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CNBCPreços do petróleo disparam após Trump alertar o Irã para que abra o Estreito de Ormuz até terça-feira ou enfrentará o ‘inferno’

Conflito no Oriente Médio

Ultimato de Trump ao Irã e sinais de um possível acordo mantêm investidores em alerta

Publicado 06/04/2026 • 08:26 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • Trump prometeu levar o “inferno” ao Irã caso o Estreito de Hormuz não seja reaberto até terça-feira, às 20h (horário da Costa Leste dos EUA).
  • Ele também afirmou que havia uma “boa chance” de um acordo ser fechado até segunda-feira.
  • Os sinais contraditórios obrigaram os investidores a se posicionar diante de cenários bastante divergentes.
  • Mas, segundo analistas, mesmo um avanço diplomático pode não trazer alívio rápido aos mercados.

Mark Schiefelbein / AP / Estadão Conteúdo

O presidente norte-americano Donald Trump

Investidores estão divididos entre se posicionar para um acordo rápido que encerre a guerra e uma escalada significativa que poderia elevar ainda mais os preços do petróleo e os rendimentos dos títulos públicos, no início de uma semana de negociações com liquidez reduzida devido ao feriado.

O presidente Donald Trump emitiu, no domingo, um ultimato com linguagem agressiva, advertindo que o Irã estaria “vivendo no inferno” caso o Estreito de Ormuz não fosse reaberto até terça-feira, às 19h (horário de Brasília). Ele declarou a data como “Dia da Usina de Energia e Dia da Ponte, tudo em um só”.

Separadamente, em entrevista à Fox News no domingo, Trump afirmou estar esperançoso de que havia uma “boa chance” de um acordo ser alcançado até segunda-feira.

Leia também: Presidente do Parlamento do Irã alerta Trump que ‘toda a região vai queimar’

Os sinais conflitantes configuram uma semana em que investidores são forçados a se preparar para desfechos diametralmente opostos.

Enquanto isso, o Irã rejeitou as mais recentes ameaças de Trump, afirmando que a via marítima estratégica só seria totalmente reaberta após Teerã ser compensada pelos danos causados pela guerra. O país continuou realizando ataques no Golfo ao longo do fim de semana, incluindo contra a sede da companhia de petróleo do Kuwait.

“Os mercados estão tensos, pois o tempo está se esgotando e os desfechos são binários — trégua ou escalada”, disse Rob Subbaraman, chefe de pesquisa macro global do Nomura. Ainda assim, segundo ele, o tom de Trump sugere um certo senso de urgência na Casa Branca para encerrar a guerra, enquanto investidores seguem ajustando posições para “proteger-se do risco de escalada”.

Trump tem oscilado entre classificar as negociações com o Irã como produtivas, com um acordo de paz iminente, e alertar que está preparado para intensificar a ação militar contra a República Islâmica. Ele já prorrogou repetidamente o prazo para que o Irã reabra o Estreito de Ormuz.

A comunicação ambígua levou a volatilidade nos mercados, acompanhada por oscilações nos preços do petróleo. O S&P 500 avançou 3,4% na semana passada, registrando seu melhor desempenho semanal desde novembro, à medida que investidores aproveitaram a queda para comprar ativos na expectativa de uma solução diplomática. O índice de volatilidade Cboe (VIX) subiu de menos de 20 antes da guerra para cerca de 24 na semana passada.

“O tom escalatório de Trump [no fim de semana] está muito alinhado com seu manual de atuação: orientado por manchetes, imprevisível e projetado para aplicar pressão máxima rapidamente”, disse Mohit Mirpuri, gestor de fundo de ações da SGMC Capital.

“Os mercados terão de se acostumar com esse estilo de formulação de políticas enquanto ele estiver no cargo”, acrescentou Mirpuri.

Riscos de estagflação no horizonte

A guerra, que já dura um mês, e o bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz ameaçam lançar o mundo em uma das mais severas crises energéticas da história. E mesmo um avanço diplomático pode não trazer alívio imediato aos mercados, segundo analistas.

O petróleo Brent subiu para US$ 109,77 por barril na segunda-feira, cerca de 50% acima do nível registrado quando a guerra começou, em 28 de fevereiro. O West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, avançou 66% e era negociado a US$ 111,20 às 23h (horário da Costa Leste).

Apesar de uma leve recuperação nos últimos dias, o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz — por onde transitavam, antes da guerra, quase um quarto do petróleo transportado por via marítima no mundo e um quinto do gás natural liquefeito — permanecia 95% abaixo dos níveis pré-guerra.

