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Cuba fica no escuro após decisão de Trump; entenda
Publicado 16/02/2026 • 17:20 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 16/02/2026 • 17:20 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Cuba enfrenta uma crise energética crescente após o bloqueio de remessas de petróleo determinado pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo apuração da Bloomberg, o país já está há um mês sem receber entregas significativas de combustível, o que agravou os apagões e reduziu drasticamente a oferta de energia elétrica.
A rede elétrica cubana já operava sob forte pressão antes mesmo da interrupção no fornecimento externo. Em dezembro, uma falha crítica em uma linha de transmissão comprometeu temporariamente a conexão entre Havana e as principais usinas termelétricas da província de Matanzas.
A situação piorou no início de janeiro, quando os Estados Unidos interromperam embarques de combustível que representam cerca de 60% dos aproximadamente 100 mil barris de petróleo diários necessários para sustentar o sistema energético da ilha.
Leia também: Petroleiros articulam envio de petróleo a Cuba desafiando sanções dos EUA
A energia disponível despencou desde o começo do ano. Cidades do leste, como Santiago de Cuba e Holguín, registraram queda de até 50% no nível de iluminação noturna em relação à média histórica.
Postes de luz e redes residenciais que antes iluminavam essas áreas praticamente desapareceram do mapa noturno. Santiago é a segunda maior cidade do país, com porto estratégico e polos industriais. Holguín, por sua vez, é importante centro provincial e porta de entrada para turistas que seguem para resorts no litoral norte.
A capital, Havana, aparece como exceção. Apesar de bairros da zona leste estarem mais escuros, a região central, onde vive cerca de um quinto dos 10 milhões de habitantes da ilha, mantém maior estabilidade no fornecimento.
Havana concentra instalações militares, áreas industriais e a sede do governo. A priorização da capital pelo presidente Miguel Díaz-Canel é considerada estratégica.
O agravamento da crise coincide com mudanças geopolíticas. Em 3 de janeiro, forças americanas retiraram da Venezuela o presidente Nicolás Maduro para enfrentar acusações em Nova York. Em seguida, o presidente americano Donald Trump ordenou a suspensão de envios de energia e apoio financeiro a Havana.
O México ainda realizou uma pequena entrega de petróleo em 9 de janeiro, mas a ameaça de tarifas a países que abasteçam Cuba interrompeu esse fluxo. Desde então, não houve novas remessas relevantes.
Analistas ouvidos pela Bloomberg estimam que os estoques cubanos possam durar menos de 20 dias, embora não existam dados oficiais.
Leia também: Quais estados mais produzem petróleo no Brasil? Confira o ranking dos últimos cinco anos
Diante do cenário, o governo cubano anunciou medidas de contingência:
Agora, o embate entre Washington e Havana se intensifica. Trump aposta que o regime cubano entrará em colapso sob pressão econômica. Díaz-Canel sinalizou abertura para diálogo, mas não aceita discutir o sistema político de partido único.
Enquanto isso, a população enfrenta apagões frequentes e incerteza crescente. Diferentemente da década de 1990, quando a ilha ainda conseguia importar combustível após o colapso soviético, desta vez o isolamento energético pode representar um choque ainda mais profundo para a economia e para a estabilidade social do país.
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Jornalista formada pela Universidade Mackenzie e pós-graduada em economia no Insper. Tem passagem pela Climatempo, CNN Brasil, PicPay e Revista Oeste. É redatora de finanças no Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC. Eleita uma das 50 jornalistas +Admiradas da Imprensa de Economia, Negócios e Finanças de 2024.
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