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Crise da Raízen se agrava e credores se preparam para reestruturação de dívida

Publicado 12/02/2026 • 22:12 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • A crise na Raízen atingiu um novo patamar de gravidade nesta quinta-feira (12), com o mercado financeiro se organizando para uma possível reestruturação de dívida.
  • Enquanto os detentores de títulos no exterior (bondholders) se armam com assessorias de peso, a empresa luta para encontrar um novo sócio e estancar a queima de caixa.
Raízen

Foto; Divulgação

A crise na Raízen atingiu um novo patamar de gravidade nesta quinta-feira (12), com o mercado financeiro se organizando para uma possível reestruturação de dívida.

Enquanto os detentores de títulos no exterior (bondholders) se armam com assessorias de peso, a empresa luta para encontrar um novo sócio e estancar a queima de caixa.

A formação de um grupo ad hoc pelos credores sinaliza que o mercado não espera um pagamento integral e amigável nos termos atuais, com os credores contratando a Moelis para assessoria financeira e a White & Case para suporte jurídico, enquanto a Raízen escalou Pinheiro Neto e Cleary Gottlieb para estruturar sua defesa e apresentar propostas.

O mercado reflete essa tensão: os bonds da companhia estão sendo negociados a cerca de 30% do valor de face, precificando na prática um “haircut” de 70% em caso de calote ou renegociação.

A joint venture entre Shell e Cosan enfrenta uma estrutura de capital insustentável diante dos juros atuais, com dívida líquida de R$ 53,4 bilhões e bonds totalizando R$ 27 bilhões com vencimentos até 2054. Para aliviar a pressão, a empresa busca um aporte de US$ 1 a 1,5 bilhão, condicionado à entrada de um terceiro sócio, o que representa um desafio significativo no cenário atual.

Além disso, a operação na Argentina está à venda, com a expectativa de levantar mais US$ 1,5 bilhão como parte do plano de socorro.

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A Raízen foi vendida ao mercado como uma empresa de tecnologia verde, mas a execução ficou aquém da narrativa. O Etanol de Segunda Geração (E2G), que utiliza o bagaço da cana, enfrentou uma curva de aprendizado muito mais lenta que o previsto, com as usinas demorando a atingir capacidade plena e atrasando o retorno de investimentos bilionários.

Fatores externos e geopolíticos agravaram a situação: a dívida foi contraída com a Selic baixa, mas a manutenção da taxa em dois dígitos corroeu a lucratividade; secas severas e incêndios em 2024 reduziram a moagem de cana em 9,2%; e a aposta em segurar estoques falhou quando os preços globais do açúcar e do etanol caíram, comprimindo ainda mais as margens.

O mercado aguarda com ansiedade a sexta-feira 13, quando a Raízen divulgará seus resultados oficiais, encerrando o período de silêncio e obrigando a diretoria a fornecer explicações concretas sobre o avanço da entrada de um novo sócio, o cronograma real de venda dos ativos na Argentina e as estratégias para honrar os R$ 10,5 bilhões que vencem nos próximos 18 meses.

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