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Super Mario Galaxy evidencia novo momento em Hollywood

Publicado 04/04/2026 • 08:00 | Atualizado há 6 horas

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Semanalmente, Michaele Gasparini destrincha um dos principais temas da indústria de mídia na semana. Nada passa despercebido ao olhar da colunista: tudo o que movimenta o mercado e rende milhões de dólares em publicidade nas emissoras de televisão e nas plataformas de streaming estará aqui.

Divulgação

A indústria cinematográfica enfrenta um período de desgaste criativo, marcado pela repetição de fórmulas, dependência de franquias e forte orientação comercial. Nos últimos anos, grandes estúdios passaram a priorizar projetos com potencial de retorno garantido, muitas vezes baseados em propriedades já conhecidas do público. A estratégia reduz riscos financeiros, mas também limita a inovação narrativa e estética, criando um cenário em que a originalidade perde espaço.

Esse movimento não ocorre de forma isolada. Plataformas de streaming, algoritmos de recomendação e métricas de engajamento reforçam a produção de conteúdos previsíveis, moldados por tendências de consumo. Assim, roteiros passam a seguir estruturas já testadas, personagens são construídos com base em arquétipos reconhecíveis e a ousadia criativa acaba deixada de lado. O cinema, que historicamente foi um espaço de experimentação, passa a operar sob lógica semelhante à de outras indústrias de entretenimento.

Dentro desse contexto, adaptações de videogames ganharam força como aposta segura. O público já familiarizado com esses universos garante uma base sólida de espectadores, o que torna esses projetos atraentes para investidores. No entanto, essa transição do jogo para o cinema nem sempre prioriza a construção de uma narrativa cinematográfica consistente, focando mais no reconhecimento imediato do que na qualidade da história.

O filme Super Mario Galaxy exemplifica com clareza esse fenômeno. A produção apresenta uma estrutura que privilegia referências visuais, personagens icônicos e sequências que remetem diretamente ao universo do jogo, mas sem aprofundar conflitos ou desenvolver arcos dramáticos relevantes. O resultado é uma obra que funciona mais como vitrine de marca do que como experiência cinematográfica completa.

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Fica evidente que Super Mario Galaxy foi concebido com o objetivo de impulsionar a venda de brinquedos e produtos licenciados. Elementos visuais são destacados de maneira estratégica, personagens aparecem com design voltado para fácil reprodução em mercadorias e diversas cenas parecem pensadas para se transformar em itens de consumo. Esse direcionamento comercial interfere diretamente na construção narrativa, que se torna fragmentada e funcional.

Esse tipo de abordagem não é novo, mas se intensificou nos últimos anos. O cinema passou a operar como parte de um ecossistema maior de consumo, no qual filmes funcionam como peças de uma engrenagem que envolve brinquedos, jogos, roupas e outros produtos. Nesse modelo, o sucesso de bilheteria não depende apenas da qualidade do filme, mas da capacidade de gerar receitas em diferentes frentes.

Como consequência, o público se depara com produções visualmente impressionantes, porém narrativamente superficiais. A experiência cinematográfica perde densidade, e histórias mais complexas ou autorais encontram dificuldade para ganhar espaço no circuito comercial.

A crise criativa, portanto, não está na falta de ideias, mas na forma como a indústria escolhe desenvolvê-las. Apesar desse cenário, ainda existem iniciativas que buscam romper com esse padrão e resgatar a força criativa do cinema. No entanto, enquanto o modelo de negócios continuar priorizando a expansão de marcas e o consumo associado, casos como o de Super Mario Galaxy tendem a se repetir, reforçando uma lógica em que o filme deixa de ser o produto principal e passa a ser apenas uma parte de uma estratégia comercial mais ampla.

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