“Mesmo em um cenário em que o Estreito de Ormuz permaneça aberto, o dano à confiança e às cadeias de suprimentos já foi feito — as coisas não simplesmente voltam ao normal”, afirmou Mirpuri. “Os mercados provavelmente continuarão sensíveis às manchetes, com movimentos bruscos em ambas as direções conforme as narrativas mudam.”

A decisão da Opep+ no domingo de elevar as cotas de produção em 206 mil barris por dia para maio teria impacto limitado na recomposição da oferta, já que a guerra restringiu a produção e os embarques de alguns dos maiores produtores mundiais de petróleo.

A guerra já “durou tempo suficiente para gerar picos relevantes de inflação ao redor do mundo”, disse Subbaraman, alertando que, “se houver escalada a partir daqui, o choque inflacionário pode rapidamente se transformar em choque de crescimento, com destruição de demanda e estagflação aberta”.

Títulos públicos: risco subestimado

O mercado de renda fixa vem, de forma silenciosa, reprecificando as expectativas de inflação. O rendimento do Treasury de 10 anos subiu para 4,362% na segunda-feira, ante 3,962% antes do início do conflito, permanecendo próximo dos níveis mais altos desde meados de 2025, à medida que investidores reduziram as apostas em cortes de juros pelo Federal Reserve neste ano.

“Um dos riscos mais relevantes e ainda subestimados é o movimento nos rendimentos dos títulos públicos”, afirmou Mirpuri. “Se esse choque geopolítico se traduzir em expectativas inflacionárias persistentes, os rendimentos podem voltar a subir, apertando as condições financeiras em um momento em que os mercados já estão fragilizados.”

O estrategista de Wall Street Ed Yardeni disse que o mercado de renda fixa tem reprecificado os títulos do governo para refletir a deterioração acelerada das perspectivas de inflação, com os chamados “vigilantes dos títulos” assumindo o controle e endurecendo as condições de crédito.

“Agora não podemos descartar um mercado de baixa e até mesmo uma recessão. Tudo depende de quanto tempo o estreito permanecerá fechado”, alertou Yardeni, apontando para o aprofundamento das dificuldades econômicas decorrentes da interrupção nos fluxos globais de energia.


Volatilidade guiada por manchete

Enquanto investidores aguardam o prazo de terça-feira, espera-se que os mercados permaneçam altamente voláteis, tentando interpretar cada sinal vindo de Washington e de Teerã.

Os mercados do Japão e da Coreia do Sul subiram na segunda-feira após o Axios informar que Estados Unidos, Irã e um grupo de mediadores regionais discutiam os termos de um possível cessar-fogo de 45 dias que poderia levar ao fim permanente da guerra. A reportagem, contudo, destacou que as chances de se alcançar um acordo parcial antes do prazo eram reduzidas. Já os principais índices da Índia operavam em queda.

“Estamos em um mercado orientado por eventos, no qual o risco de manchetes domina os movimentos intradiários, e o posicionamento precisa considerar desfechos binários”, disse Hiroki Shimazu, estrategista-chefe da MCP Asset Management.

Ele avalia que ambas as partes tendem a buscar uma desescalada mediada por Omã, na forma de “uma redução discreta no ritmo dos ataques”, em vez de uma resolução decisiva. “Estamos em uma fase de impasse prolongado, e não nos aproximando de uma solução clara”, afirmou Shimazu, prevendo um período estendido de volatilidade nas próximas semanas.

Investidores também aguardam uma série de dados econômicos relevantes nos Estados Unidos nesta semana. O índice de despesas de consumo pessoal (PCE) de fevereiro — indicador de inflação preferido do Fed — será divulgado na quinta-feira e deve oferecer uma primeira leitura sobre se o choque do petróleo está sendo repassado aos preços na maior economia do mundo.

O ouro à vista, que recuou cerca de 12% desde o início da guerra, para US$ 4.672,03 por onça, também enfrenta forças opostas entre a demanda por ativos de proteção e os ventos contrários geopolíticos decorrentes de um dólar mais forte e dos rendimentos mais altos dos Treasuries. A valorização do dólar torna o metal, cotado na moeda norte-americana, menos acessível a detentores de outras divisas, enquanto rendimentos mais elevados reduzem a atratividade de um ativo que não paga juros.

“A incerteza de curto prazo é claramente muito elevada e, para a maioria dos investidores, neste momento, trata-se apenas de esperar e observar”, disse Chetan Seth, estrategista de ações para a região Ásia-Pacífico do Nomura.

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