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Carnaval 2026 recebe R$ 85 milhões em verba federal e vira foco de disputa política
Publicado 16/02/2026 • 10:18 | Atualizado há 5 meses
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Publicado 16/02/2026 • 10:18 | Atualizado há 5 meses
KEY POINTS
Com a bateria revereberando nas avenidas, os blocos ocupando as ruas e milhões de foliões desfilando ao som da maior festa popular do país, o Carnaval também ganha ritmo fora do compasso do samba – desta vez, nos bastidores do orçamento público e no debate político.
Levantamento do jornal Folha de S.Paulo aponta que as festas de Carnaval de 2026 contaram com pelo menos R$ 85,2 milhões em recursos federais, somando emendas parlamentares e patrocínios de órgãos ligados ao governo, como Caixa e Embratur. Os dados foram compilados a partir de diários oficiais e documentos de execução orçamentária até a última quarta-feira (12), com base em termos como “Carnaval”, “desfile” e “escola de samba”.
Do total, cerca de R$ 52 milhões foram direcionados por meio de emendas parlamentares. Em um ano pré-eleitoral, esse tipo de destinação costuma ganhar peso estratégico, já que festas populares funcionam como vitrine política em diferentes regiões do país.
Entre os destaques, a bancada da Bahia direcionou mais de R$ 30 milhões para festas em diferentes municípios. Já a Comissão de Turismo da Câmara destinou mais de R$ 9 milhões.
O levantamento considera apenas repasses diretos, sem incluir incentivos fiscais e outros gastos indiretos.
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Além das emendas, órgãos federais ampliaram os patrocínios ao Carnaval.
A Caixa Econômica Federal aprovou R$ 14,8 milhões em contratos para eventos em diferentes cidades. Entre os principais aportes estão:
• R$ 6,3 milhões para o Camarote Viva Bahia, em Salvador
• R$ 1,8 milhão para o Nosso Camarote, no Rio de Janeiro
• R$ 800 mil para eventos em Belo Horizonte
Também houve patrocínio a shows e blocos em estados como Bahia e Pernambuco.
A Embratur, por sua vez, destinou R$ 12 milhões ao Carnaval do Rio de Janeiro, com repasse de R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial, além de R$ 450 mil para eventos em Salvador, Rio e Olinda.
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Siga o Times | CNBCParte dos recursos está no centro de discussões envolvendo órgãos de controle e o Congresso Nacional.
Um dos casos envolve o repasse de verbas públicas para a escola Acadêmicos de Niterói, que levou para a avenida um enredo sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A escola recebeu R$ 1 milhão da Embratur, R$ 4 milhões da prefeitura de Niterói e R$ 2,15 milhões da prefeitura do Rio. Os repasses institucionais foram feitos no mesmo valor para outras agremiações do Grupo Especial.
Técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) chegaram a recomendara suspensão cautelar do patrocínio, mas o relator do caso decidiu ouvir os envolvidos antes de uma decisão final. Foram pelo menos 10 iniciativas contestando o desfile ou exigindo que a escola devolvesse os recursos públicos que foram repassados.
A discussão levou à apresentação de propostas legislativas no Senado.
Um dos projetos, o PL 392/2026, do senador Bruno Bonetti (PL-RJ), prevê proibir homenagens a autoridades políticas em eventos culturais financiados com recursos federais. Outro propõe vedar financiamento a manifestações que promovam conteúdos considerados incompatíveis com princípios da ordem pública.
A Justiça Eleitoral também foi acionada. O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou um pedido para impedir o desfile, entendendo que não havia elementos suficientes para caracterizar propaganda eleitoral antecipada. Eventuais irregularidades poderão ser analisadas posteriormente.
Nesta segunda-feira (16) o partido Novo informou que entrará com pedido de inelegibilidade do presidente Lula (PT) em decorrência do desfile. A legenda defende que o chefe do governo cometeu abuso de poder político e econômico.
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Apesar das controvérsias, o Carnaval segue como um dos principais eventos econômicos do país.
O Ministério do Turismo estima a participação de 65 milhões de pessoas nas festas em 2026, um crescimento de 22% em relação ao ano anterior.
A movimentação financeira é projetada em R$ 18,6 bilhões, segundo a FecomercioSP.
Governos locais também ampliaram investimentos. O governo do Rio de Janeiro destinou R$ 40 milhões, enquanto a Riotur aplicou R$ 51,6 milhões nas escolas de samba. Em São Paulo, a prefeitura aportou R$ 30,2 milhões.
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