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Irã desafia pressão militar de Trump e descarta abrir mão de enriquecimento de urânio
Publicado 08/02/2026 • 15:30 | Atualizado há 2 meses
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Publicado 08/02/2026 • 15:30 | Atualizado há 2 meses
KEY POINTS
Divulgação / Organização de Energia Atômica do Irã
Instalação nuclear iraniana para enriquecimento de urânio
O Irã descartou neste domingo (8) renunciar ao enriquecimento de urânio no âmbito de suas negociações com Washington, mesmo em caso de “guerra” com os Estados Unidos, que mantêm a pressão militar constante na região. Após uma primeira rodada de conversas na sexta-feira, em Omã, que ambos qualificaram como positiva, os dois países afirmaram a vontade de prosseguir com o diálogo diplomático.
No entanto, o Irã mantém-se firme em suas linhas vermelhas, aceitando falar unicamente de seu programa nuclear e enfatizando que tem o direito de desenvolver energia nuclear com fins civis.
Os Estados Unidos, que mobilizaram uma ampla força militar no Golfo, incluindo um porta-aviões, exigem um acordo mais abrangente, que inclua a limitação das capacidades balísticas do país e o fim do apoio a grupos armados hostis a Israel.
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abás Araqchi, reafirmou neste domingo que Teerã não cederá à exigência de Trump de renunciar ao enriquecimento, “mesmo que uma guerra nos seja imposta”. “Por que insistimos tanto no enriquecimento? Porque ninguém tem o direito de ditar nosso comportamento“, declarou Araqchi em um fórum em Teerã.
“Seu destacamento militar na região não nos assusta”, acrescentou o ministro, em referência direta ao porta-aviões “USS Abraham Lincoln”.
Leia também: Irã anuncia que negociações com EUA continuarão
Ele indicou que o Irã poderia considerar uma série de “medidas de confiança” em relação ao programa nuclear, mas apenas em troca do levantamento das sanções internacionais que asfixiam a economia do país.
Posteriormente, em entrevista à AFP, declarou que o Irã tem dúvidas sobre a “seriedade” dos Estados Unidos em estabelecer negociações reais. O Irã “avaliará o conjunto de sinais” antes de decidir sobre a continuação definitiva dos diálogos.
Mais tarde, o chanceler informou que o país está em consultas com seus “sócios estratégicos” – China e Rússia – sobre o andamento das tratativas.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, viajará na quarta-feira a Washington para pedir a Donald Trump firmeza máxima com Teerã. O chanceler israelense, Gideon Saar, denunciou a “tentativa do regime mais extremo do mundo de obter a arma mais perigosa do mundo”, classificando o fato como um “perigo para a paz”.
No sábado, o emissário norte-americano, Steve Witkoff, visitou o porta-aviões “USS Abraham Lincoln” no Golfo. Durante a visita, Witkoff destacou a mensagem de “paz mediante a força” do presidente Donald Trump.
Leia também: Irã desafia pressão americana e classifica mísseis como pilar inegociável de sua defesa
Nas últimas semanas, Trump multiplicou as ameaças de intervenção militar, primeiro como resposta à repressão contra protestos em janeiro e, depois, para pressionar Teerã por um acordo. Após as conversas de sexta-feira entre Witkoff, Kushner e Araqchi, as primeiras desde os bombardeios norte-americanos contra instalações nucleares em junho, Trump celebrou que houve “muito boas conversas” e que o diálogo continuará na próxima semana.
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, afirmou em sua conta no X que as negociações, apoiadas por governos amigos, constituem um “passo adiante”.
Araqchi declarou à rede Al Jazeera que um novo ciclo de diálogos ocorrerá “em breve”, mas reiterou que as capacidades balísticas do Irã “nunca poderiam ser negociadas”.
Os países ocidentais e Israel acusam o Irã de tentar obter armas nucleares, acusação que Teerã nega sistematicamente. As negociações entre Irã e Estados Unidos haviam sido congeladas pela guerra de 12 dias desencadeada em junho por um ataque israelense.
Leia também: Irã diz estar pronto para guerra, mas pressiona EUA por resolução por via diplomática
Trump afirmou que os bombardeios realizados durante esse conflito haviam “aniquilado” as capacidades nucleares iranianas, mas a extensão real dos danos permanece desconhecida.
Após a repressão ao movimento de protesto em janeiro, as tensões internas também escalaram. A ONG Human Rights Activists News Agency (HRANA) confirmou 6.961 mortos, em sua maioria manifestantes, e registrou mais de 51 mil detenções.
Em caso de um novo ataque, o Irã advertiu que miraria as bases norte-americanas na região e poderia bloquear o estreito de Ormuz, ponto crucial para o suprimento energético mundial.
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