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Petróleo Brent sobe 7% com escalada de Trump contra o Irã e bloqueio no Estreito de Ormuz

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Crise do petróleo e conflito no Irã mexem com a inflação de países das Américas, Europa e Ásia

Publicado 03/04/2026 • 22:43 | Atualizado há 2 horas

KEY POINTS

  • O Fundo Monetário Internacional alerta que a continuidade do conflito no Oriente Médio pode gerar inflação mais elevada e desaceleração do crescimento global
  • O impacto inflacionário ocorre por múltiplos canais: aumento de combustíveis, frete e fertilizantes, pressão cambial em países importadores e efeitos indiretos sobre alimentos, logística e serviços
  • A alta do petróleo afeta toda a economia global ao encarecer cadeias produtivas inteiras, pressionando diretamente a inflação em diversos setores
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Foto: Freepik.

EUA x Irã: confronto pode pressionar inflação no Brasil e travar queda dos juros; entenda

Não há quem escape dos efeitos adversos decorrentes da instabilidade nos preços do petróleo. O reflexo mais direto, entretanto, é a inflação: como grande parte da economia mundial depende do petróleo, todos os preços da cadeia econômica passam a encarecer diante dos avanços da cotação do barril.

Nesta semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou que a continuidade do conflito no Oriente Médio pode levar a inflação mais alta e crescimento global mais lento, ao restringir a oferta de petróleo, gás e fertilizantes do Golfo Pérsico.

Segundo o organismo, o impacto será global, com aumento nos custos de energia e alimentos e efeitos duradouros na economia. Entre 25% e 30% do petróleo mundial e 20% do gás natural liquefeito passam pelo Estreito de Ormuz.

A guerra no Oriente Médio afeta a inflação sobretudo por quatro canais: a alta do petróleo, do diesel e do gás; o encarecimento do frete e dos fertilizantes; a pressão cambial em países importadores de energia; e efeitos de segunda ordem, quando combustível mais caro contamina alimentos, logística e serviços.

“Do ponto de vista de commodities, como o controle do preço não pertence a um país, mas sim a uma flutuação livre, a inflação pode ser oriunda da variação do preço das commodities, diz Beny Fard, sócio da B8 Partners.

O impacto não é homogêneo e cada país deve sentir os reflexos de uma forma diferente. Veja:

Brasil

O repasse de preços tende a aparecer primeiro nos combustíveis. Depois, vem o frete, os alimentos e alguns preços administrados. Em fevereiro, o mês de início do conflito, o IPCA foi de 0,70%, com alta de 3,81% em 12 meses. Já o IPCA-15 de março ficou em 0,44%, e 3,90% em 12 meses, com a gasolina caindo levemente e o diesel já em alta de 3,77%. Fard afirma que o resultado já preocupa, à medida em que o diesel contamina a cadeia logística.

Para além das prateleiras do mercado, o conflito já pesa na discussão de juros. O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) reduziu a Selic para 14,75% em março, mas a ata mostrou expectativas de inflação de 4,1% para 2026 e 3,8% para 2027. As duas opções estão acima da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de modo a reduzir a velocidade do afrouxamento monetário.

O economista afirma que o efeito no Brasil tende a ser moderado já que o País produz petróleo, o que ajuda nas exportações e na produtividade da Petrobras. O consumidor , entretanto, é penalizado.

EUA

Na nação responsável pelo começo do conflito, os EUA devem ver sua inflação avançar, principalmente, pelo aumento do preço dos combustíveis. Diferente do Brasil, os reajustes por lá são imediatos e diários. No mês de fevereiro, o CPI estava em 2,4% em 12 meses e o núcleo em 2,5%. Já o PCE, a métrica preferida do Fed, marcava em 2,8% em janeiro e o núcleo em 3,1%. Mas o dado que já chegou ao bolso dos americanos foi a bomba de combustível: a gasolina média nacional foi a US$ 3,99 em 30 de março, superando US$ 4 por galão nesta última semana pela primeira vez desde 2022.

A expectativa de corte de juros, por lá, já foi adiada. O Fed manteve a Fed Funds Rate no intervalo de 3,50% a 3,75% em 18 de março, e os dirigentes da instituição vêm dizendo que o choque de energia pode elevar a inflação e reduzir o consumo ao longo de meses. O mercado já passou a ver menos espaço para afrouxamento rápido.

