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Payroll surpreende, mas revisão derruba força do emprego nos EUA e mercado adota cautela

Publicado 11/02/2026 • 18:00 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • EUA criam 130 mil vagas em janeiro e desemprego cai para 4,3%, acima das expectativas do mercado.
  • Revisão corta geração de empregos de 2025 de mais de 560 mil para cerca de 160 mil, enfraquecendo a leitura do payroll.
  • Impacto na B3 é limitado; fluxo estrangeiro segue mais ligado ao dólar do que aos dados de emprego.

A criação de vagas de trabalho nos Estados Unidos acelerou em janeiro. A economia abriu 130 mil postos, enquanto a taxa de desemprego caiu de 4,4% para 4,3%, segundo dados divulgados pelo Departamento do Trabalho americano.

O número veio acima das expectativas do mercado e, em um primeiro momento, poderia reforçar a leitura de uma economia ainda aquecida. Mas a composição do emprego e uma revisão relevante nos dados do ano anterior acabaram trazendo uma interpretação mais cautelosa.

Para Guilherme Barbosa, CEO da API Capital, a surpresa do dado cheio não conta toda a história.

“Quando a gente olha a qualidade desse dado, o que a gente percebeu foi um aumento muito grande em profissões muito ligadas à área da saúde. E, do outro lado, as perdas foram maiores no lado do mercado financeiro.”

Segundo ele, a troca de vagas entre setores altera a qualidade da renda gerada.

“Quando a gente compara a média salarial do setor de saúde com a média salarial do setor financeiro, ela tem uma diferença. O setor financeiro paga mais. Então perderam-se empregos num setor que paga mais e ganharam-se empregos num setor que paga menos. Por isso que a leitura hoje está mais para o lado misto.”

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Além da composição, a revisão histórica chamou ainda mais atenção. O relatório anual reduziu de forma significativa a estimativa de empregos criados em 2025.

“O dado era de que em 2025 haviam sido geradas mais de 560 mil vagas de emprego. Só que nessa revisão, nesse pente fino, na verdade o número não é 500 mil, é pouco mais de 160 mil. Se você divide por 12, vai chegar em alguma coisa perto de 15 mil, que é um número muito baixo.”

Na prática, isso indica que o mercado de trabalho pode estar menos aquecido do que os números recentes sugerem. Alguns cálculos usados por economistas apontam que seriam necessárias cerca de 50 mil novas vagas por mês apenas para manter o mercado em equilíbrio, sem pressão adicional de desemprego.

Outro fator que ajuda a explicar a volatilidade mensal dos dados é a dinâmica do mercado de trabalho americano. Diferentemente do Brasil, contratações e demissões ocorrem com muito mais rapidez, o que gera oscilações mais fortes entre os meses.

“Nos EUA, contratar e demitir é muito mais simples. Eles fazem isso com uma velocidade muito grande. Então a gente tem dados muito mais voláteis, dependendo de setores específicos.”

O relatório também mostrou redução relevante de vagas no setor público federal, movimento que contribuiu para a queda em alguns meses recentes.

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Impacto limitado no Brasil

Apesar da relevância do payroll para as decisões do Federal Reserve e para os mercados globais, Barbosa avalia que o bom momento da Bolsa brasileira não está diretamente ligado a esses números.

“Na minha visão, o momento que a gente está vivendo aqui é relacionado a outros fatores, não necessariamente ao payroll. É muito mais essa questão do dólar, esse decoupling do dólar, que atraiu muito investimento e começou a diversificar.”

Segundo ele, o fluxo estrangeiro observado na B3 reflete um movimento mais amplo de realocação global.

“Isso não está sendo visto só aqui na nossa bolsa. Várias outras bolsas ao redor do mundo estão recebendo esse dinheiro. Não é necessariamente uma compra nominal do Brasil. É mais uma cesta de bolsas, e dentro dessa cesta o Brasil está lá.”

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Amanda Souza

Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.

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