Autistas adultos e qualidade de vida
Publicado 02/04/2025 • 09:41 | Atualizado há 3 dias
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Publicado 02/04/2025 • 09:41 | Atualizado há 3 dias
Pixabay
A inclusão e o respeito à neurodiversidade são fundamentais para garantir autonomia e bem-estar aos autistas adultos.
A qualidade de vida de adultos autistas é um tema que exige um olhar amplo e multidisciplinar. Apesar dos avanços no reconhecimento e diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA), a sociedade ainda impõe barreiras estruturais e atitudinais que afetam a autonomia e o bem-estar dessas pessoas.
Questões como empregabilidade, acesso à saúde mental, relações sociais e respeito à neurodiversidade impactam diretamente a qualidade de vida dessa população. Muitos são os desafios enfrentados por autistas adultos, as consequências do capacitismo estrutural e as estratégias que podem promover uma inclusão social mais eficaz.
O capacitismo, entendido como a discriminação contra pessoas com deficiência, permeia diversas esferas da vida adulta de pessoas autistas. Como destaca o estudo de Cesconetto et al. (2023), a sociedade tende a infantilizar indivíduos no espectro, dificultando sua autodeterminação e perpetuando estereótipos de incapacidade. Além disso, a ausência de representatividade adequada na mídia e na esfera acadêmica reforça a invisibilização dos desafios enfrentados por essa população.
A dificuldade de diagnóstico na fase adulta é outro fator limitante. Muitos adultos autistas fazem parte da chamada “geração perdida”, identificada por Lai e Baron-Cohen (2015), que cresceram sem um diagnóstico adequado devido à visão restritiva do autismo até a inclusão do conceito de espectro nos manuais diagnósticos.
O diagnóstico tardio pode impactar negativamente a autoestima, como demonstrado pelo estudo de Nogueira et al. (2024), que identificou uma correlação entre o diagnóstico e a melhora na percepção de si, especialmente quando acompanhado de suporte social adequado.
A inserção no mercado de trabalho é uma das maiores dificuldades enfrentadas por adultos autistas. Segundo Talarico et al. (2019), há uma carência de políticas públicas e estratégias organizacionais voltadas para a inclusão de trabalhadores neurodivergentes. A falta de adaptações nos ambientes laborais e o desconhecimento sobre as particularidades do TEA contribuem para altas taxas de desemprego e subemprego entre essa população.
Além disso, autistas frequentemente enfrentam dificuldades na educação superior, como apontado por Souza et al. (2023). Embora o acesso às universidades tenha se ampliado, a falta de treinamento docente e a escassez de suporte acadêmico adequado tornam a permanência desses estudantes um grande desafio.
A inclusão efetiva de autistas adultos requer uma mudança de paradigma. Algumas abordagens terapêuticas, como a Terapia Comportamental Dialética Orientada para a Receptividade (RO-DBT) e a Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), têm demonstrado benefícios para autistas adultos, ajudando no manejo das dificuldades emocionais e sociais associadas ao TEA.
Além da abordagem terapêutica individual, são necessárias mudanças estruturais que promovam ambientes mais acessíveis. A implementação de políticas de inclusão no mercado de trabalho, como flexibilização de horários e adaptações sensoriais, é essencial para garantir que autistas possam desenvolver suas carreiras sem sofrer com sobrecarga ou burnout.
No âmbito social, é imprescindível a desconstrução de estereótipos que associam o autismo exclusivamente a déficits. O estudo de Alves e Maia (2024) evidencia que a forma como a sociedade enxerga o autismo influencia diretamente as oportunidades de inclusão. A adoção de uma perspectiva baseada na neurodiversidade pode contribuir para a construção de um ambiente mais acolhedor e respeitoso.
A qualidade de vida de adultos autistas não depende exclusivamente de fatores individuais, mas sim de uma rede de suporte que inclua acesso a oportunidades, respeito à autonomia e desconstrução do capacitismo.
O reconhecimento da diversidade dentro do espectro autista, aliado à implementação de políticas inclusivas, pode garantir que esses indivíduos tenham não apenas seus direitos respeitados, mas também suas potencialidades valorizadas.
A sociedade tem um papel crucial na construção de um futuro em que a neurodiversidade seja compreendida e celebrada. A promoção de ambientes mais acessíveis e respeitosos não apenas melhora a qualidade de vida de autistas adultos, mas também contribui para uma sociedade mais justa e equitativa para todos.
Bianca Machado - Psicóloga - CRP 05/42506
A Dra. Bianca Machado é especializada no atendimento de adolescentes e adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Possui doutorado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), com foco em TEA na adolescência e vida adulta. Ela é diretora do Serviço de Psicologia do Instituto Integração no Espectro e utiliza abordagens como Terapia Comportamental Dialética (RO-DBT), Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT), Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares (EMDR) e Análise do Comportamento Aplicada (ABA) em suas intervenções.
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