentou para mercados emergentes, e que o Brasil é um dos favoritos. “É natural que o fluxo de diversificação entre aqui, no Brasil. Não é exatamente uma novidade, é o que vem acontecendo nos últimos seis meses.”
O efeito do desembarque desse capital na bolsa brasileira é sensível, embora não signifique um movimento radical para os donos do dinheiro, alocados nos grandes mercados, com destaque para os EUA. “O que é uma gota no oceano para os gringos, aqui, no Brasil, enche a piscina”, explica.
E parece ter espaço para mais. Algumas projeções mais otimistas apontam bolsa em 300 mil pontos, outras mais moderadas, como do Itaú BBA, indicam altas para 185 mil pontos.
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“Mantemos recomendação Overweight Brasil, com uma visão moderadamente positiva para o ano (após o retorno anual de 50% em dólares), estabelecendo um alvo para o Ibovespa no fim de 2026 em 185.000 pontos (ante 155.000 no fim de 2025), o que oferece uma assimetria de 2 para 1 e um retorno total de 20%, incluindo dividendos e recompras de ações”, aponta o Itaú BBA.
O longuíssimo discurso de Donald Trump no Fórum de Davos poderia estremecer o mercado se houvesse qualquer pista de que uma deflagração de conflito com a Europa fosse identificada pelo mercado. Isso não aconteceu, e o mercado se animou a experimentar mais risco.
Segundo Andrea Damico, sócia e economista-chefe da Buysidebrazil, quando Trump reduziu a chance de uma invasão da Groenlândia, “houve uma diminuição do risco extremo no cenário internacional, aumento da demanda por ativos mais arriscados”, com destaque para empresas brasileiras.
“Além disso, continua válida a visão de diversificação para fora dos ativos americanos. Os mercados emergentes seguem como uma alternativa atrativa e o Brasil, em particular, ainda oferece um bom retorno por conta do carry-trade”, explica.
O carry-trade e uma prática utilizada por investidores institucionais globais que consiste em pegar dinheiro em um país de juro baixo para investir em outro com taxas maiores. Como o Brasil detém uma das maiores taxas de retorno na renda fixa, é um local de recebimento desse fluxo, que acaba se espalhando também para a renda variável como forma de diversificação dentro de um mesmo país.
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Analista e repórter de mercado, economia e negócios, Raphael Coraccini é jornalista, especializado em jornalismo econômico e mercado financeiro, mestre e pesquisador em Ciência Social com foco em Ciência Política. Atua na cobertura de autoridades monetárias, autoridades econômicas, resultados corporativos, M&A, mercado de capitais, impostos e tarifas, regulação e outros assuntos relacionados a economia e política.
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