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Brasil pode ampliar papel em terras raras, mas precisa acelerar projetos, diz country manager da Hatch Brasil Bruno Vartuli
Publicado 28/09/2026 • 18:45 | Atualizado há 34 minutos
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Publicado 28/09/2026 • 18:45 | Atualizado há 34 minutos
KEY POINTS
A reorganização das cadeias globais de suprimento e a disputa por minerais estratégicos abrem espaço para o Brasil ampliar participação em projetos de mineração, mas exigem maior velocidade de execução e redução de incertezas para investidores. É o que avaliou Bruno Vartuli, Country Manager da Hatch Brasil e Diretor Regional de Ferrous and Light Metals para a América do Sul.
Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Vartuli disse que o país parte de uma posição favorável por já possuir uma indústria mineral consolidada e reservas relevantes. O desafio, segundo ele, é transformar esse potencial em projetos operacionais em prazos muito menores do que os historicamente praticados pelo setor.
“O Brasil tem uma história de mineração muito grande, muito forte, muito consolidada. Então, o Brasil já tem uma indústria formada de mineração”, afirmou.
Leia também: Nova política busca aumentar produção de minerais críticos no Brasil
Para o executivo, o próximo passo é combinar essa base com tecnologia, capital e uma estrutura capaz de aproximar investidores, inovação e mercado consumidor.
Vartuli afirmou que a disputa entre grandes economias por matérias-primas estratégicas aumentou a importância do Brasil dentro das novas cadeias globais.
Segundo ele, o movimento de reorganização dos fornecedores já está levando empresas a buscar alternativas locais ou redundantes, além de rever centros de pesquisa e estruturas de suprimento.
“Já existe uma reorganização mundial para suportar esse mercado”, disse.
O executivo avaliou que o Brasil pode se beneficiar desse processo, mas precisa avançar na articulação entre os diferentes participantes da cadeia.
Como referência, Vartuli citou o modelo canadense, que, segundo ele, aproxima inovação, investidores, empresas e mercado final em torno dos projetos.
Um dos principais desafios está no tempo necessário para transformar uma reserva mineral em produção.
“Quando a gente fala de um projeto usual de mineração, nós estamos falando de 10 a 15 anos, talvez, para materializar um investimento”, afirmou.
Segundo Vartuli, a pressão atual é para reduzir esse prazo de forma significativa.
“A gente agora está falando em cinco anos para um projeto de terras raras”, disse.
O executivo ressaltou que essa aceleração precisa ocorrer em meio a etapas como licenciamento, engenharia, implantação e formação da cadeia de fornecedores.
Questionado sobre quando novos projetos brasileiros poderiam efetivamente chegar ao mercado, Vartuli afirmou que alguns dos empreendimentos mais avançados trabalham com início de produção em meados de 2028.
“Os projetos que estão mais avançados hoje estão falando em produção em torno de junho, julho de 2028, que já é um desafio muito grande”, afirmou.
Na avaliação dele, outros projetos podem entrar no mercado entre 2028 e 2030.
Além do prazo de implantação, Vartuli apontou a disponibilidade de recursos como um dos principais riscos para os grandes projetos.
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Siga o Times | CNBCSegundo ele, equipamentos já são um gargalo para mineração e indústria, enquanto a oferta de tecnologia depende da criação de estruturas adequadas para permitir escala.
No Brasil, a mão de obra aparece como outra restrição.
“A gente tem visto a dificuldade, especialmente no caso do Brasil, de profissionais qualificados. Isso é uma dor do setor, uma dor do mercado”, afirmou.
Para o executivo, empresas precisam se aproximar de escolas técnicas, instituições de ensino e universidades para formar profissionais mais conectados às necessidades operacionais do setor.
Vartuli também afirmou que a diversificação das cadeias de suprimentos precisa ser feita sem comprometer a competitividade dos projetos.
“Se a gente estiver atraindo, agregando custo num processo de suprimentos, nós não estamos fazendo uma cadeia resiliente”, disse.
Segundo ele, desenvolver fornecedores locais, ampliar o acesso à tecnologia e estimular inovação aberta são caminhos para reduzir riscos sem transformar a reorganização das cadeias em aumento permanente de custos.
O executivo defendeu ainda mais compartilhamento de soluções entre empresas que enfrentam gargalos semelhantes.
Na avaliação de Vartuli, a inteligência artificial já começa a mudar também a engenharia e a gestão de grandes projetos.
Ele afirmou que o setor já utiliza simulações e ferramentas avançadas há anos, mas que a velocidade atual de desenvolvimento tecnológico elevou o potencial de automação.
“A velocidade se tornou completamente fora do que a gente estava acostumado”, afirmou.
Na Hatch, segundo ele, ferramentas de IA têm sido aplicadas em análise de dados, consistência de projetos, gestão de obras, contratos e automação de relatórios.
Para Vartuli, a dimensão dessa transformação se aproxima mais da Revolução Industrial do que da expansão da internet nos anos 1990.
Leia também: USA Rare Earth conclui compra da Serra Verde e assume única mina comercial de terras raras do Brasil
Ao avaliar o ambiente regulatório brasileiro, Vartuli afirmou que mudanças recentes representam avanço, mas disse que a próxima etapa será transformar novas regras em procedimentos claros.
“O que a gente não pode é criar um ambiente de insegurança, de incerteza para o investidor que está com muito apetite para investir no Brasil”, afirmou.
Segundo o executivo, o país precisa reduzir dúvidas sobre sua capacidade de execução e sobre a velocidade com que os projetos podem sair do papel.
Para ele, a combinação entre potencial mineral, reorganização geopolítica e demanda crescente cria uma oportunidade relevante para o Brasil, mas essa janela dependerá da capacidade de acelerar investimentos sem aumentar riscos regulatórios e operacionais.
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