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CNBCTrump diz à CNBC que EUA estão “muito determinados” a fechar acordo com o Irã

Conflito no Oriente Médio

Trump volta a falar em trégua de cinco dias e ameaça retomar ataques às instalações de energia do Irã

Publicado 23/03/2026 • 11:05 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • Trump volta a falar em pausa de cinco dias nos ataques ao Irã e avisa que ações serão retomadas, inclusive contra infraestrutura de energia, se negociações não avançarem
  • Presidente americano exige fim total do enriquecimento de urânio iraniano e afirma que os EUA querem o urânio já produzido pelo país
  • Trump ignora novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, e diz negociar com outras figuras do governo iraniano, explicando contradição com versão oficial de Teerã

Parado na pista de pouso na Flórida, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concedeu nesta segunda-feira (23) uma coletiva improvisada à imprensa e confirmou que ordenou ao Exército americano a suspensão dos ataques às usinas de energia e à infraestrutura energética do Irã por cinco dias. Caso as negociações não avancem dentro do prazo, os ataques serão retomados, incluindo ações diretas contra a infraestrutura de energia iraniana.

Trump disse que os iranianos que deram o primeiro passo. “Eles ligaram. Eu não liguei”, afirmou o presidente, atribuindo a iniciativa ao lado iraniano. Segundo ele, seu assessor Steve Witkoff e o genro Jared Kushner iniciaram as conversas no domingo (22) com um líder iraniano que Trump não identificou. “Eles querem muito fechar um acordo. Nós também queremos”, disse.

Usina de R$ 10 bilhões no alvo para amanhã

A ameaça de Trump foi precisa. O presidente disse que os EUA estavam prontos para destruir uma das maiores usinas de energia elétrica do Irã, construída ao longo de anos a um custo superior a 10 bilhões de dólares. Segundo Trump, o ataque poderia ocorrer já na manhã desta terça-feira (24) caso o acordo não avance.

“Nós estávamos prontos para explodir uma das maiores usinas de geração de energia elétrica, que levou anos para ser construída e custou mais de dez bilhões de dólares”, afirmou o presidente, deixando claro que o cessar-fogo de cinco dias pode ser encerrado antes do prazo se as condições americanas não forem aceitas.

Condições do acordo: urânio e fim das guerras

Trump detalhou pela primeira vez as exigências americanas para encerrar o conflito. O presidente disse que o Irã deverá encerrar completamente seu programa de enriquecimento de urânio, inclusive para fins civis e médicos, e que os EUA têm interesse no urânio já produzido pelo país. “Não queremos enriquecimento. Mas também queremos o urânio enriquecido”, afirmou.

Segundo Trump, a transferência do urânio iraniano para os EUA seria benéfica para toda a região. “Seria bom para Israel, bom para a Arábia Saudita, bom para todos os países do Oriente Médio”, disse o presidente. As demais condições incluem o fim dos ataques a Israel e a reabertura do Estreito de Ormuz.

Com quem Trump está negociando

Um dos momentos mais reveladores da coletiva foi quando Trump foi questionado sobre seu interlocutor iraniano. O presidente ignorou completamente Mojtaba Khamenei, filho de Ali Khamenei e novo líder supremo do Irã, dizendo que estava conversando com um “líder muito respeitado” sem revelar o nome.

A omissão explica a contradição entre as versões americana e iraniana sobre as negociações. O governo iraniano, na figura de Mojtaba Khamenei, nega qualquer contato com Washington – e de fato Trump não está negociando com o líder oficial do país. O presidente americano disse estar em contato com outras figuras do governo iraniano ou de grupos que disputam o poder no país, cujo comando, nas palavras de Trump, segue fragmentado após a morte de Ali Khamenei.

Irã nega negociações e fala em guerra psicológica

A versão iraniana contraria ponto a ponto o que Trump afirmou na pista de pouso. A mídia estatal iraniana, citando um alto funcionário de segurança sem identificá-lo, negou qualquer contato direto ou indireto entre Teerã e Washington. “Não há negociação e não haverá negociação e, com esse tipo de guerra psicológica, nem o Estreito de Ormuz voltará às condições anteriores à guerra nem haverá paz nos mercados de energia”, afirmou o funcionário.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã foi na mesma direção, afirmando que as declarações de Trump têm como objetivo reduzir os preços da energia e ganhar tempo para implementar planos militares. “Há iniciativas de países da região para reduzir as tensões, e nossa resposta é clara: não fomos nós que iniciamos esta guerra, e todos esses pedidos devem ser direcionados a Washington”, disse o ministério, segundo a emissora estatal IRIB.

Futuro do Irã: eleições sob tutela americana

Trump foi além das condições imediatas do acordo e delineou sua visão para o futuro político do Irã. O presidente afirmou que, após o encerramento do conflito, o país realizará eleições abertas, mas que o controle será compartilhado com os EUA. Comparou a situação iraniana à da Venezuela e deixou claro que nenhum candidato poderá se opor à influência americana.

“Talvez eu, talvez eu junto com algum aiatolá”, disse Trump ao ser questionado sobre quem poderia liderar o Irã no período de transição. O presidente afirmou que os candidatos às eleições iranianas terão que ser aprovados pelo governo americano.

Israel “ficará muito satisfeito”, diz Trump

Ainda na coletiva, Trump afirmou ter conversado com líderes israelenses e garantiu que Israel “ficará muito satisfeito” com o resultado das negociações. Em seguida, em conversa com a apresentadora Maria Bartiromo, da Fox Business, o presidente afirmou que o Irã quer fechar um acordo “desesperadamente”, contrariando a versão da mídia estatal iraniana.

Mercados reagem à perspectiva de acordo

A possibilidade de uma saída diplomática para o conflito movimentou os mercados globais ainda pela manhã. Futuros de ações subiram, o dólar recuou frente às principais moedas e os preços do petróleo caíram. No Brasil, o Ibovespa operava com alta de 3%, aos 181 mil pontos, por volta das 11h15, enquanto o dólar recuava a R$ 5,2607 ante o real.

O conflito, iniciado em 28 de fevereiro com ataques aéreos de EUA e Israel ao Irã, gerou o que a Agência Internacional de Energia classifica como a maior disrupção de oferta da história do mercado global de petróleo. O tráfego pelo Estreito de Ormuz, corredor por onde passa cerca de 20% do petróleo e gás mundiais, praticamente parou desde o início da guerra.

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