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USA Rare Earth conclui compra da Serra Verde e assume única mina comercial de terras raras do Brasil

Publicado 04/09/2026 • 16:47 | Atualizado há 20 minutos

KEY POINTS

  • Serra Verde é atualmente a única operação de terras raras em produção comercial no Brasil e começou a produzir em Minaçu, em 2024.
  • Governo dos EUA já comprometeu US$ 750 milhões em estrutura ligada à compra da produção da mineradora.
  • USA Rare Earth pretende integrar a extração em Goiás às suas operações de processamento, produção de metais, ligas e ímãs fora da Ásia.
Serra Verde

Foto: Divulgação/ SVPM

Serra Verde já tem contrato de 15 anos: o que isso garante para os EUA

A USA Rare Earth concluiu a aquisição da brasileira Serra Verde, dona da mina de terras raras Pela Ema, em Minaçu (GO), em uma transação avaliada em cerca de US$ 2,8 bilhões. A conclusão ocorreu na quinta-feira (3) e foi anunciada pela companhia americana nesta sexta-feira (4).

Com o fechamento, a USA Rare Earth passa a controlar a única operação de terras raras atualmente em produção comercial no Brasil, segundo o Centro de Tecnologia Mineral, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. A Serra Verde também é descrita pela compradora como a única produtora em escala, fora da Ásia, dos quatro elementos de terras raras magnéticos. 

O negócio havia sido anunciado em abril, em meio à corrida dos Estados Unidos e de outros países ocidentais para reduzir a dependência da China no fornecimento e processamento de minerais críticos. A operação foi estruturada com US$ 300 milhões em dinheiro e 126,849 milhões de novas ações da USA Rare Earth. Pelo preço das ações usado no anúncio original, a combinação avaliava a Serra Verde em aproximadamente US$ 2,8 bilhões. 

Leia também: USA Rare Earth compra brasileira Serra Verde por US$ 2,8 bilhões para desafiar domínio da China em terras raras

Mina em Goiás entra em cadeia global da USA Rare Earth

A Serra Verde iniciou a produção comercial na mina Pela Ema em janeiro de 2024.

A operação produz terras raras usadas na fabricação de ímãs permanentes, incluindo neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. Esses materiais são utilizados em setores como veículos elétricos, energia eólica, robótica, semicondutores, data centers, indústria aeroespacial e defesa. 

A aquisição permite à USA Rare Earth integrar a produção brasileira a ativos de diferentes etapas da cadeia de terras raras nos Estados Unidos, Reino Unido e França.

A estratégia da companhia é atuar desde a extração mineral até a produção de metais, ligas e ímãs permanentes, reduzindo a necessidade de processamento na Ásia. 

Segundo a empresa, a combinação cria uma das poucas plataformas totalmente integradas de terras raras e ímãs permanentes fora do continente asiático. 

Produção deve aumentar

A Serra Verde está em processo de ampliação e otimização da operação em Goiás.

A USA Rare Earth prevê que a primeira etapa desse programa alcance ritmo anual equivalente a aproximadamente 4 mil toneladas de óxidos totais de terras raras até o fim de 2026.

Uma segunda etapa de expansão está em construção e tem como objetivo elevar a produção média para cerca de 6,4 mil toneladas anuais. O início do comissionamento dessa fase está previsto para ocorrer dentro de 12 meses. 

No longo prazo, a companhia afirma que uma nova expansão poderá dobrar o volume bruto de minério extraído pela Serra Verde.

Governo dos EUA colocou US$ 750 milhões em estrutura ligada à produção

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A aquisição também se tornou parte da estratégia do governo americano para garantir acesso a terras raras fora da China.

Em agosto, uma sociedade criada para adquirir a produção da Serra Verde concluiu uma capitalização de US$ 1,55 bilhão. O Departamento de Guerra dos Estados Unidos colocou US$ 750 milhões na estrutura, US$ 250 milhões acima do compromisso inicialmente previsto. 

Um banco também assumiu compromisso para uma linha de dívida de US$ 500 milhões.

Além disso, o Departamento de Guerra firmou um contrato para comprar pelo menos US$ 300 milhões em produtos de terras raras ao longo de cinco anos. 

A Serra Verde já havia firmado um acordo de fornecimento de 15 anos para 100% da produção da primeira fase de quatro elementos magnéticos, com preços mínimos estabelecidos para neodímio, praseodímio, disprósio e térbio. 

A empresa também havia obtido um pacote de financiamento de US$ 565 milhões da U.S. International Development Finance Corporation para financiar a otimização e expansão da operação até atingir fluxo de caixa positivo. 

Leia também: Terras raras: EUA completam investimento de US$ 750 milhões na compra da Serra Verde

Disputa com a China

A importância da aquisição está ligada ao domínio chinês sobre a cadeia global de terras raras, sobretudo nas etapas de separação e processamento.

Embora o Brasil tenha grandes reservas, a produção comercial do país ainda é pequena. A Serra Verde é, atualmente, a única operação brasileira efetivamente produzindo terras raras em escala comercial. Outros projetos estão em desenvolvimento, mas têm início de produção previsto para os próximos anos. 

Até agora, parte do material produzido em Goiás ainda dependia de processamento na China. O objetivo da combinação com a USA Rare Earth é justamente construir uma cadeia alternativa que conecte a mineração brasileira às etapas industriais realizadas pelos Estados Unidos e seus aliados. 

Mudança no comando

A aquisição também provoca mudanças na administração da USA Rare Earth.

Thras Moraitis, que comandava o Grupo Serra Verde, tornou-se presidente da companhia americana e passou a integrar o conselho de administração da companhia.

A partir de 1º de outubro, ele também assumirá o cargo de CEO da USA Rare Earth, substituindo Barbara Humpton, que deixará a função. Sir Mick Davis, presidente do conselho da Serra Verde e ex-CEO da Xstrata, também ingressará no conselho da companhia combinada. 

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