CNBC

CNBCJaguar lança carro elétrico de US$ 130 mil dois anos após rebranding polêmico

Notícias do Brasil

Bancos veem espaço para queda da Selic, mas inadimplência segue como risco para a economia

Publicado 07/10/2026 • 15:15 | Atualizado há 52 minutos

KEY POINTS

  • Eduardo Velho avalia que há espaço para novos cortes da Selic e para a continuidade da redução dos juros ao longo de 2027.
  • O economista afirma que os bancos já estão diminuindo a oferta de crédito diante da inadimplência elevada, dos juros altos e do maior endividamento.
  • Para Velho, o desempenho da economia em 2027 dependerá de um ajuste fiscal rápido e de um cenário internacional sem deterioração mais intensa.

A maioria dos bancos brasileiros acredita que a taxa básica de juros ainda pode cair neste ano, mas o ambiente de crédito continua exigindo atenção. Levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) mostra que 70% das instituições esperam uma Selic menor até o fim do período, enquanto 20% projetam dois cortes de 0,25 ponto percentual.

Ao mesmo tempo, os bancos elevaram de 5,8% para 6,1% a estimativa de inadimplência para o encerramento do ano. A combinação entre juros ainda elevados, endividamento das famílias e desaceleração gradual da atividade tem levado as instituições financeiras a adotar maior cautela na concessão de crédito.

Em entrevista à Times Brasil Licenciado Exclusivo – CNBC, Eduardo Velho, sócio e economista-chefe da Equador Investimentos, avaliou que há condições para a continuidade do ciclo de redução dos juros, desde que o ambiente fiscal doméstico e o cenário internacional não apresentem deterioração mais forte.

Inflação abre espaço para novos cortes, diz economista

Segundo Velho, a mudança no horizonte considerado pelo Banco Central para a convergência da inflação à meta ampliou a margem para reduções da Selic. Na avaliação dele, as projeções de inflação para os próximos anos mostram trajetória de desaceleração, ainda que permaneçam acima do centro da meta no curto prazo.

“O ponto central é que a inflação estimada pelo modelo do Banco Central está realmente próxima da meta central, está abaixo de 3,5% olhando para 2028. Então há espaço para queda de juros”, afirmou.

O economista considera provável que a Selic recue para 13,25% e continue em trajetória descendente ao longo de 2027. Esse movimento, porém, dependerá também da condução das contas públicas pelo próximo governo.

Na avaliação de Velho, uma sinalização fiscal mais consistente poderia reduzir a percepção de risco, favorecer a queda dos juros futuros e melhorar as condições de financiamento para empresas e consumidores.

Leia também: Mercado vai cobrar medidas concretas após disparada do Ibovespa, diz João Henrique da Fonseca, diretor executivo da Azul Wealth Management

Inadimplência elevada já afeta oferta de crédito

O aumento da inadimplência aparece como um dos principais sinais de enfraquecimento da economia no curto prazo. Segundo o economista, as instituições financeiras já vêm respondendo ao cenário com critérios mais rígidos para a concessão de empréstimos.

“Os bancos estão disponibilizando menos crédito, estão desacelerando a oferta de crédito na economia”, disse.

Ele relaciona esse comportamento aos juros elevados, ao maior nível de endividamento e à perda de fôlego da renda disponível. A redução do crédito pode limitar o consumo e os investimentos, mas, segundo Velho, ainda não há elementos suficientes para apontar uma recessão.

“A dimensão dessa desaceleração não configura, na minha avaliação e nas nossas previsões aqui, uma recessão”, afirmou.

Para ele, a economia pode registrar crescimento próximo de zero em algum trimestre, mas a combinação de juros menores e melhora das condições financeiras poderia permitir uma recuperação posterior.

Agro enfrenta endividamento e pode demandar renegociação

Entre os setores que exigem maior acompanhamento está o agronegócio. Bancos com exposição mais elevada ao segmento têm demonstrado preocupação com a capacidade de pagamento de produtores e empresas do setor.

Velho avalia que movimentos de renegociação de dívidas agrícolas não seriam incomuns em um ambiente de juros elevados. Segundo ele, períodos prolongados de aperto monetário tendem a aumentar a pressão por alongamento de prazos e crédito em condições mais favoráveis.

“O problema é o endividamento. Não vou negar, é um problema que sempre acontece no período quase terminal do ciclo de alta de juros”, disse.

O economista considera possível que o próximo governo adote medidas específicas para reorganizar passivos no setor. Para ele, no entanto, uma melhora mais duradoura dependeria de mudanças fiscais capazes de reduzir estruturalmente o custo do dinheiro no país.

