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Acareação do Banco Master: Defesa denuncia vazamentos enquanto Banco Central detalha intervenção e falta de liquidez
Publicado 29/01/2026 • 21:30 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 29/01/2026 • 21:30 | Atualizado há 3 horas
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Times Brasil
Imagens da acareação
O depoimento de Daniel Vorcaro nesta quinta-feira (29) foi marcado por uma forte reclamação de sua defesa quanto ao vazamento de informações sigilosas.
O advogado do banqueiro destacou que as perguntas enviadas pelo ministro Dias Toffoli já estavam na imprensa apenas 20 minutos após o ato. “Nós fomos surpreendidos com esse fato lamentável e deve ser apurado, porque mexe com a vida de todos nós”, afirmou a defesa, justificando por que se recusou a abrir o sigilo do celular do empresário.
Segundo os advogados, Vorcaro sequer levou o aparelho para a audiência para evitar riscos de segurança, reforçando que o sigilo absoluto do Ministério Público Federal não foi respeitado.
Durante a acareação, Vorcaro manteve que informou ao BRB sobre o uso de originadores terceiros, embora tenha admitido desconhecer o nome da empresa envolvida na época. “A Tirreno, nem eu mesmo sabia, naquela ocasião, se não me engano, o nome Tirreno”, declarou.
Em contrapartida, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, sustentou que o entendimento do banco público era de que os ativos pertenciam ao Master. “Eram carteiras originadas pelo Master, que haviam sido vendidas a terceiros, e que o Master estava recomprando e revendendo para a gente”, explicou Costa. Vorcaro rebateu, afirmando que o risco relevante é sempre o “cliente da ponta final” e que a origem do crédito não alteraria o processo de risco.
Sobre a liquidação das operações, Paulo Henrique detalhou que, dos R$ 12,7 bilhões negociados, cerca de R$ 10,2 bilhões foram efetivamente substituídos. Entretanto, restou uma pendência significativa: “Ficou faltando no momento em que houve a liquidação 1,4 ou 1,6 bi, que não tinha sido efetivamente trocado por questões de formalização”.
Para mitigar esse risco, o BRB exigiu R$ 9 bilhões em garantias adicionais e aplicou um deságio severo. “A gente calculou uma perda específica. Esses ativos deviam ter entre 10% e 15% de provisão no Master e a gente colocou 30% em média de provisão no BRB”, revelou o ex-presidente do banco estatal, totalizando um ajuste de R$ 2,1 bilhões a favor do BRB.
Um dos momentos mais tensos ocorreu quando Vorcaro foi questionado sobre o pagamento efetivo à Tirreno. O empresário admitiu que os R$ 6 bilhões devidos à originadora nunca saíram do banco. “A gente não pagou nem um real pelas carteiras. Nem um real para a Tirreno”, confessou.
O dinheiro ficou retido em uma conta remunerada de propriedade da empresa, mas dentro do Master. Paulo Henrique esclareceu que a retirada desse valor era inviável: “Esse saldo contábil não representa liquidez imediatamente. Ia causar uma quebra em sequência da Tirreno e do Master e afetar todo o processo de troca”.
O diretor do Banco Central, Ailton Aquino, trouxe detalhes sobre o decreto de RAET (Regime de Administração Especial Temporária) na Will Bank. Ele explicou que a medida foi necessária para preservar o valor dos ativos do BRB, focados nas classes C e D.
“Quando Dona Maria não conseguir comprar mais com cartão de crédito, a probabilidade é que ela não vai pagar o boleto do cartão”, pontuou Aquino. O diretor enfatizou que a fiscalização do BC não retirou o poder de gestão de Vorcaro antes da intervenção formal. “Supervisão é supervisão, administração é administração. Quem tomou a decisão de trocar os títulos é o dono do banco”, concluiu o diretor.
