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Geopolítica de recursos: o dilema brasileiro entre China e Estados Unidos

Publicado 11/02/2026 • 21:40 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • A Petrobras triplicou o volume de exportações para a China, atingindo 52% da produção, o que acende um alerta geopolítico nos Estados Unidos.
  • O Brasil permanece fora do Projeto Volt, uma coalizão de 50 países focada em minerais críticos, sinalizando uma possível falta de estratégia centralizada para o setor.
  • A indústria europeia está recuando em metas climáticas para salvar sua competitividade, servindo de lição para o desenho do mercado regulado de carbono brasileiro.

O cenário global em 2026 desenha uma reorganização drástica em blocos baseados em recursos naturais. Enquanto o Brasil celebra recordes de produção da Petrobras, com mais de 50% da exportação destinada à China, o país observa à distância o movimento dos Estados Unidos para reduzir a dependência asiática em minerais críticos.

Carlo Pereira, especialista em sustentabilidade, aponta que o Brasil caminha em um “equilíbrio sensível”. A ausência de representantes de alto escalão do governo no Projeto Volt, iniciativa liderada pela Coreia do Sul e apoiada pelos EUA para garantir o suprimento de terras raras, envia sinais ambíguos ao mercado internacional.

“O Brasil está sentindo abalos sísmicos desde o ‘tarifasso’. A Petrobras está fazendo o papel dela ao buscar o melhor mercado, mas o rearranjo global exige uma estratégia de Estado que ainda parece ausente.”

A perda de competitividade e a lição europeia

A Europa, historicamente o “xerife” da regulação climática mundial, enfrenta agora um dilema de competitividade industrial. Recentemente, mais de 100 empresas europeias solicitaram o arrefecimento das regras do ETS (European Trading Scheme), o mercado de carbono mais potente do mundo, temendo o desmonte de suas indústrias.

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Para o Brasil, o recado é claro: não se trata de desistir do mercado regulado de carbono, mas de implementá-lo com visão estratégica. O desafio é alinhar as metas ambientais à manutenção da competitividade da indústria nacional, evitando o erro europeu de regular além da capacidade de execução.

A corrida “maluca” pelas terras raras

Apesar da falta de um alinhamento governamental automático com Washington ou Pequim, o setor privado brasileiro vive uma efervescência sem precedentes. Instituições como o GFC e o Exim Bank estão injetando capital diretamente em mineradoras no Brasil, focadas na explotação de minerais críticos para a transição energética.

Carlo Pereira destaca que a diplomacia do “não alinhamento” pode ser útil, mas não substitui a necessidade de um plano nacional. A demanda europeia por minerais brasileiros também cresce, transformando o subsolo do país no centro de uma disputa global por recursos que definirão as próximas décadas.

“A corrida por terras raras está de fato maluca. Independente do alinhamento entre governos, as empresas aqui no Brasil estão sendo extremamente demandadas por americanos e europeus.”

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