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O que os ciclos passados do ouro dizem sobre o futuro do metal
Publicado 04/02/2026 • 07:09 | Atualizado há 4 horas
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Publicado 04/02/2026 • 07:09 | Atualizado há 4 horas
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Ouro
Os metais preciosos permaneceram em modo de recuperação na manhã de quarta-feira, com os preços subindo após uma liquidação histórica.
Por volta das 3h45 (horário da Costa Leste dos EUA), o ouro à vista caminhava para uma alta próxima de 3%, sendo negociado em torno de US$ 5.079,40 por onça. Os contratos futuros de ouro em Nova York avançavam 3,3%, para US$ 5.093,80.
O ouro – tradicionalmente visto como um ativo de proteção – teve um desempenho excepcional nos últimos 12 meses, com valorização de 66% ao longo de 2025 e continuidade dos ganhos no início de 2026. Tensões geopolíticas, políticas comerciais imprevisíveis e preocupações com a independência do Federal Reserve deram suporte aos preços.
Leia também: Ouro e prata se recuperam após queda histórica; bancos descartam reversão
No entanto, o rali foi interrompido na sexta-feira, quando o preço do ouro caiu quase 10%. A pressão vendedora se espalhou por todo o mercado de metais preciosos, levando prata, paládio e platina a quedas expressivas.
A liquidação, desencadeada pela indicação de Kevin Warsh para o cargo de próximo presidente do Federal Reserve, continuou na sessão de segunda-feira. Já na terça-feira, o ouro à vista mostrou sinais de recuperação, com alta superior a 6%, encerrando o dia em cerca de US$ 4.946,81 por onça.
Apesar da volatilidade, muitos analistas de mercado afirmaram continuar vendo espaço para alta do ouro, encarando a queda da semana passada como uma correção temporária, e não como o fim do mercado de alta.
Em relatório divulgado na segunda-feira, Russ Mould, diretor de investimentos da AJ Bell, afirmou que o ouro vive atualmente seu terceiro grande ciclo de alta desde 1971 – e observou que os dois mercados de alta anteriores “registraram diversas correções relevantes”.
O ciclo de alta entre 1971 e 1980 – iniciado quando o então presidente Richard Nixon retirou o dólar americano do padrão-ouro e seguido pelo aumento do déficit dos EUA, choques do petróleo e inflação em disparada – fez o ouro saltar de US$ 35 para US$ 835 por onça em seu pico, em 1980, segundo Mould.
Durante esse período, os preços do ouro também caíram diversas vezes. A correção mais longa durou 105 dias, e a mais acentuada resultou em uma queda de 19,4%, de acordo com dados da AJ Bell e da LSEG.
Leia também: Ouro recua com recuperação da confiança no dólar, diz Fernanda Rocha
Após um período de “hibernação”, o ouro iniciou um novo ciclo de alta em 2001, conquistando “uma nova geração de investidores que buscava proteção diante das políticas monetárias extremamente frouxas que se seguiram ao estouro da bolha das telecomunicações e, depois, à Grande Crise Financeira de 2007–2009”, afirmou Mould.
Durante o ciclo de alta entre 2001 e 2011, dados da AJ Bell mostram que houve cinco correções de preços, cada uma levando a quedas de até 16%.
O ciclo atual, que Mould aponta como iniciado em 2015, já havia passado por cinco correções antes da queda registrada na sexta-feira.
“Uma queda superior a 20% pegou alguns investidores otimistas de surpresa em 2022, quando o mundo saiu dos lockdowns, e correções acima de 10% em 2016, 2018, 2020, 2021 e 2023 deixaram claro que a volatilidade nunca esteve longe”, disse Mould.
“Os investidores mais otimistas com metais preciosos podem, portanto, ser tentados a argumentar que essa queda repentina representa uma oportunidade de comprar mais, já que a incerteza geopolítica, a inflação persistente e o crescimento acelerado das dívidas governamentais formam a base do argumento de investimento em ouro, e nenhum desses fatores mudou desde o fim da semana passada.”
George Cheveley, gestor de portfólio da equipe de Recursos Naturais da gestora global Ninety One, disse à CNBC na terça-feira que os fatores que historicamente sustentam os preços do ouro continuam presentes.
