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Às vésperas do segundo turno, benefícios anunciados por Lula somam quase R$ 300 bilhões em 2026

Publicado 16/10/2026 • 09:37 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Benefícios e medidas econômicas anunciados pelo governo Lula movimentam R$ 298,4 bilhões em 2026, segundo levantamento da IFI do Senado.
  • Com a proximidade das eleições, o governo intensificou os anúncios de programas sociais, crédito subsidiado e propostas que podem elevar os custos a partir de 2027.
  • A IFI alerta para os desafios fiscais diante da dívida pública de 82,9% do PIB e aponta a necessidade de maior controle dos gastos.

Foto: Ricardo Stuckert

Em meio à disputa eleitoral de 2026, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou uma série de benefícios e medidas econômicas que já mobilizam R$ 298,4 bilhões neste ano. O valor consta de levantamento da Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão vinculado ao Senado, que alerta para os efeitos das iniciativas sobre as contas públicas em um cenário de endividamento elevado.

O estudo reúne programas sociais, financiamentos subsidiados, incentivos fiscais e medidas para reduzir custos à população. Nem todo o montante representa despesa direta do governo, já que parte dos recursos corresponde a empréstimos que deverão ser devolvidos pelos beneficiários.

Crédito concentra a maior parte dos recursos

Do total identificado, R$ 185,7 bilhões estão relacionados a operações financeiras, como financiamentos para a compra de automóveis, crédito para a classe média e ampliação do Minha Casa, Minha Vida.

Segundo o Globo, embora esses valores retornem gradualmente aos cofres públicos, os juros reduzidos oferecidos em algumas operações representam subsídios indiretos. Segundo a IFI, o custo estimado dessas condições especiais chega a R$ 10,2 bilhões em 2026, calculado a valor presente.

O levantamento também considera medidas financiadas com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).

Entre as ações com impacto direto sobre o orçamento estão a ampliação da isenção do Imposto de Renda, o programa Agora Tem Especialistas, que envolve parcerias com hospitais privados, e os subsídios aos combustíveis adotados diante da alta dos preços relacionada à guerra no Oriente Médio.

Leia também: Custo fiscal: benefícios anunciados por Lula de olho na reeleição chegam a R$ 354 bilhões

Novas propostas podem aumentar os custos

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O ritmo dos anúncios se intensificou com a aproximação das eleições e aumentou após o primeiro turno, no qual Flávio Bolsonaro terminou à frente.

Entre as propostas mais recentes está a criação de tarifa zero no transporte coletivo aos fins de semana. O governo prevê encaminhar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) para viabilizar a medida, cujo custo é estimado entre R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões por interlocutores do Executivo. Outros cálculos apontam valores entre R$ 5 bilhões e R$ 12 bilhões.

Outra iniciativa é a ampliação do limite de faturamento dos microempreendedores individuais (MEIs), aprovada pelo Senado. A estimativa mencionada no levantamento é de impacto de R$ 81 milhões em 2026, podendo alcançar R$ 8,1 bilhões nos três anos seguintes.

O reajuste do Bolsa Família e o fim das apostas na terceira versão do Desenrola também estão entre as medidas anunciadas pelo governo.

IFI alerta para crescimento da dívida pública

Para o diretor da IFI, Alexandre Seijas, o conjunto de benefícios aumenta a necessidade de um ajuste fiscal mais consistente. Segundo ele, as contas públicas apresentam deterioração gradual, embora não haja indicação de uma crise iminente.

A dívida pública brasileira alcança 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB). Pelos cálculos da instituição, seria necessário um superávit primário equivalente a 2,1% do PIB para estabilizar o endividamento. Esse resultado exige que o governo arrecade mais do que gasta, sem considerar os juros da dívida.

A IFI também aponta a necessidade de controlar o crescimento das despesas obrigatórias, revisar renúncias fiscais e ampliar a transparência dos subsídios concedidos em programas de crédito. A avaliação do órgão é que a expansão dos benefícios, embora tenha diferentes formas de financiamento, aumenta os desafios para o equilíbrio das contas públicas nos próximos anos.

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