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Petróleo Brent sobe 7% com escalada de Trump contra o Irã e bloqueio no Estreito de Ormuz

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Tarifaço de Trump faz um ano e deixa rastro de incerteza, guerra e desgaste político sem precedentes

Publicado 02/04/2026 • 11:58 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Tarifaço do Liberation Day custou US$ 1.000 por família americana em 2025 e não reduziu o déficit comercial dos EUA
  • Suprema Corte derrubou base legal das tarifas em fevereiro e governo busca alternativas jurídicas para mantê-las
  • Guerra no Irã e alta do petróleo ameaçam eleições de novembro e podem colocar o mandato de Trump em xeque
Tarifaço

Reprodução/Times Brasil

Trump fala em coletiva na Casa Branca nesta sexta-feira (20), após a derrubada do tarifaço pela Suprema Corte Tarifaço

Em 2 de abril de 2025, Donald Trump apresentou ao mundo o que chamou de “Dia da Libertação” – uma tarifa mínima de 10% sobre todos os países do planeta, com sobretaxas de até 50% para as nações com maior superávit comercial com os Estados Unidos. A maior elevação tarifária americana em quase um século foi anunciada como o início de uma nova era industrial para os EUA. O movimento foi tratado de forma jocosa como “tarifaço”.

Um ano depois, o balanço é o contrário do que Trump esperava: déficit comercial intacto, fábricas que não voltaram, consumidor americano pagando a conta e uma sequência de crises que ameaça o próprio mandato de Trump.

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“Quem paga a tarifa é sempre o consumidor final. Essa ideia do Liberation Day não tem muito sentido, porque quando você fala de importação, quem paga é o consumidor final”, afirmou Igor Lucena, economista e doutor em comércio exterior e geopolítica ouvido pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.

Os números confirmam Lucena, segundo a Tax Foundation, as tarifas representaram um aumento médio de US$ 1.000 por domicílio americano em 2025. O Fed de Nova York e o Congressional Budget Office chegaram à mesma conclusão: cerca de 90% do custo foi absorvido por importadores e consumidores dos próprios Estados Unidos.

Os exportadores estrangeiros que Trump prometia punir arcaram com apenas 5%.

Promessa industrial que não veio

A Casa Branca apostou que o tarifaço forçaria a volta das fábricas ao território americano. “Empregos e fábricas voltarão rugindo para o nosso país”, disse Trump no anúncio do Liberation Day. O rugido não veio. A indústria americana eliminou cerca de 100 mil postos de trabalho desde a posse de Trump, enquanto o restante da economia gerou 300 mil. Apenas 9% dos fabricantes pesquisados no estado de Ohio relataram algum movimento de relocalização produtiva.

Os setores que cresceram – data centers, gás natural liquefeito e farmacêuticos – são em grande parte protegidos das próprias tarifas ou subsidiados por legislação anterior, como a Lei CHIPS de 2022. A incerteza regulatória atingiu níveis recordes, superando os primeiros meses da pandemia de covid-19, e tornou o planejamento de investimentos um exercício de adivinhação.

“Cada hora gasta navegando nisso é tempo que não podemos dedicar a coisas úteis para fazer o negócio crescer”, resumiu ao The Economist Julie Robbins, dona de uma fabricante de pedais de guitarra em Ohio.

O mundo que Trump não esperava

Enquanto a promessa industrial emperrava dentro dos EUA, o comércio global se reorganizava fora do controle de Washington. As importações americanas da China caíram US$ 66 bilhões entre abril e julho de 2025. Mas Taiwan, Vietnã e Índia ocuparam rapidamente esse espaço. O déficit comercial americano mal se moveu.

“Ele subestimou a capacidade de grandes países em conseguirem canalizar sua produção para diferentes regiões”, avalia Alisson Correa, analista de investimentos e cofundador da Dom Investimentos.

Para Correa, o tarifaço acabou forçando o Brasil e outros emergentes a olhar para novos mercados – movimento que, paradoxalmente, beneficiou justamente os adversários que Trump pretendia enfraquecer.

