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Apesar da guerra no Irã e da crise do petróleo, bolsa brasileira mantém favoritismo e atrai capital estrangeiro
Publicado 03/04/2026 • 20:39 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 03/04/2026 • 20:39 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Conflitos no Oriente Médio, preços voláteis de commodities, campanha eleitoral batendo à porta. Um conjunto de fatores que, naturalmente, fariam os investidores darem as costas para o Brasil tem sido contornado pelo capital estrangeiro. No primeiro trimestre de 2026, a entrada líquida de recursos internacionais em direção ao mercado acionário brasileiro foi R$ 53,83 bilhões, enquanto o volume negociado em março alcançou a marca dos R$ 512,8 bilhões em compras de ativos e R$ 501,1 bilhões em vendas.
O movimento demonstra um aumento na rotação de portfólio, que é um sinal típico de mercados mais líquidos e com maior convicção direcional, segundo os especialistas ouvidos pelo Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC.
“Trata-se do melhor resultado desde 2022, quando o ano cheio registrou R$ 100,82 bilhões. Em outras palavras, em apenas três meses, o estrangeiro já entregou mais de 50% de todo o fluxo daquele ano.”, afirma Einar Rivero, CEO da Elos Ayta.
Só em janeiro, houve um fluxo recorde de investimentos estrangeiros: R$ 26,31 bilhões, superando os R$ 25,47 bilhões aportados ao longo de todo o ano de 2025. O trimestre, no entanto, não foi linear. Fevereiro e março tiveram entradas mais moderada, de R$ 16,09 bilhões e R$ 11,96 bilhões, respectivamente. Ainda de alta, mas com uma desaceleração consecutiva.
Os aportes, entretanto, não ignoram os desafios enfrentados pela economia nacional. Mas, sim, os minimizam diante de um cenário profundamente complexo, no qual o Brasil se destaca. Segundo Breno Falseti, sócio da Rubik Capital, o Brasil tem se beneficiado da convergência de dois movimentos relevantes: um ciclo de realocação de investidores estrangeiros em direção a mercados emergentes e a busca por ativos reais diante da expectativa de enfraquecimento do dólar e fortalecimento das commodities.
“Esses vetores atuaram de forma conjunta e resultaram em uma alocação recorde no país. Os ativos locais apresentavam desconto relevante em relação aos demais emergentes, porém a concentração da bolsa brasileira em empresas de commodities e da chamada ‘velha economia’ fez com que, por alguns anos, o mercado local fosse preterido por investidores globais em favor de bolsas com maior exposição à tecnologia e crescimento”, afirma.
Para ele, é difícil imaginar que o movimento observado nos últimos meses seja apenas passageiro e não parte de uma realocação estrutural. “Vale destacar que o mercado brasileiro ainda se encontra abaixo dos patamares anteriores à crise de 2008. Dada a diferença de liquidez e tamanho entre os mercados, basta uma pequena parcela do portfólio de investidores estrangeiros para gerar valorizações expressivas na bolsa local”, diz.
O especialista lembra que há uma dependência relevante de commodities na composição do nosso mercado. Com isso, em um cenário de queda nos preços desses ativos, a continuidade da alta pode ser limitada.
Já Robson Gonçalves, economista da FGV, afirmou ao programa Fast Money, que defende que outros fatores podem colocar o atual nível de empolgação em xeque. O fato de que a taxa de juros americana está em níveis muito baixos e as decisões repetidas do Fed de mantê-las assim é um elemento estrutural, na visão dele. “Então, tomar dinheiro emprestado nos Estados Unidos ou na Europa para aplicar em ativos de risco em países emergentes é algo que está acontecendo”, diz.
Porém, a coisa pode mudar de figura. “Se houver uma inflexão da política monetária americana, e se espera que ela vá acontecer em algum momento ao longo desse ano, talvez essa tendência esteja pronta para mudar de direção”, afirma.
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