Clima pode voltar a pressionar preços de alimentos

Além da situação financeira do agronegócio, Velho chamou atenção para os possíveis efeitos climáticos sobre a inflação de alimentos.

Times Brasil - CNBC

Siga o Times | CNBC no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo.

Siga o Times | CNBC

Na avaliação do economista, fenômenos como o El Niño e alterações nas condições climáticas podem elevar preços no fim deste ano e no início do próximo, com impacto sobre os índices de inflação.

Ele considera que esse risco pode estar sendo subestimado nas projeções atuais do mercado. Uma alta mais forte dos alimentos poderia dificultar a velocidade da redução dos juros, mesmo em um cenário de desaceleração econômica.

Juros dos Estados Unidos são risco para países emergentes

No ambiente externo, Velho apontou os rendimentos dos títulos públicos norte-americanos de médio e longo prazo como uma das principais fontes de incerteza. Taxas mais altas nos Estados Unidos tornam os ativos daquele país mais atraentes e podem reduzir o fluxo de recursos para mercados emergentes, como o Brasil.

“Isso realmente é muito perigoso porque aumenta a atratividade do fluxo de capitais para os Estados Unidos e reduz, de certa maneira, a atratividade do fluxo de capitais para o Brasil”, afirmou.

O economista também citou a possibilidade de manutenção dos preços do petróleo em níveis elevados e os efeitos desse movimento sobre a inflação norte-americana. Em um cenário desse tipo, o Federal Reserve poderia encontrar maior dificuldade para reduzir os juros.

Outro risco mencionado foi uma eventual correção mais intensa no mercado acionário dos Estados Unidos, com potencial de provocar efeitos sobre outras economias.

Brasil está menos vulnerável ao petróleo do que no passado

Apesar dos riscos internacionais, Velho considera que a economia brasileira apresenta algumas diferenças em relação a períodos anteriores de choques externos.

Uma delas é a posição do país no mercado de petróleo. O Brasil ampliou sua produção e suas exportações nas últimas décadas e, por isso, uma alta das cotações internacionais também pode elevar receitas externas e fiscais.

Esse quadro contrasta com períodos em que o país dependia mais das importações do produto e era diretamente prejudicado por aumentos de preços.

Na avaliação do economista, o comportamento recente do câmbio também indica que, até agora, as incertezas políticas e externas não provocaram uma desorganização significativa dos mercados locais.

Indústria segue pressionada por juros e baixa atratividade dos investimentos

A indústria aparece entre os segmentos mais sensíveis ao ciclo de juros altos. O setor depende de financiamento de prazo mais longo, o que aumenta o impacto de taxas elevadas sobre novos investimentos.

“Os números da indústria estão vindo piores no ciclo de alta de juros em que nós estamos”, afirmou Velho.

Segundo ele, o setor também enfrenta dificuldades relacionadas à competitividade e ao nível do câmbio. Em contrapartida, as exportações de commodities funcionam como uma fonte adicional de receitas externas para a economia brasileira.

O economista avalia que uma queda dos juros futuros seria especialmente relevante para a indústria, porque poderia baratear o crédito destinado à expansão da capacidade produtiva e à modernização de empresas.

Ajuste fiscal é visto como condição para recuperação em 2027

Na avaliação de Velho, a condução da política fiscal será determinante para o desempenho da economia a partir de 2027.

Ele considera que o novo governo, independentemente de quem assuma a Presidência, precisará apresentar medidas capazes de estabilizar as contas públicas e reduzir incertezas já nos primeiros meses de mandato.

“O governo, logo que assumir, tem que mostrar para que veio. Vai ter que adotar medidas que sinalizem a queda de juros, a estabilização da inflação e a retomada do crescimento”, disse.

Para o economista, a combinação entre ajuste fiscal, redução gradual da Selic e ausência de uma crise externa mais severa poderia abrir espaço para melhora da atividade na segunda metade de 2027.

📌 ONDE ASSISTIR AO MAIOR CANAL DE NEGÓCIOS DO MUNDO NO BRASIL:


🔷 Canal 562 ClaroTV+ | Canal 562 Sky | Canal 592 Vivo | Canal 187 Oi | Operadoras regionais

🔷 TV SINAL ABERTO: parabólicas canal 562

🔷 ONLINE: www.timesbrasil.com.br | YouTube

🔷 FAST Channels: Samsung TV Plus, LG Channels, TCL Channels, Pluto TV, Roku, Zapping | Novos Streamings

Siga o Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC no

MAIS EM Notícias do Brasil