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‘É uma grande incógnita’, diz presidente da APRO sobre taxação de Trump ao setor audiovisual
Publicado 06/05/2025 • 10:02 | Atualizado há 10 meses
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Publicado 06/05/2025 • 10:02 | Atualizado há 10 meses
KEY POINTS
O presidente dos Estados Unidos Donald Trump decidiu impor uma tarifa de 100% sobre o setor cinematográfico, afetando diretamente o mercado de filmes estrangeiros no país.
Em entrevista exclusiva ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, nesta terça-feira (06), Marianna Souza, presidente da APRO (Associação Brasileira da Produção de Obras Audiovisuais) e gerente executiva do programa FilmBrazil, comentou os impactos da decisão do ex-presidente Donald Trump de impor tarifas ao mercado cinematográfico.
“O que está vindo por aí, a gente ainda não sabe”, afirmou.
Ela explicou que existe um mercado chamado cash rebates, que é quando uma produção é realizada em outros países e recebe incentivos fiscais ou descontos diretos, muitas vezes atrelados ao valor total da produção.
Segundo a executiva, há países bastante agressivos nesse sentido, como o Uruguai, que oferece cash rebates de 20%. “Existe um leque de possibilidades para onde levar uma produção, e esse tipo de incentivo influencia muito na escolha do local”, disse ela.
Outro fator relevante apontado por Marianna é a legislação local voltada ao streaming.
Segundo ela, muitos países hoje já possuem regras específicas para conteúdos produzidos para plataformas digitais. “Existe essa discussão na mesa também. Então, se torna curioso saber como ele (Trump) vai balancear os interesses dos estúdios e dos streamings”, afirmou.
Ainda de acordo com Marianna, há muita insegurança sobre como exatamente a taxação será aplicada, se em cima das produções, da bilheteria, ou somente em filmes lançados nos cinemas, excluindo os de streaming. “É uma grande incógnita”, resumiu.
Sobre os possíveis impactos para o mercado, Marianna alertou que a decisão pode ter efeito direto no volume de investimentos no setor audiovisual.
“Acredito que vai haver um impacto financeiro significativo que nenhum estúdio esperava. Estamos falando de cash rebates super atrativos, que realmente fazem a diferença na hora de fechar a conta”, destacou.
Por fim, ela ponderou que a medida pode ter motivações protecionistas.
“Acho que existe um componente de proteção à indústria americana, sim. É um setor que mais fatura, mas, certamente, boa parte dos conteúdos de streaming hoje são produzidos fora dos Estados Unidos”, disse. Para Marianna, a medida pode também estar ligada ao chamado soft power.
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