União Europeia

O impacto na Zona do Euro ocorre de forma direta. A inflação anual avançou de 1,9% em fevereiro para 2,5% em março, enquanto a energia passou de -3,1% para +4,9%, segundo a Eurostat. O conflito já interrompeu o processo de desinflação, especialmente via diesel, gás e transporte.

Isso afeta o debate sobre juros na região. O ECB manteve as taxas em março, com depósitos bancários em 2,00%, enquanto o mercado deixou de precificar cortes e passou a considerar possíveis altas caso o choque atinja serviços e salários.

A Europa está entre as regiões mais expostas a um conflito prolongado. O comissário de Energia do bloco, Dan Jørgensen, alertou para um choque “duradouro”.

China

Na segunda maior economia do mundo, o impacto ocorre, principalmente via custo de energia importada e frete, não por inflação disseminada. Em fevereiro, o CPI do país subiu 1,3% em 12 meses, enquanto o PPI caiu 0,9%, indicando demanda fraca e baixa pressão industrial. A transmissão inflacionária é menor que na Europa, Índia ou Japão.

O banco central, entretanto, mantém postura expansionista. O PBoC reiterou sua política “apropriadamente frouxa”, com LPR de 1 ano em 3,0% e o de 5 anos em 3,5%. Se o conflito diminuir, o impacto tende a ser absorvido. Se persistir, o efeito recai sobre crescimento mais fraco, comércio desacelerado e custos maiores.

Índia

A inflação indiana é altamente sensível já que o país é um grande importador de petróleo. O CPI estava em 3,37% em fevereiro, ainda controlado, mas o petróleo mais caro pressiona a inflação, as contas externas e a cotação da rupia. Uma alta de 10% no petróleo pode adicionar cerca de 30 pontos-base à inflação do país, segundo cálculos de especialistas ouvidos pela reportagem.

Japão

O Japão enfrenta a maior vulnerabilidade por depender de energia importada e ter um iene fraco. O CPI nacional foi de 1,3% em fevereiro; em Tóquio, o núcleo atingiu 1,7% no mês de março. O Banco do Japão manteve a taxa em torno de 0,75% em março, alertou para possível reaceleração inflacionária e indicou possibilidade de novas altas nos juros básicos.

Argentina

Para os “hermanos”, o cenário é misto: a inflação vem caindo desde 2024, mas os combustíveis voltaram a subir desde o início das hostilidades. O IPC de fevereiro foi de 2,9% no mês e 33,1% em 12 meses; a gasolina subiu 15% desde fevereiro.

A política monetária argentina segue baseada em agregados e câmbio, com impacto concentrado em preços administrados e expectativas.

Chile

O Chile também é um alvo preferencial dos impactos do preço do petróleo à medida em que o país depende da importação de combustíveis. O IPC foi de 0,0% no mês e 2,4% em 12 meses em fevereiro. O diesel já acumula alta de 60%.

O Banco Central do país também manteve a taxa básica de juros em 4,5%, limitando espaço para cortes adicionais.

Colômbia

O país combina ganhos com exportação de petróleo e pressões inflacionárias. A inflação oficial foi de 1,08% no mês de fevereiro e 5,29% no acumulado anual, acima da meta de 3%. O Banco de la República elevou os juros em 100 pontos-base para 11,25% em 31 de março, já prevendo o impacto da guerra.

Peru

O impacto no país ainda é moderado, pelo menos por ora. O BCRP mostrou uma inflação de 2,2% em 12 meses em fevereiro, ainda dentro da meta, e o principal aumento recente veio de água e alguns alimentos. A taxa básica de juros do país também foi mantida em 4,25% em março, com menor espaço para cortes futuros.

México

Em apenas um mês de guerra, os preços da gasolina no México subiram 7,3% e o diesel, 8,7%. Já o preço dos alimentos começou a pressionar os custos logísticos, à medida que o encarecimento do frete contamina desde frutas e verduras até alimentos industrializados.

O peso mexicano, que acumulava meses de apreciação antes do início da guerra, sofreu uma depreciação de 5,1% frente ao dólar em um mês, com o dólar voltando a ser cotado acima de 18 pesos.

“O país é produtor e exportador de petróleo, mas importa mais da metade da gasolina que consome, além do querosene de aviação. Enquanto o México teve, durante o conflito no mês de março, um ganho na exportação por um preço do barril do petróleo 52,7% acima do previsto pelo governo para 2026, mas a estrutura econômica do país limita esse benefício”, afirma Leandro Manzoni, analista de economia da InfoEconomics.

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