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Crise do petróleo e conflito no Irã mexem com a inflação de países das Américas, Europa e Ásia
Publicado 03/04/2026 • 22:43 | Atualizado há 2 horas
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Publicado 03/04/2026 • 22:43 | Atualizado há 2 horas
KEY POINTS
Foto: Freepik.
EUA x Irã: confronto pode pressionar inflação no Brasil e travar queda dos juros; entenda
Não há quem escape dos efeitos adversos decorrentes da instabilidade nos preços do petróleo. O reflexo mais direto, entretanto, é a inflação: como grande parte da economia mundial depende do petróleo, todos os preços da cadeia econômica passam a encarecer diante dos avanços da cotação do barril.
Nesta semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a continuidade do conflito no Oriente Médio pode levar a inflação mais alta e crescimento global mais lento, ao restringir a oferta de petróleo, gás e fertilizantes do Golfo Pérsico.
Segundo o organismo, o impacto será global, com aumento nos custos de energia e alimentos e efeitos duradouros na economia. Entre 25% e 30% do petróleo mundial e 20% do gás natural liquefeito passam pelo Estreito de Ormuz.
A guerra no Oriente Médio afeta a inflação sobretudo por quatro canais: a alta do petróleo, do diesel e do gás; o encarecimento do frete e dos fertilizantes; a pressão cambial em países importadores de energia; e efeitos de segunda ordem, quando combustível mais caro contamina alimentos, logística e serviços.
“Do ponto de vista de commodities, como o controle do preço não pertence a um país, mas sim a uma flutuação livre, a inflação pode ser oriunda da variação do preço das commodities, diz Beny Fard, sócio da B8 Partners.
O impacto não é homogêneo e cada país deve sentir os reflexos de uma forma diferente. Veja:
O repasse de preços tende a aparecer primeiro nos combustíveis. Depois, vem o frete, os alimentos e alguns preços administrados. Em fevereiro, o mês de início do conflito, o IPCA foi de 0,70%, com alta de 3,81% em 12 meses. Já o IPCA-15 de março ficou em 0,44%, e 3,90% em 12 meses, com a gasolina caindo levemente e o diesel já em alta de 3,77%. Fard afirma que o resultado já preocupa, à medida em que o diesel contamina a cadeia logística.
Para além das prateleiras do mercado, o conflito já pesa na discussão de juros. O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) reduziu a Selic para 14,75% em março, mas a ata mostrou expectativas de inflação de 4,1% para 2026 e 3,8% para 2027. As duas opções estão acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de modo a reduzir a velocidade do afrouxamento monetário.
O economista afirma que o efeito no Brasil tende a ser moderado já que o País produz petróleo, o que ajuda nas exportações e na produtividade da Petrobras. O consumidor , entretanto, é penalizado.
Na nação responsável pelo começo do conflito, os EUA devem ver sua inflação avançar, principalmente, pelo aumento do preço dos combustíveis. Diferente do Brasil, os reajustes por lá são imediatos e diários. No mês de fevereiro, o CPI estava em 2,4% em 12 meses e o núcleo em 2,5%. Já o PCE, a métrica preferida do Fed, marcava em 2,8% em janeiro e o núcleo em 3,1%. Mas o dado que já chegou ao bolso dos americanos foi a bomba de combustível: a gasolina média nacional foi a US$ 3,99 em 30 de março, superando US$ 4 por galão nesta última semana pela primeira vez desde 2022.
A expectativa de corte de juros, por lá, já foi adiada. O Fed manteve a Fed Funds Rate no intervalo de 3,50% a 3,75% em 18 de março, e os dirigentes da instituição vêm dizendo que o choque de energia pode elevar a inflação e reduzir o consumo ao longo de meses. O mercado já passou a ver menos espaço para afrouxamento rápido.
O impacto na Zona do Euro ocorre de forma direta. A inflação anual avançou de 1,9% em fevereiro para 2,5% em março, enquanto a energia passou de -3,1% para +4,9%, segundo a Eurostat. O conflito já interrompeu o processo de desinflação, especialmente via diesel, gás e transporte.
