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Conflito no Oriente Médio

Negociações em Islamabad começam com 25 pontos de divergência entre EUA e Irã

Publicado 11/04/2026 • 09:58 | Atualizado há 3 horas

KEY POINTS

  • EUA propõem plano de 15 pontos centrado no urânio enriquecido e na reabertura do Estreito de Ormuz nas negociações em Islamabad.
  • Irã responde com plano de 10 pontos e exige controle do Estreito de Ormuz, fim das operações militares e levantamento de sanções.
  • Teerã condiciona início das negociações em Islamabad a cessar-fogo no Líbano, onde Israel segue com ataques ao Hezbollah.
JD Vance e Shehbaz Sharif em Islamabad neste sábado (11)

Foto por - / PAKISTAN'S PRIME MINISTER OFFICE

As negociações entre Estados Unidos e Irã em Islamabad começam com uma distância considerável entre as partes. Washington e Teerã chegaram ao Paquistão com propostas que somam 25 pontos e divergem em praticamente todos eles, do programa nuclear iraniano ao controle do Estreito de Ormuz, passando pelo impasse sobre o Líbano.

O encontro é o desdobramento direto de um cessar-fogo de duas semanas acordado em 8 de abril, mediado pelo Paquistão, após cinco semanas de conflito que deixaram mais de 3.000 mortos no Irã. A trégua expira em 22 de abril, o que coloca pressão sobre as duas delegações para avançar rapidamente.

Leia também: Delegações de EUA e Irã chegam a Islamabad; negociações sobre conflito começam hoje

Guerra que antecedeu as conversas

O caminho até Islamabad foi aberto pela força. Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram ataques coordenados que mataram o líder supremo Ali Khamenei e destruíram parte da infraestrutura militar e nuclear iraniana.

O Irã reagiu fechando o Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de um quinto de todo o petróleo e gás consumidos no mundo. O bloqueio derrubou mercados, disparou os preços de energia e desorganizou cadeias de suprimento globais. Mais de 3.000 pessoas morreram no Irã nas cinco semanas de conflito, segundo a imprensa iraniana e a organização americana de direitos humanos HRANA.

Propostas em choque

O plano americano, de 15 pontos, concentra-se no urânio enriquecido iraniano e na reabertura do Estreito de Ormuz. O Irã respondeu com um plano próprio de 10 pontos, no qual exige controle sobre o estreito, cobrança de pedágio para embarcações que cruzem a passagem, encerramento de todas as operações militares regionais e o levantamento integral das sanções impostas ao país.

Teerã também se recusa a fazer concessões sobre o programa nuclear, posição mantida ao longo de anos de negociações com o Ocidente. A combinação dos dois planos resulta em 25 pontos de divergência antes mesmo de as conversas começarem.

Líbano como obstáculo

O Líbano complica ainda mais o quadro. Israel seguiu com ataques ao Hezbollah no país mesmo após o cessar-fogo entrar em vigor, e o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu rejeitou a afirmação do primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif de que a trégua incluía o território libanês.

O vice-presidente americano JD Vance adotou tom mais moderado, sugerindo que pode ter havido um “mal-entendido legítimo” por parte do Irã sobre a inclusão do Líbano no cessar-fogo. Já o presidente iraniano Masoud Pezeshkian foi direto: afirmou, pelo X, que os ataques israelenses ao Líbano tornavam as negociações “sem sentido”.

Fontes iranianas indicaram à imprensa local que Teerã não participará das conversas enquanto não houver cessar-fogo em vigor no Líbano. A emissora estatal iraniana IRIB reiterou a posição ao confirmar a chegada da delegação a Islamabad.

Paquistão no centro da mediação

A escolha de Islamabad como sede não foi por acaso. O Paquistão construiu ao longo de décadas uma rede diplomática que poucos países conseguem replicar.

O Irã foi o primeiro país a reconhecer a independência paquistanesa, em 1947. Os dois países compartilham uma fronteira de 900 quilômetros e laços históricos, culturais e religiosos profundos. O Paquistão abriga mais de 20 milhões de muçulmanos xiitas, a segunda maior população do gênero no mundo, atrás apenas do próprio Irã.

Ao mesmo tempo, Islamabad mantém relações próximas com Washington, Riad e Pequim. O chanceler Ishaq Dar esteve em Pequim no fim de março para reunião com o chanceler chinês Wang Yi, que apoiou os esforços de mediação paquistaneses como algo “alinhado aos interesses comuns de todas as partes”.

Trump afirmou que a China ajudou a trazer o Irã à mesa de negociações. Um alto funcionário paquistanês familiarizado com as tratativas foi além: “Na noite do cessar-fogo, as esperanças estavam se esvaindo, mas a China interveio e convenceu o Irã a aceitar uma trégua preliminar.”

Formato e negociadores

As conversas em Islamabad devem ser indiretas: as duas delegações ficarão em salas separadas, com diplomatas paquistaneses fazendo a ponte entre elas. O formato replica o modelo utilizado nas rodadas anteriores mediadas por Omã.

A capital foi colocada em estado de alerta. O governo não confirmou o local exato das reuniões, mas o Serena Hotel, vizinho ao Ministério das Relações Exteriores na Zona Vermelha de alta segurança, pediu que seus hóspedes desocupassem os quartos na quarta-feira. As autoridades decretaram feriado de dois dias na quinta e na sexta. As ruas de Islamabad estão tomadas por militares armados, com desvios de trânsito e postos de controle policial em operação.

Pelo lado americano, a delegação é liderada pelo vice-presidente Vance, acompanhado pelo enviado especial Steve Witkoff e pelo genro de Trump, Jared Kushner. É o engajamento americano de mais alto nível com o Irã desde que o secretário de Estado John Kerry negociou o acordo nuclear de 2015. Witkoff já havia conduzido múltiplas rodadas de conversas mediadas por Omã com o chanceler iraniano Abbas Araghchi antes de o conflito interromper o processo.

O Irã enviou o próprio Araghchi e o presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, além de outros oficiais das áreas de segurança e economia. O Paquistão pediu que as partes se engajem de forma construtiva e reafirmou o desejo de continuar facilitando as negociações rumo a uma solução duradoura para o conflito.

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