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Preços do petróleo sobem com ultimato de Trump sobre Ormuz e ameaças do Irã

Publicado 23/03/2026 • 06:34 | Atualizado há 3 semanas

KEY POINTS

  • Os preços do petróleo subiram nas primeiras horas de negociação na Europa, à medida que investidores avaliavam a possibilidade de uma nova escalada no Oriente Médio.
  • O receio de uma interrupção prolongada no Estreito de Hormuz tem mantido os mercados em alerta, impulsionando as cotações do petróleo.
  • O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, advertiu que o choque energético provocado pela guerra no Irã é “muito mais grave” do que os dois choques do petróleo da década de 1970.
Fábrica de produção de petróleo.

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Os preços do petróleo avançaram em meio a negociações voláteis nesta segunda-feira, enquanto investidores avaliavam o risco de uma escalada após o ultimato do presidente Donald Trump exigindo que Teerã reabra o Estreito de Ormuz ou enfrente ataques à sua infraestrutura energética.

O Irã reagiu, afirmando que consideraria usinas elétricas e instalações de água na região como “alvos legítimos” caso sua rede elétrica fosse atingida.

O Brent, referência internacional, para entrega em maio subiu 1%, a US$ 113,32 por barril, revertendo perdas iniciais. O WTI, referência dos EUA, avançava cerca de 2,8%, a US$ 101,01 durante as primeiras horas de negociação na Europa.

O Goldman Sachs elevou de forma significativa suas projeções para o petróleo, prevendo que o Brent alcance em média US$ 110 em março e abril, contra estimativa anterior de US$ 98. Para o WTI, o banco projeta US$ 98 em março e US$ 105 em abril.

“Assumindo que os fluxos de Ormuz permaneçam em 5% do normal até 10 de abril, os preços tendem a subir nesse período”, disseram analistas do Goldman, acrescentando que o reconhecimento dos riscos por parte dos governos pode levar a maior estocagem e preços mais elevados no longo prazo.

Se os fluxos pelo estreito permanecerem em apenas 5% por dez semanas, o Brent poderá superar o recorde histórico de 2008, quando atingiu cerca de US$ 147 por barril antes de despencar com a crise financeira global.

A tensão aumentou após Trump ameaçar no sábado “obliterar” as usinas iranianas caso o país não reabrisse totalmente o Estreito de Ormuz em 48 horas — prazo que expira nesta segunda-feira em Washington.

O porta-voz do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, respondeu que infraestrutura crítica e instalações energéticas no Golfo poderiam ser “irreversivelmente destruídas” se as usinas iranianas fossem atacadas.

Desde 28 de fevereiro, quando EUA e Israel lançaram ataques contra o Irã, Teerã mantém o estreito praticamente fechado ao tráfego marítimo comercial. O bloqueio de uma rota que normalmente responde por 20% do suprimento global de petróleo tem alimentado temores de choque de oferta, inflação e desaceleração econômica.

A mídia estatal iraniana afirmou no domingo que o país permitirá passagem segura apenas para embarcações não ligadas a “inimigos do Irã”.

Nos EUA, o gás natural subia 0,9%, a US$ 3,123 por milhão de BTUs, enquanto a gasolina RBOB para abril avançava 1,4%, a US$ 3,332, perto dos maiores níveis em quatro anos.

O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (IEA), Fatih Birol, alertou que a crise atual é “muito severa”, pior que os choques do petróleo dos anos 1970 e mais grave que os impactos da guerra Rússia-Ucrânia sobre o gás.

Em 11 de março, países membros da IEA concordaram em liberar um recorde de 400 milhões de barris de reservas estratégicas para conter a interrupção de oferta. Birol disse estar em consultas com governos da Ásia e Europa sobre liberar ainda mais estoques, mas ressaltou que a solução mais importante seria “abrir o Estreito de Ormuz”.

Diferença crescente entre Brent e WTI

A diferença entre os preços do Brent e do WTI ultrapassou US$ 14 por barril, o maior descompasso em anos. O Brent, mais sensível ao risco geopolítico por ser referência marítima, tem subido mais rápido que o WTI, armazenado no hub terrestre de Cushing, Oklahoma.

Segundo Amrita Sen, da Energy Aspects, o descompasso reflete o risco imediato de oferta para países fora dos EUA. “Os Estados Unidos vão permanecer os mais protegidos de todos”, disse, lembrando que o país é o maior produtor mundial e já iniciou a liberação de reservas estratégicas.

Chris Verrone, estrategista da Strategas Research, afirmou à CNBC que a diferença pode sinalizar que o mercado se aproxima da “intensidade máxima desta crise do petróleo”, com investidores apostando em um conflito prolongado e preços do Brent sustentados por mais tempo.

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