O agronegócio brasileiro é o exemplo mais citado. Com a retaliação chinesa às exportações americanas, a China passou a comprar mais soja e carne do Brasil. Novos mercados foram abertos no México, na Colômbia e em países europeus. “De certa forma, o tarifaço nos forçou a cutucar mercados que já existiam e só precisavam de um empurrão”, resume Correa.

Lucena vai além e aponta que a tarifa de 50% imposta ao Brasil teve motivação menos econômica e mais ideológica. “Foi muito mais uma tentativa de pressão para que o Brasil pudesse circular as visões do presidente Trump sobre Big Tech e liberdade de expressão, além das críticas do presidente Lula à política externa americana”, analisou.

Suprema Corte derruba alicerce jurídico do tarifaço

Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a base legal das tarifas do Liberation Day, determinando que o presidente não tinha autoridade para impô-las nos termos utilizados. O governo americano se viu obrigado a reembolsar importadores em cerca de US$ 166 bilhões e a reimplantar uma tarifa global de 10% com base na Seção 122 – válida apenas até julho de 2026.

Para preencher o vácuo jurídico, a Casa Branca anunciou investigações contra 60 parceiros comerciais pela Seção 301 e tenta montar uma colcha de retalhos de tarifas setoriais com base legal mais sólida. O processo, no entanto, é lento, imprevisível e pode se estender por meses.

“As tarifas vão ter que acabar, em grande parte, por causa da Suprema Corte. Então ele vai procurar outros elementos para colocá-las”, avaliou Lucena. “Está muito claro que Trump está vendo essas tarifas como um elemento mais forte para fazer com que outros países façam suas vontades – mas isso tem um limite.”

Guerra no Irã e o relógio político

O limite ficou ainda mais visível após os ataques contra o Irã. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, o Estreito de Ormuz – por onde passa um quinto do petróleo e gás negociados no mundo – está efetivamente bloqueado. O Brent superou US$ 108 o barril nesta quinta-feira (2), após Trump prometer novos ataques ao Irã nas próximas semanas.

A alta do petróleo pressiona a inflação americana, corrói a renda disponível das famílias e aprofunda o desgaste político de um presidente cuja aprovação já despencou. Três em cada dez americanos aprovam sua gestão, segundo dados citados por Correa.

“Muito me espanta o fato de Trump estar continuando com essa imprevisibilidade dos mercados quando ele tem eleições de mid-term em novembro. Se ele não encerrar rapidamente esse conflito e criar um sentimento de que a economia americana está crescendo sem solavancos, isso vai dar aos democratas vitórias avassaladoras”, disse Lucena sobre o timing.

As consequências de uma derrota nas eleições legislativas de novembro podem ser ainda mais graves. Ele mesmo já disse que, se perder o Senado e a Câmara, vai sofrer um processo de impeachment. Eu acho que isso se torna uma realidade muito grande“, alerta o especialista.

Um ano de tarifaço e Liberation Day

O arrecadado pelas alfândegas americanas triplicou em 2025, chegando a US$ 287 bilhões – cerca de 5% de toda a arrecadação tributária do país. Mas o dinheiro saiu do bolso dos próprios americanos, não dos exportadores estrangeiros. O déficit comercial praticamente não se alterou. A indústria não voltou. E o mundo se reorganizou à margem de Washington.

“Não acredito que isso vá mudar a tendência de como fazemos negócios globalmente”, diz Correa. “Trump acabou fazendo com que seus concorrentes se beneficiassem. A capa da Financial Times desta semana mostra exatamente isso: Xi Jinping rindo enquanto Trump grita.”

Para Lucena, o cenário que se desenha é de um presidente acuado em várias frentes ao mesmo tempo. “As políticas externas estão erráticas, principalmente a questão do Irã, e estão impactando o curso de vida do americano- que foi exatamente o que o elegeu e o que ele criticou no governo Biden.”

Um ano após o Liberation Day, a bomba segue com o mecanismo ativado.

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