CNBC

CNBCOracle sobe 9% enquanto setor de tecnologia tenta se recuperar de perda de US$ 1 trilhão

Notícias do Brasil

Reforma tributária pode travar exportação indireta e ameaçar até 25 mil empresas, diz CECIEx

Publicado 10/02/2026 • 01:04 | Atualizado há 4 horas

KEY POINTS

  • Reforma tributária pode tributar exportações indiretas e restringir operações usadas por pequenos produtores.
  • Exigências como certificação OEA e patrimônio mínimo tendem a excluir a maioria das comerciais exportadoras.
  • Setor estima perda de até 25% das operações e impacto de até 10% no volume exportado.

A regulamentação da reforma tributária reacendeu a preocupação de empresas que operam com exportação indireta, modelo usado principalmente por pequenos produtores e indústrias de menor porte para vender ao exterior por meio de tradings e comerciais exportadoras.

Segundo o Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras (CECIEx), as novas regras podem restringir o funcionamento dessas operações, elevar custos e reduzir o volume exportado pelo país.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, o presidente da entidade, Luiz Roberto Gonçalves, explicou que a exportação indireta é uma alternativa para empresas que não têm estrutura própria de comércio exterior.

“As pequenas empresas que precisam atingir o mercado internacional não têm estrutura para fazer todo o processo, que é muito complicado, principalmente no Brasil. Então elas precisam se associar a empresas que serão praticamente o departamento de comércio exterior daquela pequena empresa”, afirmou.

Leia também: Reforma tributária muda o ITCMD e força revisão do planejamento de heranças

Nesse modelo, a comercial exportadora compra o produto do pequeno fabricante e realiza a venda externa. A operação recebe tratamento tributário equivalente ao de exportação direta, com isenção de impostos.

Com a nova regulamentação, porém, esse benefício pode deixar de existir automaticamente. De acordo com Gonçalves, as empresas passarão a ser tributadas, a menos que cumpram exigências consideradas difíceis para o porte do setor.

“Essas exportações indiretas têm um benefício fiscal, não pagam impostos porque é uma operação equivalente a uma exportação. Com a nova regulamentação tributária, elas passarão a ser tributadas, a menos que se submetam a algumas condições”, disse.

Entre as exigências estão a certificação de Operador Econômico Autorizado, a OEA, e patrimônio líquido mínimo de R$ 1 milhão. Para a entidade, a maior parte das empresas não consegue atender a esses critérios.

“É uma certificação complicada e cara. E essas comerciais importadoras e exportadoras terão que ter um patrimônio líquido de um milhão de reais. A grande maioria delas não tem”, afirmou.

Segundo ele, muitas dessas companhias são formadas por profissionais especializados, cujo principal ativo é o conhecimento técnico, e não o capital financeiro.

A CECIEx elaborou um estudo técnico e encaminhou propostas ao governo, à Receita Federal e a outros órgãos envolvidos na regulamentação. A entidade pede regras de transição mais leves, prazos maiores de adaptação e flexibilização das exigências de capital.

Caso as mudanças sejam mantidas, o impacto pode ser relevante para o comércio exterior. A estimativa do conselho é que boa parte das empresas deixe de operar.

“Se isso não for feito, 65% das empresas comerciais importadoras não se adequarão a esse processo e 75% não terão o capital mínimo”, afirmou.

Ele acrescentou que o efeito não se limita às companhias, mas atinge diretamente as vendas externas.

“A gente vai perder mais ou menos 20 e poucos por cento de exportação nesse segmento e pode representar até 10% do volume de exportação”, disse.

Leia também: 72% das empresas não estão preparadas para a Reforma Tributária, aponta levantamento

Os mais afetados, segundo Gonçalves, são pequenos produtores e indústrias de nicho, como fabricantes artesanais e agroindústrias de menor escala. Grandes exportadores de commodities, como soja e carne, já possuem estrutura própria e tendem a sofrer menos impacto.

Para o presidente da CECIEx, restringir o modelo pode reduzir a participação de pequenos negócios no comércio internacional e prejudicar a competitividade do país. “O Brasil, no final da linha, é o mais prejudicado”, concluiu.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Soul TV, Zapping | Novos Streamings

Amanda Souza

Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil

;