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Acareação do Banco Master: Daniel Vorcaro admite controle “macro”, mas nega crime em venda de R$ 12,2 bilhões ao BRB

Publicado 29/01/2026 • 20:37 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Em um depoimento tenso e detalhado, o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, apresentou sua defesa diante das acusações de que teria fraudado o sistema financeiro ao vender carteiras de crédito inexistentes ao Banco de Brasília (BRB).
  • Durante a acareação conduzida pela Polícia Federal, Vorcaro admitiu que a estratégia de captação do banco dependia em 70% das operações com a empresa Tirreno, mas alegou que as irregularidades documentais foram tratadas como questões administrativas, e não criminosas.
  • O centro da investigação é a emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) no valor de R$ 12,2 bilhões.

Em um depoimento tenso e detalhado, o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, apresentou sua defesa diante das acusações de que teria fraudado o sistema financeiro ao vender carteiras de crédito inexistentes ao Banco de Brasília (BRB).

Durante a acareação conduzida pela Polícia Federal, Vorcaro admitiu que a estratégia de captação do banco dependia em 70% das operações com a empresa Tirreno, mas alegou que as irregularidades documentais foram tratadas como questões administrativas, e não criminosas.

O centro da investigação é a emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) no valor de R$ 12,2 bilhões. A Polícia Federal sustenta que o Master emitiu esses títulos executivos sem que os créditos reais existissem. Vorcaro rebateu: “Para você trazer um crédito para dentro de uma instituição financeira, tem um rito. E esse rito, parte desse rito é a emissão de uma CCB. Agora, tanto o negócio não foi concretizado, que a gente não registrou nem o prêmio”.

A “Conta Transitória” e a Ausência de Prejuízo

Vorcaro utilizou como principal argumento de defesa a existência de uma conta transitória (ou conta reserva) para onde os recursos do BRB teriam sido destinados. Segundo o banqueiro, o fato de o banco não ter registrado o lucro da operação (o prêmio) em seu balanço oficial seria a prova de que a transação ainda estava em fase de validação. “A contabilização não ter sido feita com a receita e não ter sido apurado o prêmio pelo banco é a maior prova que a gente esperava, a operação não se concretizou”, afirmou.

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O empresário insistiu que, para haver crime, seria necessário um prejuízo financeiro, o que ele nega ter ocorrido. Ele argumentou que o BRB não perdeu dinheiro porque os ativos foram posteriormente trocados por outros bens, como carteiras do banco digital Will Bank.

Vorcaro declarou: “Se o cara fez algum processo formal errado, se emitiu a CCB, se fez não sei o quê, são coisas administrativas que o Banco Central poderia ter tratado. Não precisávamos estar aqui”.

Dependência da Tirreno e Falhas de Compliance

A investigação da PF questionou como uma empresa recém-criada, a Tirreno, conseguiu gerar R$ 4 bilhões em créditos em apenas quatro meses. Vorcaro admitiu que a Tirreno se tornou o pilar central da nova estratégia de liquidez do Master após o fechamento de outras fontes de captação.

Ele justificou a confiança no negócio com base na reputação do sócio da empresa, Henrique Peretto, que possui décadas de experiência no mercado de crédito consignado.

Aspecto da OperaçãoDescrição de Daniel VorcaroVisão da Investigação (PF/BC)
Origem dos CréditosOriginadores terceiros (Tirreno)Créditos inexistentes e fraudados
Volume NegociadoPlano de execução de portfóliosImpossibilidade técnica de geração
Risco Operacional“O risco final é o cliente na ponta”Falta de lastro e documentação básica
Gestão de Liquidez70% concentrado na nova estratégiaMascaramento de crise de solvência

Apesar de alegar que o banco possuía estruturas de gestão de riscos e compliance, chefiadas pelos diretores Luiz Antônio Bum e Ângelo Férex, Vorcaro reconheceu que não dominava os detalhes técnicos do consignado. Ele afirmou que o banco agiu com zelo ao interromper a liberação de recursos quando os vices documentais foram identificados em maio, executando uma cláusula de gatilho para desfazer parte do negócio.

Escrutínio do Banco Central e Pressão Reputacional

Um ponto recorrente no depoimento foi a reclamação de Vorcaro sobre a fiscalização do Banco Central (BC), que, segundo ele, auditava o Master diariamente. O banqueiro negou que o banco estivesse insolvente, classificando a situação como uma crise de liquidez pontual gerada por “pressão reputacional” e mudanças regulatórias.

“O banco nunca deixou de honrar nenhum pagamento e nunca deixou de ser solvente. O que existia, realmente, a gente estava trabalhando num nível de liquidez inferior aos índices normais”, explicou aos investigadores.

A defesa de Vorcaro enfatizou que ele sempre esteve sob vigilância constante e que seus bens estão devidamente declarados. Ele refutou a tese de que os recursos do BRB foram usados para fins ilícitos, afirmando que vendeu ativos pessoais e da holding para manter a saúde do banco. Segundo ele, a operação com o banco público era vista como um “bom negócio para o sistema” por auditores, visando a expansão da competitividade no mercado financeiro nacional.

Conflitos de Versão com o Ex-Presidente do BRB

A acareação foi marcada pelo confronto direto com Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Enquanto Costa afirmou que o BRB acreditava comprar créditos “recomprados” pelo Master (o que daria maior garantia), Vorcaro negou essa informação.

Ele reiterou que sempre deixou claro tratar-se de créditos de terceiros. Essa divergência é fundamental para definir se o BRB foi enganado ou se foi conivente com a operação para socorrer o Master.

Ao final, Vorcaro manteve a postura de que as falhas foram meramente procedimentais e operacionais. O inquérito agora aguarda a conclusão da perícia nos sistemas do banco para verificar se as CCBs de R$ 12,2 bilhões tinham qualquer lastro real ou se foram apenas ferramentas de engenharia financeira para gerar caixa imediato.

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