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Após Lei Magnitsky, equipe de Vorcaro avaliou adiar evento com Moraes em Londres; Banco Master era patrocinador do encontro

Publicado 16/10/2026 • 12:40 | Atualizado há 45 minutos

KEY POINTS

  • Equipe de Daniel Vorcaro discutiu adiar evento em Londres com Alexandre de Moraes após sanções dos Estados Unidos contra o ministro do STF.
  • Mensagens mostram que Viviane Barci de Moraes participou das conversas sobre a programação do encontro, que tinha patrocínio do Banco Master.
  • Vorcaro pediu a retirada de seu nome da divulgação diante do receio de repercussões políticas e financeiras. O evento acabou cancelado.
Moraes

Márcio Gustavo Vasconcelos/Wikimedia Commons (CC0) e Isac Nóbrega/PR (CC BY 2.0)

Mensagens da PF mostram a cronologia de encontros e pedidos de Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes desde dezembro de 2023.

A equipe de comunicação do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, discutiu o adiamento de um evento jurídico em Londres, que teria a participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A preocupação surgiu após o governo dos Estados Unidos anunciar sanções contra o magistrado, em julho de 2025, com base na Lei Magnitsky.

O encontro estava previsto para agosto daquele ano e contava com patrocínio do Banco Master. Conversas realizadas por celular mostram que os organizadores passaram a avaliar os riscos de manter a programação diante das possíveis repercussões políticas e financeiras das medidas americanas.

Em uma mensagem enviada em 31 de julho, Ana Matos, então responsável pela Comunicação e Marketing do banco, alertou Vorcaro sobre a possibilidade de cancelamentos. “Detalhe – os primeiros ministros devem cancelar se não dermos certeza de que o ministro não vai tocar no assunto EUA. Tenso aqui com eles”, escreveu.

Segundo o jornal Estado de S. Paulo, Moraes participava das articulações relacionadas a eventos privados organizados pelo banqueiro no exterior. O ministro costumava encaminhar convites e sugerir convidados.

Equipe avaliou alternativas para o encontro

Nas conversas, Ana Matos relatou ter discutido a programação com Viviane Barci de Moraes, advogada e esposa do ministro. Segundo a então executiva, alterações já haviam sido feitas para permitir a realização do encontro. “Passei o dia aqui com Vivi Moraes e o ministro fechando o programa do evento. Eles alteraram bastante coisa, mas está ficando bom”, afirmou.

A funcionária também mencionou preocupação com os efeitos do patrocínio sobre uma negociação envolvendo o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). Diante do cenário, Vorcaro pediu que seu nome fosse retirado do evento e que a divulgação fosse adiada. A possibilidade discutida pela equipe era manter apenas o Grupo Voto e o escritório de advocacia de Walfrido Warde como responsáveis pela organização.

“Acho que pode ser a melhor saída. Tirar seu nome e deixar ela e o Voto enviarem a programação”, respondeu Ana Matos. O encontro, no entanto, acabou cancelado.

Leia também: Moraes discutiu ADPF das Favelas com cúpula da PF em reunião reservada que causou mal-estar no STF

Sanções aumentaram pressão sobre organizadores

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Em 1º de agosto, a equipe voltou a discutir a situação. Nas mensagens, Ana Matos afirmou que a participação de Moraes poderia provocar a desistência de outras autoridades brasileiras convidadas.

A então executiva chegou a sugerir que Viviane Barci apresentasse ao ministro a possibilidade de adiamento. “Vivi disse que me liga até as 15h”, registrou em uma das conversas.

O receio estava relacionado às sanções anunciadas pelo governo de Donald Trump em 30 de julho de 2025. A Lei Magnitsky permite aos Estados Unidos impor restrições financeiras e de entrada no país a estrangeiros acusados de corrupção ou graves violações de direitos humanos.

Na ocasião, o governo americano acusou Moraes de promover uma perseguição política contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus apoiadores. O ministro rejeitou as acusações e classificou as medidas como resultado de uma “farsa montada”, motivada por interesses político-eleitorais.

Investigação também aponta contratos com escritório de Viviane

Além das conversas sobre o evento, a investigação da Polícia Federal identificou relações contratuais entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes.

De acordo com os registros, um dos contratos previa o pagamento de R$ 131 milhões por serviços jurídicos. Os investigadores também encontraram outro contrato, no valor de R$ 50 milhões, associado ao escritório.

As apurações apontaram ainda que Vorcaro consultou Moraes sobre uma possível fuga do Brasil e solicitou uma interferência do ministro junto ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, para tentar barrar o avanço das investigações.

Moraes nega ter trocado mensagens com o banqueiro e afirma ser alvo de acusações falsas.

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