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Porto Rico: entenda situação da terra de Bad Bunny em relação aos EUA
Publicado 09/02/2026 • 20:30 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 09/02/2026 • 20:30 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Com 8,9 mil km², o equivalente a um Distrito Federal (DF) e meio, a ilha de Porto Rico, terra natal do cantor Bad Bunny, tem status político ambíguo. Oficialmente, é um território que pertence aos Estados Unidos (EUA) no meio do Caribe com cerca de 3,2 milhões de habitantes onde predominam o idioma espanhol e a cultura latino-americana.
Apesar dos porto-riquenhos terem livre trânsito nos EUA e poderem eleger o governador da ilha, Porto Rico não é um estado dos EUA. Por isso, os eleitores não podem votar para presidente e não têm representantes, com direito a voto, no Congresso estadunidense.
Ao mesmo tempo, Porto Rico tem que se submeter às leis federais do país da América do Norte, os habitantes servem às Forças Armadas dos EUA e a nação abriga bases militares de Washington, mas não participa das relações internacionais.
Essa situação faz com que especialistas e movimentos políticos considerem a ilha uma colônia de Washington, e não um “Estado livre associado”, termo utilizado oficialmente para se referir à situação jurídico-política do território.
Leia também: Trump critica show de Bad Bunny no Super Bowl e fala em “afronta à grandeza da América”
Para as Nações Unidas (ONU), a autonomia administrativa impede classificar Porto Rico como colônia clássica, conforme explicou o professor de relações internacionais da UCB, Gustavo Menon.
O especialista avalia que a ilha caribenha segue subordinada às decisões de Washington sem ter todos os direitos dos demais moradores dos EUA. Gustavo Menon explica que é uma espécie de colônia, apesar de uma soberania administrativa restrita.
“Os porto-riquenhos não votam para presidente, não têm representação política no Congresso dos EUA, sendo frequentemente descrito como uma verdadeira colônia. É um resquício neocolonial“, concluiu o especialista.
Nesse domingo (9), Bad Bunny fez o show do intervalo do Super Bowl em São Francisco, cantando em espanhol pela primeira vez nesse tipo de evento e enaltecendo as culturas latino-americanas.
O Super Bowl é a partida que costuma ter a maior audiência da televisão do país, atingindo dezenas de milhões de espectadores.
Leia também: Super Bowl LX: Por que Bad Bunny não recebeu cachê?
Conhecido crítico da política anti-imigração do presidente Donald Trump, Bad Bunny usou o slogan “Deus abençoe a América” para pedir que a benção seja para todas as nações americanas.
Bandeiras de Porto Rico, Cuba, Brasil e Venezuela tremularam no estádio. A apresentação irritou Donald Trump, que classificou a performance como “absolutamente terrível”.
“Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América. Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo”, afirmou Trump em uma rede social.
O canto de Bad Bunny tem se notabilizado pela denúncia da influência dos EUA na ilha. No show, ele citou o exemplo do Havaí, que virou um estado dos EUA, mas teria perdido a identidade indígena original.
“Não quero que façam com vocês o que aconteceu com o Havaí”, diz a letra do cantor porto-riquenho, em defesa da cultura latina e do território local contra a gentrificação.
Leia também: Bad Bunny promete destaque à cultura porto-riquenha no show do intervalo do Super Bowl
Com a decadência do Império Espanhol no século 19, Madri mantinha apenas Cuba e Porto Rico como colônias. A guerra hispano-americana, em 1898, expulsou os espanhóis desses últimos territórios.
Com isso, Porto Rico, Cuba e Filipinas se tornaram colônias dos EUA. Em 1917, os porto-riquenhos tornaram-se cidadãos estadunidenses e, em 1952, a ilha ganhou o status de Estado Livre Associado.
O professor Gustavo Menon acrescenta que, para a elite de Washington, o território é um “protetorado”. Ele avalia que Bad Bunny exerce um soft power que se tornou uma “pedra no sapato” para o governo de Donald Trump.
A Ilha de Porto Rico não está na lista de “Territórios Não Autônomos” da ONU desde 1952, o que significa que o direito internacional não a considera uma colônia formal.
Por outro lado, o Comitê Especial sobre Descolonização da ONU vem classificando o caso como “situação colonial”. O relator Koussay Aldahhak, em relatório de março de 2025, afirma que a dominação é exercida via leis adotadas nos EUA.
Leia também: Bad Bunny vira potência global e pode triplicar receita após o Grammy, avalia João Marcello Bôscoli
“O chamado autogoverno é controlado pelas disposições da Constituição dos Estados Unidos e pelas decisões tomadas pelo Congresso dos Estados Unidos”, explicou o especialista da ONU.
Ainda segundo Aldahhak, o Congresso dos EUA detém plenos poderes sobre a ilha em áreas de defesa, relações internacionais, comércio exterior e assuntos monetários.
A ilha de Porto Rico já realizou sete referendos desde 1967, todos de caráter consultivo, para definir o futuro status político do território.
No último referendo, em 2024, 58% votaram para se tornar um estado dos EUA, enquanto 29% escolheram a “livre associação” e 11% a independência política.
No pleito de 2020, 52% dos eleitores votaram a favor da anexação de Porto Rico como o 51º estado americano, contra 47% de rejeição.
As consultas não têm efeito prático, pois não são reconhecidas como vinculantes pelo Congresso estadunidense, servindo apenas como termômetro da opinião dos moradores.
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