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Finanças

Morgan Stanley prevê calote de 8% no crédito privado, nível próximo ao pico da Covid

Publicado 17/03/2026 • 11:55 | Atualizado há 7 meses

KEY POINTS

  • Morgan Stanley prevê taxa de default de 8% no direct lending, próxima ao pico registrado durante a pandemia de Covid-19
  • Inteligência artificial ameaça a demanda por serviços de software e pressiona o crédito privado, elevando o risco de calotes no setor
  • Blue Owl Capital acumula queda de 41% no ano após vender US$ 1,4 bilhão em ativos de empréstimos, enquanto Blackstone recua quase 31% em 2026
traders trabalhando na bolsa de valores de nova york

NYSE

Morgan Stanley prevê calote de 8% no crédito privado, nível próximo ao pico da Covid

O Morgan Stanley emitiu um alerta sobre o crédito privado: a taxa de default no segmento de direct lending deve chegar a 8%, aproximando-se dos níveis registrados no auge da pandemia de Covid-19. O banco vê riscos “significativos” à frente, com a inteligência artificial no papel de principal catalisador da deterioração.

O aviso foi feito pela estrategista Joyce Jiang em nota divulgada na segunda-feira (16). “Em nossa visão, a disrupção provocada pela IA será um catalisador relevante para elevar os calotes no direct lending”, escreveu Jiang.

“No geral, esperamos que as taxas de default no direct lending atinjam 8%, aproximando-se dos níveis de pico da Covid.”

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IA pressiona software e credores

O raciocínio por trás da previsão parte de uma premissa direta: à medida que a inteligência artificial domina fluxos de trabalho cada vez mais complexos, a demanda por serviços de software tende a encolher. Isso afeta diretamente as empresas do setor que tomaram recursos no mercado de crédito privado e, por consequência, seus credores.

O Morgan Stanley estima que a exposição ao setor de software entre os credores diretos é de 26%, com base nas carteiras de business development companies (BDCs), e de 19% com base em CLOs de crédito privado.

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“Os fundamentos de crédito dos empréstimos a empresas de software são desafiadores, com a maior alavancagem e as menores razões de cobertura entre os principais setores”, apontou Jiang. Além disso, o vencimento desses empréstimos está concentrado nos próximos anos: 11% vencem até o fim de 2027 e outros 20% em 2028.

Perdas já em curso

O impacto já aparece nos preços. A Blue Owl Capital, gestora de ativos alternativos que vendeu US$ 1,4 bilhão em ativos de empréstimos em fevereiro, acumula queda de 41% no ano. A Blackstone recua quase 31% no mesmo período.

O movimento reflete a saída de investidores preocupados com o efeito da IA sobre os negócios de software, o que elevou as resgates em fundos de mercado privado e gestores de ativos alternativos.

Sem risco sistêmico

Apesar da gravidade da previsão, o Morgan Stanley não vê risco de contágio amplo. Jiang aponta que os balanços corporativos seguem em boa forma e que o nível de alavancagem nos fundos de crédito privado e nos BDCs é menor do que em episódios anteriores de estresse sistêmico, como a crise financeira global de 2008.

O banco vê, portanto, um abalo concentrado no segmento, sem spillover relevante para o mercado mais amplo.

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