Paulo Henrique Costa, ouvido na condição de investigado, defendeu sua trajetória técnica e explicou que o BRB só detectou as irregularidades em abril de 2025. Segundo ele, o volume das operações forçou o banco a ampliar os testes de amostragem. “Nessa ampliação dos testes é que a gente percebeu que havia um padrão documental diferente e que essas carteiras não tinham sido originadas pelo banco Master”, relatou.
Ele reforçou que o contrato original previa explicitamente que os créditos deveriam ser de originação própria do Master, indicando que a existência de terceiros consolidadores, como a Tirreno, foi omitida da instituição pública até o agravamento da crise.
Daniel Vorcaro revelou que a tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB não foi um movimento puramente espontâneo de mercado, mas sim uma solução incentivada pelo próprio órgão regulador. Segundo o banqueiro, a fiscalização do Banco Central recomendou a venda do Master ao banco público como uma saída para os problemas de liquidez que a instituição enfrentava.
“O Banco Central atuava com diligência e mencionou que a gente precisava aplicar uma medida prudencial maior”, afirmou Vorcaro, sugerindo que a autarquia via na fusão uma forma de evitar o colapso sistêmico. No entanto, a pressão evoluiu para a esfera societária em 1 de junho de 2025, quando o BRB propôs formalmente que Vorcaro deixasse a sociedade do Master para que o negócio avançasse, indicando que a permanência do fundador era vista como um entrave à governança da nova estrutura pública.
Mesmo sob investigação por emitir R$ 12 bilhões em CCBs falsas, Vorcaro defendeu o modelo de negócio do Master, classificando-o como um “mix” estratégico entre ativos de curto prazo, como o consignado, e ativos de longo prazo com maior rentabilidade. Ele contestou duramente a acusação de crime, argumentando que a emissão das cédulas era apenas um “rito operacional” para trazer o crédito para dentro da instituição.
“Para um crime ou para uma fraude acontecer, alguém tem que ter vantagem e outro tem que ter prejuízo. Nesse caso, o BRB não teve prejuízo”, sustentou o empresário, alegando que o fato de o banco não ter registrado o prêmio da venda no balanço prova a ausência de dolo. Vorcaro insistiu que a transação foi, na prática, um desfazimento usual de operações, diferenciando-se apenas pelo “tamanho do volume”.
A transcrição detalha como a Tirreno se tornou o pulmão financeiro do Master quando outras fontes de captação foram fechadas. Vorcaro admitiu que as operações com a empresa chegaram a representar 70% a 80% da liquidez do banco no quadrimestre inicial de 2025. Paulo Henrique Costa, por sua vez, relatou que a percepção do BRB sobre esses ativos mudou drasticamente após cobranças de documentos que nunca eram integralmente entregues.
“O BRB seguia um padrão de análise, mas em abril de 2025, pelo volume das carteiras, resolvemos ampliar os testes e identificamos o padrão documental diferente”, afirmou Costa. O ex-presidente do banco estatal reforçou que o contrato exigia que os créditos fossem originados pelo próprio Master, e que a descoberta da Tirreno como “originadora da originadora” disparou os alertas de compliance.
Vorcaro encerrou seu raciocínio apontando uma suposta divisão dentro do Banco Central que teria selado o destino do Master. Segundo ele, enquanto algumas áreas da autarquia buscavam uma “solução de mercado” via investidores estrangeiros ou fusão com o BRB, outros departamentos optaram pela punição máxima. “Existiam pessoas que queriam uma solução e existiam outras pessoas que queriam que acontecesse o que aconteceu, e acabaram vencendo”, desabafou o banqueiro.
Ele argumentou que a liquidação extrajudicial em 17 de novembro de 2025 foi desnecessária, pois o banco possuía ativos auditados e patrimônio declarado. Para Vorcaro, a ação do BC, capitaneada pela diretoria de fiscalização, não apenas o prejudicou pessoalmente, mas gerou um “prejuízo ao sistema financeiro” que poderia ter sido evitado com a conclusão da venda societária.
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