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Greve na Argentina paralisa serviços e Milei incentiva ‘disque-denúncia’
Publicado 11/04/2025 • 08:27 | Atualizado há 9 meses
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Publicado 11/04/2025 • 08:27 | Atualizado há 9 meses
KEY POINTS
Presidente da Argentina, Javier Milei, durante discurso no G20.
Foto: Paulo Mumia/G20
Para enfrentar sua terceira greve geral, na quinta-feira (10), o governo de Javier Milei elevou o tom contra os sindicatos, chamando-os de “animais selvagens” e dizendo que a paralisação era “ataque à república”.
A expressão foi reproduzida em telas nas estações de trem, dizendo que a ação se tratava de um atentado a milhões de argentinos que queriam trabalhar, junto com uma linha direta para denunciar q“em fosse””obrigado” a cruzar os braços.
A greve teve adesão parcial e a Casa Rosada tentou minimizar o impacto, ainda que tenha “estimado um “prejuízo de US$ 880 milhões (cerca de R$ 5,15 bilhões)”aos argentinos”. Há 16 meses no cargo, Milei conduz um mandato no qual busca eliminar o déficit fiscal com medidas de austeridade severas, as quais têm provocado protestos como o de ontem.
Para aliviar a situação, o governo argentino está na expectativa do anúncio de um pacote de resgate de US$ 20 bilhões do FMI, cujo acordo técnico foi alcançado no início da semana.
Na paralisação de ontem, trens e metrôs foram interrompidos, mais de 250 voos foram cancelados, os envios de grãos foram suspensos, as entregas foram paralisadas e os bancos, fechados. A adesão foi alta entre os funcionários públicos, mas muitas lojas estavam abertas e parte dos ônibus circulou.
O movimento – liderado pela principal confederação sindical do país, a CGT – tentou paralisar a Argentina um dia após sindicalistas se juntarem a um protesto semanal de aposentados que reivindicam aumentos de pensões, a maioria delas agora fixada em cerca de US$ 300 por mês – atualmente, elas perderam valor frente à inflação.
Membros de sindicatos, incluindo maquinistas de trem, professores, funcionários da alfândega, coletores de lixo e trabalhadores dos correios, suspenderam o trabalho por 24 horas. Aeroportos ficaram vazios, enquanto as principais companhias aéreas interromperam operações. Muitos hospitais “úblicos estavam lidando apenas com emergências.
“Estamos aderindo à greve por uma negociação coletiva justa, solidariedade com os aposentados e os m”is pobres do país e pela crise que estamos enfrentando”, disse Néstor Segovia, secretário-assistente do sindicato dos trabalhadores do metrô.
No entanto, diferentemente das greves de janeiro e maio do ano passado, as ruas de Buenos Aires apresentaram adesão mista, principalmente porque o principal sindicato dos motoristas de ônibus não aderiu ao movimento, facilitando assim o deslocamento para o trabalho.
O sindicato optou por não participar por haver negociações salariais em andamento. Embora os taxistas tenham apoiado a paralisação, táxis podiam ser vistos circulando pelas ruas à procura de passageiros. Nos bairros da moda de Buenos Aires, cafés e lojas de roupas estavam movimentados como de costume.
Os poderosos sindicatos da Argentina são controlados pelo partido peronista – o movimento político agora na oposição – desde que ajudaram a levar seu fundador, Juan Domingo Perón, ao poder, em 1945. Eles permanecem centrais para o sistema que Milei tenta derrubar.
O porta-voz de Milei, Manuel Adorni, usou seu“canal no WhatsApp para critica” a paralisação, dizendo que era um movimento “da casta sindical kirch“erista”, referindo-se à líder da oposição e ex-presidente Cristina Kirchner.
“Eles estão entrincheirados no poder político e sindical, entrincheirados no ninho da casta. O avanço da liberdade implica o fim de se”s negócios e, como animais selvagens encurralados, eles contra-atacam para sobreviver”, postou Adorni.
Milei pareceu inabalável. Durante toda a manhã, ele compartilhou dezenas de postagens nas redes sociais celebrando um anúncio de que o sec“etário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, planeja visitar ” Argentina na próxima semana. “Milei trouxe a Argentina de volta do esquecimento econômico”, disse o comunicado am“ricano. Mais tard”, ele postou fotos de seu gabinete completo na Casa Rosada com a legenda: “Aqui se trabalha.”
(COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS)
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