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Mercado cervejeiro em baixa pôs pressão extra em troca de CEO da Heineken
Publicado 25/01/2026 • 17:10 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 25/01/2026 • 17:10 | Atualizado há 2 meses
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Heineken
A saída do CEO global da Heineken, Dolf van den Brink, anunciada no início da semana retrasada, ocorre em um momento adverso para o mercado brasileiro de cerveja, marcado por queda de volumes e pressão sobre margens. Analistas colocam ainda mais “água no chopp” da empresa ao reacender o debate sobre a sustentabilidade dos investimentos e os desafios de rentabilidade das operações no País.
O “timing” da troca de comando chama atenção porque coincide com uma fase em que a Heineken mantém o pé no acelerador na expansão de capacidade no Brasil, com destaque para a planta de Passos (MG), que pode acrescentar cerca de 5 milhões de hectolitros por ano inicialmente.
Paralelamente, no terceiro trimestre do ano passado, a Heineken viu seu volume global de cerveja cair 4,3% ante igual período de 2024, com retração mais acentuada nas Américas (7,4%). No balanço, a companhia indicou também que o crescimento do lucro operacional orgânico em 2025 deve ficar mais próximo do piso do intervalo de projeções divulgado ao mercado, de 4% a 8%.
O enfraquecimento do mercado, contudo, não é exclusivo da Heineken. Segundo a Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil), o mercado brasileiro de cerveja acumulou queda entre 6,5% e 7% no consumo em volume de janeiro a setembro 2025, na comparação com igual período de 2024.
O diretor-geral da entidade, Paulo Petroni, estima que os dados de 2025 devem fechar com retração entre 5% e 6% em volume. “Com os indicadores preliminares do IBGE, não vimos uma recuperação em outubro e novembro, então esperamos uma queda de 15,5 bilhões de litros em 2024 para algo em torno de 14,7 bilhões neste ano, o que é bastante representativo”, afirmou.
Com o mercado mais fraco, a analista do Citi, Renata Cabral, avalia que a transição de liderança na Heineken funciona como um sinal de alerta para a operação no Brasil. “A empresa segue adicionando capacidade em um momento de volumes excepcionalmente fracos, o que tende a alongar o prazo de retorno dos investimentos e levanta questionamentos sobre o ritmo de expansão no País”, afirmou.
Fontes de mercado acreditam que os baixos volumes de cerveja na América Latina, sobretudo no Brasil, ajudaram a reforçar as pressões para Dolf van den Brink deixar o comando da Heineken.
O principal fator por trás da retração foi a menor quantidade de ocasiões favoráveis ao consumo. “Tivemos menos dias de sol, temperaturas mais baixas do que em 2024 e poucos feriados com emenda. Isso impacta diretamente o consumo de cerveja”, disse Petroni.
A CervBrasil destaca também a maior competição pelo gasto discricionário do consumidor, com as apostas esportivas ganhando espaço no orçamento. “Como o tíquete da cerveja é pequeno, parte desse dinheiro acabou sendo direcionada para as bets“, afirmou o executivo. A deterioração da renda disponível, os juros elevados e as mudanças graduais nos hábitos de consumo também pressionaram a demanda.
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Dados da NielsenIQ reforçam esse diagnóstico. Segundo a empresa, o volume de cerveja vendido ao consumidor final caiu cerca de 4% entre janeiro e novembro 2025, na comparação com igual período do ano anterior. Para o diretor de Insights para a Indústria da NielsenIQ, Gabriel Fagundes, a retração não está associada a uma queda na frequência de compra, mas sim à redução da quantidade consumida por ocasião.
“O consumidor continua comprando cerveja, mas leva menos litros por vez, como forma de ajustar o orçamento”, afirmou.
Em um ambiente de consumo fragilizado, a Heineken manteve reajustes congelados desde abril 2024 como forma de preservar volumes, mas retomou aumentos em julho (2025), com reajuste médio em torno de 6%, sinalizando uma mudança de postura.
Para a analista do Citi, o longo período sem reajustes já indicava um ambiente mais apertado no segmento premium. Nesse contexto, Cabral avalia que o portfólio premium da Ambev pode estar relativamente mais competitivo, embora ressalte que a fraqueza dos volumes reduz, por ora, a relevância da disputa por participação de mercado. “No momento, todos estão brigando por um bolo menor”, afirmou.
Do lado do consumo, 2026 tende a trazer alguns estímulos adicionais, como a Copa do Mundo, mais feriados, bases de comparação mais fracas e a perspectiva de clima mais quente. Segundo Fagundes, da NielsenIQ, esses fatores podem aliviar a pressão sobre o setor, mas não indicam uma virada rápida de volume. “A expectativa é de alguma melhora, muito mais ligada ao aumento das ocasiões de consumo do que a uma recomposição do orçamento das famílias”, afirmou.
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