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Lembra dos orelhões? Eles devem desaparecer do Brasil até 2028

Publicado 23/02/2026 • 09:53 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • A rede de comunicação já chegou a contar com mais de 1,3 milhão de terminais em todo o país.
  • Os orelhões eram mantidos por concessionárias de telefonia fixa, os contratos de concessão chegaram ao fim em dezembro de 2025.
  • Em janeiro de 2026, dados dos sistemas da Anatel informam 8.812 orelhões instalados.

Wikimedia Commons

Os orelhões, aparelho que democratizou a comunicação à população, irá desaparecer das ruas brasileiras até 2028.

Os Telefones de Uso Público (TUPs), popularmente conhecidos como orelhões, fazem parte do imaginário coletivo brasileiro. Mesmo quem é da nova geração e nunca utilizou o serviço provavelmente já viu um desses equipamentos em algum ponto da cidade.

Muito populares no passado, os orelhões hoje são raridade. Restam apenas 8.812 unidades em funcionamento no país – e já têm data marcada para sair de cena: o fim de 2028.

A rede, que chegou a somar mais de 1,3 milhão de terminais em todo o território nacional, era mantida por concessionárias de telefonia fixa como contrapartida obrigatória do serviço. Os contratos de concessão, firmados em 1998 e que previam a manutenção desses aparelhos, foram encerrados em dezembro de 2025.

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Símbolo nacional, o orelhão democratizou a comunicação

O aparelho, que voltou a ganhar visibilidade como símbolo de brasilidade após aparecer no filme “O Agente Secreto”, deve começar a desaparecer já no início de 2026. A partir desse período, as empresas de telefonia deixam de ser obrigadas a manter os equipamentos em funcionamento, com o fim dos contratos de concessão, encerrados no final de 2025.

Lançados em 1972 em todo o país, os orelhões tiveram papel central na democratização da comunicação no Brasil. Segundo Gustavo Curcio, livre-docente e pesquisador do Departamento de Projeto da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (FAU-USP), “eles garantiram acesso público ao telefone em um período em que a telefonia residencial era cara e restrita a poucos”.

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Design incomum virou icônico

Com design assinado pela arquiteta Chu Ming Silveira, chinesa radicada no Brasil, o orelhão ganhou popularidade rapidamente graças ao seu formato marcante e à eficiência do projeto. “Seu reconhecimento internacional decorre justamente dessa combinação rara: um objeto urbano icônico, tecnicamente inteligente e economicamente viável em larga escala”, afirma o professor.

Segundo Gustavo Curcio, os orelhões ultrapassaram sua função original e se transformaram em pontos de encontro na vida cotidiana das cidades. Em muitos locais, chegaram a concentrar vendedores ambulantes, consolidando-se também como um importante ícone cultural.

“Eles aparecem em filmes, novelas, fotografias, livros didáticos e narrativas urbanas, tornando-se símbolos facilmente reconhecíveis, mesmo por quem nunca os utilizou. A presença constante desses objetos no espaço público durante décadas fez com que se incorporassem ao repertório simbólico da sociedade brasileira”, destaca.

Ao contrário do que se imagina, ainda há quem defenda a permanência dos orelhões. Esse grupo inclui desde urbanistas, que valorizam o patrimônio histórico e a memória urbana, até pessoas que ainda dependem do serviço no dia a dia.

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Uso em números

No que diz respeito ao uso, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) informa que o pico da rede foi registrado em 2001, quando o país chegou a ter 1.378.700 orelhões em funcionamento. Décadas depois, o cenário é bem diferente: em janeiro de 2026, dados da própria agência apontam a existência de apenas 38 mil aparelhos instalados.

Atualmente, há também 8.812 localidades atendidas exclusivamente por orelhões, que ainda dependem desse serviço para comunicação de voz. Segundo a Anatel, a manutenção desses equipamentos nessas áreas está prevista “até 31 de dezembro de 2028, ou até que outra solução de comunicação de voz, como o Serviço Móvel Pessoal (telefonia celular), seja disponibilizada”.

Além disso, a agência destacou a necessidade de ampliar a infraestrutura de banda larga no país. “Com a proximidade do término dos referidos contratos, tornou-se oportuna uma discussão mais ampla sobre o atual modelo de concessão, com o objetivo de estimular os investimentos em redes de suporte à banda larga”, afirmou.

A agência ressalta ainda que essas localidades e populações estão, em sua maioria, concentradas nas regiões Norte e Nordeste do país.

Gastos podem ser redirecionados

A Vivo afirmou que, com o fim da obrigatoriedade de manutenção dos Telefones de Uso Público (TUPs), será possível “direcionar investimentos para tecnologias mais relevantes para a população, como a ampliação da cobertura 4G e 5G em mais de mil municípios nos próximos anos”.

Segundo a companhia, a medida abre espaço para uma discussão mais ampla sobre a necessidade de estimular investimentos em infraestrutura de banda larga no país.

A adaptação dos contratos para o modelo de autorizações de serviço prevê a extinção gradual dos telefones públicos, como parte do processo de universalização do acesso à comunicação. No estado de São Paulo, por exemplo, havia cerca de 28 mil unidades em operação até dezembro de 2025.

De acordo com a Vivo, a utilização desses equipamentos caiu 93% nos últimos cinco anos, “evidenciando que os orelhões deixaram de fazer parte da rotina das pessoas”.

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Reestruturação das calçadas

A retirada dos orelhões, no entanto, também evidencia desafios estruturais da infraestrutura urbana brasileira. Segundo o professor, os diferentes sistemas — como água, esgoto, energia e telecomunicações — foram implementados de forma sobreposta e, muitas vezes, desordenada, o que gera conflitos no uso do espaço urbano.

“Água, esgoto, energia e telecomunicações convivem de maneira desordenada, gerando conflitos espaciais permanentes. Isso exige coordenação institucional, investimento contínuo e uma visão sistêmica da cidade, algo ainda pouco praticado”, afirma.

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