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A moda brasileira descobre o valor comercial de ser brasileira
Publicado 04/09/2026 • 12:15 | Atualizado há 2 semanas
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Publicado 04/09/2026 • 12:15 | Atualizado há 2 semanas
A moda brasileira começa a encontrar espaço no exterior sem precisar neutralizar aquilo que revela sua origem. Cor, estampa, leveza, referências culturais e um lifestyle associado ao país começam a participar não apenas da construção de imagem, mas também da estratégia comercial de algumas marcas.
É com essa proposta que a Dress To desembarca em Paris entre 5 e 7 de setembro para participar da Who’s Next Paris, feira profissional que reúne cerca de 900 marcas francesas e internacionais na Paris Expo Porte de Versailles.
A marca chega à Europa depois de acelerar sua operação nos Estados Unidos, onde já está presente em mais de 300 pontos de venda em 38 estados, além de manter estrutura própria em Miami e atender compradores como Nordstrom, Shopbop e Hampden.
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Os números ajudam a dimensionar esse movimento.
A Dress To faturou R$ 300 milhões em 2025 e hoje quase 8% de sua receita já vem do mercado internacional. Para 2026, a expectativa é alcançar aproximadamente R$ 30 milhões fora do Brasil.
Nos Estados Unidos, a companhia estabeleceu uma meta ainda mais ambiciosa: chegar a US$ 30 milhões em faturamento até 2030, cinco vezes a receita internacional projetada para este ano.
A operação americana ganhou escala a partir de 2024, quando a Dress To participou da Coterie, em Nova York. Com um estande de apenas quatro metros quadrados, saiu da feira com cerca de 60 pedidos e clientes como a Shopbop.
A resposta comercial levou à criação de uma estrutura própria em Miami e, em 2025, à abertura da primeira loja da marca no país. Hoje, a operação americana conta com cerca de 20 funcionários.
O caminho escolhido também reduz uma das barreiras da internacionalização da moda: o investimento necessário para ganhar território. A Dress To cresceu principalmente por meio de multimarcas, utilizando compradores e varejistas locais para ampliar sua distribuição antes de aumentar a estrutura própria.
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Siga o Times | CNBCAlém dos Estados Unidos, seus produtos já são comercializados em mercados como Canadá, Portugal, Espanha, Itália, Líbano, Chile, Argentina e México.
Existe um componente menos financeiro e igualmente estratégico nessa expansão.
Segundo Rodrigo Braga, CEO e cofundador da Dress To, a origem brasileira passou a ser percebida como diferencial pelo consumidor americano.
“Hoje, a gente está entregando brasilidade. O americano identifica isso na nossa marca. Vê que é um produto autoral, diferente, e isso está sendo muito valorizado.”
Em um mercado internacional com enorme oferta de produto, ter uma linguagem imediatamente identificável ajuda uma marca a disputar a atenção de compradores. A questão deixa de ser apenas conseguir vender fora do Brasil e passa a incluir o que uma empresa brasileira tem de particular para oferecer quando chega lá.
A participação na Who’s Next abre agora uma nova frente. A intenção é encontrar compradores e parceiros e avaliar o potencial de uma distribuição mais ampla na Europa.
“Paris representa uma oportunidade importante para ampliarmos as conexões internacionais da Dress To e entendermos de perto o potencial do mercado europeu”, afirma Thati Amorim, fundadora e diretora criativa da marca.
A Dress To chega a Paris em uma posição diferente daquela que ocupava quando montou seu pequeno estande em Nova York em 2024. Já existe faturamento internacional, distribuição relevante, estrutura própria nos Estados Unidos e uma meta definida de crescimento.
Agora, a companhia começa a testar se a fórmula que encontrou espaço no mercado americano também pode avançar na Europa.
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