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Tarifas de Trump: decisão da Suprema Corte pode mexer com dólar, juros e Brasil; saiba mais
Publicado 20/02/2026 • 10:30 | Atualizado há 56 minutos
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Publicado 20/02/2026 • 10:30 | Atualizado há 56 minutos
KEY POINTS
As tarifas impostas por Donald Trump aos produtos importados, que pareciam superadas, voltaram a ganhar destaque nesta sexta-feira (20), quando a Suprema Corte dos Estados Unidos decide sobre a legalidade do pacote comercial anunciado em abril de 2025.
O julgamento pode redefinir os limites do poder presidencial na política comercial americana e provocar efeitos imediatos no dólar, nos juros dos EUA, no comércio global e nas economias emergentes, incluindo o Brasil.
Em discussão está o uso da Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977. Trump invocou a norma para aplicar sobretaxas de até 50% sem autorização do Congresso. Pela Constituição americana, cabe ao Legislativo instituir impostos e tarifas.
Treze decisões em instâncias inferiores rejeitaram os argumentos do governo. Agora, a palavra final será da Suprema Corte.
Leia também: Análise: EUA podem realizar “ataque de decaptação” contra o Irã
O julgamento ultrapassa a esfera comercial. A disputa envolve o limite do Executivo para agir unilateralmente em comércio exterior e a interpretação do conceito de “emergência econômica”.
Segundo a economista Mariana Almeida, o ponto de maior cuidado está na ampliação desse conceito. “Trump trouxe um conceito de emergência econômica bastante alargado, misturando defesa militar e economia, falando em soberania. Se ele vence, essa interpretação fica legitimada e a instabilidade que já vivemos passa a ser a regra formalizada pela lei americana”, afirma.
Para ela, a decisão terá peso institucional. “Há um debate sobre democracia e sobre o papel esperado na relação entre Executivo e Legislativo. Isso vai gerar discussão independentemente do resultado”, diz.
Caso a Suprema Corte valide as tarifas, consolida-se a leitura de que o presidente pode recorrer a instrumentos emergenciais para impor barreiras amplas sem consulta ao Congresso. Se considerar ilegais as sobretaxas, abre-se um impasse jurídico e fiscal, envolvendo ao menos US$ 90 bilhões já arrecadados.
O mercado financeiro acompanha o julgamento com atenção. Se as tarifas forem mantidas, o cenário de inflação mais resistente nos EUA tende a persistir. Produtos importados mais caros pressionam os preços domésticos.
Nesse ambiente, o Federal Reserve pode manter juros elevados por mais tempo. Juros altos aumentam a atratividade dos títulos americanos e fortalecem o dólar ao atrair capital estrangeiro.
Para Mariana Almeida, a vitória de Trump consolida o ambiente atual. “Se ele ganha, o cenário que temos hoje segue. As tarifas continuam valendo, o risco de novas medidas permanece, e essa lógica de decisão concentrada no Executivo fica legitimada”, afirma.
Um dólar mais forte pressiona moedas emergentes e pode manter o real depreciado. Por outro lado, se a Suprema Corte derrubar as tarifas, o impacto pode ser duplo: econômico e institucional.
Sem a pressão inflacionária das sobretaxas, o Fed teria maior margem para flexibilizar a política monetária no médio prazo. Isso reduziria a atratividade do dólar e poderia estimular fluxo de recursos para mercados emergentes.
Mas o efeito não seria linear. “Se ele perde, há uma discussão sobre devolução de valores. Cada empresa teria que pedir caso a caso. Isso pode abrir uma bagunça do ponto de vista fiscal nos Estados Unidos”, avalia Mariana.
Segundo ela, haveria também impacto de credibilidade. “A perda de credibilidade já está colocada pelas incertezas. Uma derrota pode acelerar isso e gerar questionamentos sobre gestão fiscal”, diz.
O Brasil foi atingido em diferentes fases do pacote de tarifas. Em abril de 2025, os EUA aplicaram taxa adicional de 10% sobre produtos brasileiros. Em julho, a alíquota subiu para até 50%, com lista de exceções. Em novembro, parte das sobretaxas foi retirada após negociações bilaterais.
Hoje, exportações brasileiras se dividem entre produtos isentos e mercadorias ainda sujeitas a tarifas elevadas.
Se Trump vencer, exportadores brasileiros continuam enfrentando custos mais altos e ambiente comercial volátil. “Significa que aquele tarifácio considerado arbitrário segue. E permanece o risco de novas medidas”, diz Mariana.
Se perder, abre-se espaço para revisão do cenário. “As perdas podem ser retomadas. Os padrões conhecidos antes do governo Trump tendem a se reestabelecer. Mas isso não elimina a incerteza sobre como ele vai reagir”, afirma.
Ela ressalta que a reação política do presidente pode gerar nova rodada de tensão. “Ganhando ou perdendo, há uma camada adicional de instabilidade. Se ele ganha, legitima o que fez. Se perde, dificilmente aceita passivamente”, diz.
Para Mariana Almeida, o julgamento ocorre em um ambiente já alterado. “O Donald Trump já é um fenômeno que mudou a economia e a política internacionais. A arbitrariedade na gestão dos preços relativos e a redução do multilateralismo já estão postas”, afirma.
A decisão da Suprema Corte pode consolidar ou tensionar ainda mais esse movimento. No caso de derrota, o governo pode buscar outras bases legais para sustentar barreiras comerciais, como segurança nacional ou alegações de práticas desleais.
Isso significa que o julgamento não encerra o ciclo de incertezas. “Qualquer resultado vai mobilizar o mercado e a atividade econômica internacional. Mexe com expectativas e cria tensão adicional”, diz Mariana.
Diante do cenário, surge a pergunta: o Brasil deveria acelerar acordos comerciais ou estratégias de diversificação?
Para Mariana Almeida, a resposta já está em curso. “Desde o ano passado há um sinal claro de instabilidade vindo dos Estados Unidos. Isso exige diversificação e preparação para vários cenários. Quanto mais exposto ao mercado americano, maior o risco”, afirma.
Ela avalia que o país precisa operar com lógica de gestão de risco permanente. “É preciso esperar o inesperado. Decisões podem vir para o bem ou para o mal. O ambiente mudou”, diz.
Independentemente do resultado desta sexta-feira, o julgamento das tarifas ultrapassa a disputa comercial. Trata-se de um teste sobre o equilíbrio institucional nos EUA e sobre o rumo da política econômica global — com reflexos diretos no dólar, nos juros e nas exportações brasileiras.
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