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Moraes discutiu ADPF das Favelas com cúpula da PF em reunião reservada que causou mal-estar no STF
Publicado 15/10/2026 • 09:49 | Atualizado há 42 minutos
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Publicado 15/10/2026 • 09:49 | Atualizado há 42 minutos
KEY POINTS
O planejamento de novas operações da Polícia Federal no Rio de Janeiro, com possíveis desdobramentos sobre autoridades políticas do estado, foi o assunto de uma reunião reservada entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, em 6 de outubro de 2026.
O encontro, realizado fora da agenda oficial, provocou apreensão entre integrantes da Corte e alimentou suspeitas sobre possíveis discussões relacionadas ao caso Banco Master e ao inquérito das fake news. Em meio à tensão, o ministro Luiz Fux solicitou acesso integral aos documentos sigilosos dessa última investigação, mas teve o pedido negado pelo presidente do tribunal, Edson Fachin.
Além de Andrei Rodrigues, participaram da reunião Dennis Cali, diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado, e Leandro Almada, responsável pela área de Inteligência da PF. A presença dos dirigentes, que ocupam postos estratégicos na estrutura da corporação, contribuiu para os questionamentos sobre o alcance das discussões.
Segundo Malu Gaspar, do Globo, o encontro teve como pauta exclusiva a preparação de diligências relacionadas à Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 635, conhecida como “ADPF das Favelas”. As medidas estariam previstas para depois do segundo turno das eleições, marcado para 25 de outubro.
Leia também: Crise no STF: suspeita sobre reunião de Moraes com cúpula da PF motivou Fux a pedir acesso ao inquérito das fake news
A ADPF das Favelas estabelece parâmetros para a atuação das forças de segurança em comunidades do Rio de Janeiro. Apresentada pelo Partido Socialista Brasileiro (PSB) em 2019, a ação ganhou projeção em 2020, quando o então relator, Edson Fachin, restringiu operações policiais durante a pandemia de Covid-19.
Alexandre de Moraes assumiu a relatoria em outubro de 2025, após Fachin chegar à presidência do STF. O processo voltou ao centro das discussões depois da Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, que deixou 122 mortos. Diante da repercussão, Moraes determinou que a Polícia Federal aprofundasse investigações sobre os mecanismos financeiros utilizados por organizações criminosas no estado.
Entre as possibilidades consideradas para as próximas etapas estão apurações sobre lavagem de dinheiro, redes de apoio ao crime organizado e eventuais vínculos com agentes públicos.
Nesse cenário, as investigações poderiam atingir figuras políticas como o governador Cláudio Castro (PL), o ex-secretário de Educação Rodrigo Bacellar (União Brasil) e o deputado estadual TH Joias (MDB), envolvido em apurações sobre relações com o Comando Vermelho. A expectativa de novas diligências após as eleições é apontada como o motivo central da conversa entre Moraes e os dirigentes da PF.
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Siga o Times | CNBCO Supremo atravessa um período de tensão provocado pelos desdobramentos do caso Banco Master, que envolve o banqueiro Daniel Vorcaro e investigações sobre mensagens, contatos e contratos relacionados a integrantes da Corte. As apurações trouxeram referências aos ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques, intensificando os questionamentos sobre as relações entre representantes do sistema financeiro e autoridades do Judiciário.
Nesse ambiente, ministros próximos a André Mendonça, relator do caso Banco Master, passaram a considerar a possibilidade de que a reunião também estivesse relacionada a movimentações internas envolvendo o inquérito das fake news. Uma das interpretações nos bastidores foi a de que o encontro poderia ter ligação com uma eventual tentativa de influenciar a condução do procedimento, anteriormente relatado por Moraes e atualmente sob responsabilidade de Edson Fachin.
A repercussão do encontro coincidiu com um movimento do ministro Luiz Fux, que solicitou acesso à íntegra dos autos e relatórios sigilosos do inquérito das fake news.
Aberta em 2019, a investigação busca apurar ataques, ameaças e a disseminação de informações falsas contra integrantes do Supremo. O procedimento ficou sob a relatoria de Alexandre de Moraes até 9 de setembro de 2026, quando passou para Edson Fachin.
O presidente do STF negou o pedido de Fux sob a justificativa de que ainda existem diligências sigilosas em andamento. Fachin, entretanto, sinalizou a possibilidade de arquivamento definitivo do inquérito.
Outro fator que contribuiu para a repercussão foi a ausência de registro público da reunião entre Moraes e a direção da Polícia Federal.
Embora encontros entre magistrados e autoridades policiais possam ocorrer no acompanhamento de investigações e na execução de decisões judiciais, a falta de informações sobre o compromisso gerou questionamentos em razão do momento de tensão vivido pela Corte.
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