Isso afeta o debate sobre juros na região. O ECB manteve as taxas em março, com depósitos bancários em 2,00%, enquanto o mercado deixou de precificar cortes e passou a considerar possíveis altas caso o choque atinja serviços e salários.
A Europa está entre as regiões mais expostas a um conflito prolongado. O comissário de Energia do bloco, Dan Jørgensen, alertou para um choque “duradouro”.
Na segunda maior economia do mundo, o impacto ocorre, principalmente via custo de energia importada e frete, não por inflação disseminada. Em fevereiro, o CPI do país subiu 1,3% em 12 meses, enquanto o PPI caiu 0,9%, indicando demanda fraca e baixa pressão industrial. A transmissão inflacionária é menor que na Europa, Índia ou Japão.
O banco central, entretanto, mantém postura expansionista. O PBoC reiterou sua política “apropriadamente frouxa”, com LPR de 1 ano em 3,0% e o de 5 anos em 3,5%. Se o conflito diminuir, o impacto tende a ser absorvido. Se persistir, o efeito recai sobre crescimento mais fraco, comércio desacelerado e custos maiores.
A inflação indiana é altamente sensível já que o país é um grande importador de petróleo. O CPI estava em 3,37% em fevereiro, ainda controlado, mas o petróleo mais caro pressiona a inflação, as contas externas e a cotação da rupia. Uma alta de 10% no petróleo pode adicionar cerca de 30 pontos-base à inflação do país, segundo cálculos de especialistas ouvidos pela reportagem.
O Japão enfrenta a maior vulnerabilidade por depender de energia importada e ter um iene fraco. O CPI nacional foi de 1,3% em fevereiro; em Tóquio, o núcleo atingiu 1,7% no mês de março. O Banco do Japão manteve a taxa em torno de 0,75% em março, alertou para possível reaceleração inflacionária e indicou possibilidade de novas altas nos juros básicos.
Para os “hermanos”, o cenário é misto: a inflação vem caindo desde 2024, mas os combustíveis voltaram a subir desde o início das hostilidades. O IPC de fevereiro foi de 2,9% no mês e 33,1% em 12 meses; a gasolina subiu 15% desde fevereiro.
A política monetária argentina segue baseada em agregados e câmbio, com impacto concentrado em preços administrados e expectativas.
O Chile também é um alvo preferencial dos impactos do preço do petróleo à medida em que o país depende da importação de combustíveis. O IPC foi de 0,0% no mês e 2,4% em 12 meses em fevereiro. O diesel já acumula alta de 60%.
O Banco Central do país também manteve a taxa básica de juros em 4,5%, limitando espaço para cortes adicionais.
O país combina ganhos com exportação de petróleo e pressões inflacionárias. A inflação oficial foi de 1,08% no mês de fevereiro e 5,29% no acumulado anual, acima da meta de 3%. O Banco de la República elevou os juros em 100 pontos-base para 11,25% em 31 de março, já prevendo o impacto da guerra.
O impacto no país ainda é moderado, pelo menos por ora. O BCRP mostrou uma inflação de 2,2% em 12 meses em fevereiro, ainda dentro da meta, e o principal aumento recente veio de água e alguns alimentos. A taxa básica de juros do país também foi mantida em 4,25% em março, com menor espaço para cortes futuros.
Em apenas um mês de guerra, os preços da gasolina no México subiram 7,3% e o diesel, 8,7%. Já o preço dos alimentos começou a pressionar os custos logísticos, à medida que o encarecimento do frete contamina desde frutas e verduras até alimentos industrializados.
O peso mexicano, que acumulava meses de apreciação antes do início da guerra, sofreu uma depreciação de 5,1% frente ao dólar em um mês, com o dólar voltando a ser cotado acima de 18 pesos.
“O país é produtor e exportador de petróleo, mas importa mais da metade da gasolina que consome, além do querosene de aviação. Enquanto o México teve, durante o conflito no mês de março, um ganho na exportação por um preço do barril do petróleo 52,7% acima do previsto pelo governo para 2026, mas a estrutura econômica do país limita esse benefício”, afirma Leandro Manzoni, analista de economia da InfoEconomics.
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