“Do ponto de vista histórico, a força atual do ouro parece mais consistente com um ambiente de fim de ciclo do que com os estágios iniciais de um rali especulativo”, afirmou.
Cheveley acrescentou, no entanto, que há um fator adicional importante no ciclo atual.
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“Uma diferença notável deste ciclo é a escala e a persistência da demanda dos bancos centrais, que se tornou um motor mais relevante do mercado do que em episódios anteriores”, disse ele em um e-mail. “Isso oferece um grau de suporte estrutural que historicamente esteve ausente em pontos comparáveis do ciclo.”
As compras líquidas de ouro pelos bancos centrais caíram para 328 toneladas em 2025, ante 345 toneladas no ano anterior, segundo dados do World Gold Council. Ainda assim, Cheveley afirmou que o pano de fundo mais amplo continuará a impulsionar o metal precioso.
“Olhando para frente, a história sugere que o ouro pode permanecer resiliente mesmo em períodos de volatilidade, especialmente se os rendimentos reais continuarem comprimidos e a incerteza em torno do crescimento, da dívida e da geopolítica persistir”, disse ele à CNBC.
Estrategistas de bancos de investimento também afirmaram na terça-feira que o ouro, tradicionalmente visto como um ativo de proteção, segue sustentado pela incerteza macroeconômica e geopolítica mais ampla.
“Apesar de os indicadores apontarem ‘sobrevalorização’, um certo prêmio em relação ao valor justo do ouro (cerca de US$ 4.000 em nosso modelo) parece sustentável, o que sugere que o ouro não está em uma bolha”, disseram estrategistas do Barclays em relatório.
Ciclos anteriores mostraram que “desalinhamentos em relação ao valor justo podem persistir por anos”, acrescentaram, observando que a inflação, as dúvidas sobre a política dos EUA e o enfraquecimento do dólar sustentam preços elevados.
Em relatório divulgado na segunda-feira, intitulado “Not the end” (“Não é o fim”), o escritório-chefe de investimentos do UBS observou que a liquidação de sexta-feira marcou a maior queda diária do ouro em 13 anos.
“Os investidores estão avaliando se esse evento marca o fim do mercado de alta do ouro ou se sinaliza a transição para um período mais imprevisível”, disseram. “Mercados de alta do ouro normalmente não terminam simplesmente porque os temores diminuem ou os preços ficam muito elevados — eles acabam quando os bancos centrais estabelecem credibilidade e fazem uma transição para um novo regime de política monetária. Como Warsh não demonstrou a mesma credibilidade que [o ex-presidente do Fed Paul] Volcker, não acreditamos que este seja o fim do mercado de alta do ouro.”
A implementação de políticas monetárias rigorosas por Paul Volcker em 1980 “restabeleceu efetivamente a credibilidade do Fed”, levando a taxas de juros reais significativamente mais altas e a um longo período de valorização do dólar, segundo análise do UBS.
“Ao longo de ciclos de preços passados — nos anos 1970, nos anos 2000 e após 2020 — o preço do ouro tende a subir sempre que os investidores duvidam da capacidade dos formuladores de política do Fed de preservar o valor real do dólar”, disseram os estrategistas do banco. “Os preços recuam quando a confiança é parcialmente restaurada, mas os ciclos de alta só terminam quando a confiança plena é retomada.”
O índice do dólar americano, que mede a moeda frente a uma cesta de principais pares, recuou mais de 10% no último ano, em meio a preocupações com a independência do banco central e com a combinação imprevisível de políticas vinda da Casa Branca, sob o presidente Donald Trump.
“Nossa análise indica que o ouro está atualmente na fase intermediária a final de seu atual mercado de alta, passando de uma trajetória consistente de valorização para uma fase de novos recordes, mas com quedas pontuais de 5% a 8%”, afirmou a equipe do UBS no relatório.
“É importante destacar que os fatores típicos historicamente associados ao fim do mercado de alta do ouro — juros reais elevados de forma sustentada, um dólar estruturalmente mais forte, melhora das condições geopolíticas e credibilidade plena dos bancos centrais — ainda não se materializaram, em nossa avaliação.”
O UBS projeta que o ouro atinja US$ 6.200 já no próximo mês, antes de recuar para US$ 5.900 até o fim do ano.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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