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Discurso de Trump sobre Irã agrava cenário para petróleo, com mais de 600 milhões de barris em risco
Publicado 02/04/2026 • 16:54 | Atualizado há 3 horas
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Publicado 02/04/2026 • 16:54 | Atualizado há 3 horas
KEY POINTS
Na mesma postagem, Trump deixou clara a posição americana caso o Estreito permaneça bloqueado
O presidente Donald Trump reforçou a guerra dos Estados Unidos contra o Irã, elevando os preços do petróleo na quinta-feira, enquanto operadores se preparam para um conflito mais longo, que deve agravar a já profunda disrupção no fornecimento global de energia.
O mercado esperava que Trump apresentasse uma estratégia clara de saída durante seu discurso nacional na noite de quarta-feira, mas o presidente afirmou que a guerra continuará por semanas e prometeu atingir a República Islâmica “extremamente forte”.
“Com o conflito agora esperado para durar pelo menos até abril, o cálculo por barril se torna cada vez mais sombrio”, disse Ryan McKay, estrategista sênior de commodities da TD Securities.
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Quase 1 bilhão de barris será perdido até o fim do mês, incluindo até 600 milhões de barris de petróleo bruto e cerca de 350 milhões de barris de produtos refinados, como combustível de aviação, diesel e gasolina, afirmou McKay. A cada mês adicional de guerra, a perda combinada pode chegar a 450 milhões de barris.
A Rapidan Energy projeta uma perda líquida total de 630 milhões de barris até o fim de junho, considerando redirecionamento de fluxos por dutos, uso de estoques emergenciais e redução de inventários.
Os preços do petróleo nos EUA subiram mais de 10%, ultrapassando US$ 110 (R$ 567,6) por barril após as declarações de Trump. O Brent, referência internacional, avançou mais de 6%, superando US$ 107 (R$ 552,1).
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Compradores de petróleo físico nos EUA estão dispostos a pagar quase US$ 120 (R$ 619,2) por barril em Houston, um prêmio de cerca de US$ 5,50 (R$ 28,4) sobre o contrato futuro de maio, disse Tom Kloza, analista independente.
“O discurso foi um desastre”, afirmou John Kilduff, sócio da Again Capital. Segundo ele, o mercado já está rapidamente precificando o impacto de uma guerra prolongada e o possível fechamento do Estreito de Ormuz.
Trump não apresentou um plano para reabrir o Estreito de Ormuz, rota marítima vital que o Irã praticamente bloqueou com ataques a petroleiros. Antes da guerra, cerca de 20% da oferta global passava pela via.
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“Os Estados Unidos quase não importam petróleo pelo Estreito de Ormuz e não precisarão disso no futuro”, disse Trump. “Os países que dependem dessa rota devem cuidar dela.”
O presidente ameaçou bombardear usinas de energia do Irã e disse que o país poderia ser levado “de volta à idade da pedra”. Também sugeriu que países afetados comprem petróleo dos Estados Unidos.
“Não consigo acreditar que os militares dos EUA não tenham agido no primeiro dia para conter o bloqueio”, disse Bob McNally, presidente da Rapidan Energy.
Os preços não subiram ainda mais devido a fatores como redução da atividade de refinarias, estoques elevados antes da guerra e liberação de petróleo por mais de 30 países da Agência Internacional de Energia, disse Matthew Bernstein, da Rystad Energy.
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O mercado começa agora a precificar os impactos de longo prazo do conflito. “Não haverá retorno ao cenário pré-guerra”, afirmou Bernstein, citando aumento da demanda por estoques, custos de seguro e frete mais altos e maior risco geopolítico.
Com o Estreito de Ormuz ainda fechado, os estoques de petróleo tendem a cair rapidamente. Reservas em navios devem diminuir e os estoques em terra podem atingir mínimas de vários anos já em agosto, segundo McKay.
“À medida que os estoques diminuem, a pressão vista na Ásia se espalha globalmente”, disse o estrategista. Os preços devem sofrer pressão crescente nas próximas semanas e meses até reduzirem a demanda.
O CEO da Shell, Wael Sawan, alertou que a escassez começará pelo combustível de aviação, seguida por diesel e, por fim, gasolina, com impacto global progressivo.
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“É um efeito cascata”, disse Sawan, indicando que o impacto começa no Sul da Ásia, se espalha pelo Sudeste e Nordeste asiático e chega à Europa ao longo de abril.
Os EUA estão relativamente protegidos devido à forte produção doméstica, segundo Natasha Kaneva, do JPMorgan, embora a Costa Oeste, especialmente a Califórnia, possa enfrentar problemas de oferta até maio.
Os preços da gasolina nos EUA podem subir para entre US$ 4,25 e US$ 4,45 (R$ 21,9 a R$ 23,0) por galão nas próximas duas semanas, enquanto o diesel pode atingir entre US$ 5,80 e US$ 6,05 (R$ 29,9 a R$ 31,2), segundo Patrick De Haan, da GasBuddy.
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O recorde histórico de gasolina, de US$ 5,02 (R$ 25,9) por galão, registrado em junho de 2022 após a guerra na Ucrânia, pode ser novamente alcançado.
A alta do diesel é hoje a maior preocupação. “Isso deve provocar inflação significativa no segundo trimestre”, afirmou Tom Kloza.
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Este conteúdo foi fornecido pela CNBC Internacional e a responsabilidade exclusiva pela tradução para o português é do Times Brasil.
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