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Escalada do petróleo impacta custos, logística e preços ao consumidor; veja estratégias de empresas
Publicado 03/04/2026 • 07:30 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 03/04/2026 • 07:30 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Ingredientes frescos Blaise/Divulgacao
A atual escalada dos conflitos no Oriente Médio reacendeu um velho temor da economia global: a alta do petróleo. O impacto imediato costuma aparecer nas bombas de combustível, mas o efeito é mais amplo e já começa a se espalhar por diferentes setores, incluindo alimentação, logística e transporte.
A pressão pode se intensificar nos próximos meses. Em um cenário de continuidade do conflito e ruptura logística, o barril de petróleo pode atingir valores entre US$ 150 e US$ 200, segundo avaliação de Dave Ernsberger, presidente da S&P Global Energy, sediada nos Estados Unidos. O principal risco está no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo, onde eventuais restrições podem afetar diretamente a oferta.
O impacto já começa a aparecer em cadeias de abastecimento, especialmente na Europa, com incertezas sobre a disponibilidade de petróleo e derivados nos próximos meses. A capacidade de compensação por outros países é limitada, o que aumenta a pressão sobre preços globais.
No Brasil, os efeitos também começam a ser sentidos, a Petrobras anunciou um aumento de cerca de 55% no preço do querosene de aviação, refletindo a alta do petróleo no mercado internacional. O combustível representa mais de 30% dos custos operacionais das companhias aéreas, o que tende a pressionar tarifas e custos logísticos também nos EUA e em outras rotas internacionais.
Esse movimento se conecta diretamente com o setor de alimentação. Em restaurantes, bares e cafés, a conta já começa a mudar. E, ainda que o consumidor nem sempre perceba de imediato, ela tende a aparecer, mais cedo ou mais tarde, no valor final do prato.
Na prática, o impacto ocorre em etapas, mas de forma cada vez mais rápida. O aumento do combustível encarece transporte, importação e distribuição, pressionando cadeias inteiras. Ingredientes como vinhos, queijos europeus e frutos do mar já registram reajustes mais frequentes, assim como itens básicos como o trigo, afetados tanto pelo custo logístico quanto pelo cenário global de oferta.
O efeito, que começa no petróleo, percorre toda a cadeia produtiva até chegar ao consumidor final, ampliando a pressão sobre preços em diferentes setores da economia.
“Hoje, a gente trabalha com um nível de incerteza muito maior. O fornecedor manda uma tabela e, em poucos dias, ela já não vale mais”, afirma Ricardo Trevisani, restaurateur e sócio do italiano Ristorantino. “Fica difícil até planejar o cardápio com antecedência.”
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A Cia Tradicional de Comércio, grupo por trás de marcas como Pirajá, Bráz, ICI Brasserie e Lanchonete da Cidade, já percebeu aumento em itens de hortifruti, embora ainda sem grande impacto. A empresa também observa oscilações no custo de fretes marítimos — em alta, como esperado diante do cenário de guerra.
“Temos um comprometimento muito forte com o cliente, então não vamos repassar esse aumento. Vamos absorver, a menos que seja algo muito fora da realidade; nesse caso, trabalharemos com engenharia de cardápio”, diz Marcelo Tanus, diretor de experiência e operação.
Derek Wagner, sócio da Da Mooca Pizza Shop, também aponta para uma pressão crescente nos custos. “Ainda não sentimos o repasse total, mas acredito que isso vai acontecer. E não apenas em produtos importados: com a alta do diesel, é evidente que o frete vai subir, e isso será repassado para nós. Principalmente no caso dos produtos agrícolas, que já vêm sofrendo com o aumento dos fertilizantes, que são importados.”
Diante desse cenário, o maior dilema dos restaurantes é encontrar equilíbrio entre custo e competitividade. Paulo Souza, sócio dos restaurantes NOU e Nouzin, relata que observou um aumento de até 20% em alguns insumos, especialmente hortaliças e proteínas animais.
Ele explica que a estratégia tem sido absorver ao máximo esses reajustes. “Para isso, intensificamos a negociação com fornecedores parceiros, priorizamos o uso de ingredientes sazonais e reforçamos o controle nos processos de preparo e manipulação, reduzindo desperdícios e aumentando a eficiência operacional.”
Dentro desse cenário, um contraponto começa a ganhar forçanesta quinta-feira, 2 de abril: restaurantes que buscam concentrar sua matéria-prima em pequenos produtores locais. A prática, conhecida como farm to table (da fazenda para a mesa), tende a se beneficiar em um cenário de maior instabilidade logística.
Um bom exemplo é o Blaise, localizado no Rosewood São Paulo, único brasileiro com pontuação máxima na certificação Food Made Good. “Nós queremos cada vez mais valorizar o que temos de melhor na nossa região. Nossos legumes são fornecidos por produtores agroecológicos”, conta Fernando Bouzan, chef responsável pela casa.
A sorveteria Walnuts também aposta na valorização de ingredientes brasileiros. Em um cenário de instabilidade cambial, comum em mercados como os Estados Unidos e Europa, esse modelo reduz a exposição a variações externas. “Ingredientes nacionais ajudam a equilibrar custos e reduzir a dependência de insumos sujeitos à volatilidade internacional nos EUA e em outras potências”, resume a sócia Mariana Paschoarelli.
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