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Casas Bahia confirma veracidade de laudo que aponta corte de 4,6 mil funcionários e queda superior a 40% nos estoques

Publicado 08/10/2026 • 10:15 | Atualizado há 51 minutos

KEY POINTS

  • Casas Bahia confirma que dados sobre corte de 4,6 mil funcionários e redução de 40,5% nos estoques constam de laudo judicial.
  • Perícia aponta necessidade de até R$ 257,1 milhões em reforço de capital em uma simulação de fluxo de caixa para 30 dias.
  • Em resposta à CVM, varejista afirma que o laudo é preliminar, ainda não foi analisado pela Justiça e não representa a posição da companhia.
Casas Bahia

Foto: Divulgação

Casas Bahia encolhe operação com menos estoque, lojas e funcionários

O Grupo Casas Bahia confirmou a veracidade de um laudo produzido no âmbito de sua recuperação judicial. O documento revela informações sobre a situação operacional e financeira da companhia.

Elaborado pela ACFB Administração Judicial e apresentado à Justiça em 02 de outubro, o documento aponta a redução de 4.647 trabalhadores em agosto, queda de 40,5% nos estoques oferecidos como garantia a credores e áreas ociosas em centros de distribuição. A perícia também identificou riscos ao fluxo de caixa da varejista.

Apesar de reconhecer que os dados constam da perícia, a Casas Bahia afirmou que as avaliações são de responsabilidade da empresa nomeada pela Justiça e não representam necessariamente seu entendimento sobre a situação financeira e operacional do grupo.

Redução de funcionários e mudanças na operação

O levantamento judicial identificou uma diminuição expressiva no quadro de pessoal da Casas Bahia durante agosto de 2026. Entre os dias 3 e 28 daquele mês, o número de vínculos de trabalho passou de 29.737 para 25.090, uma redução de aproximadamente 15,6%.

O documento também registra o fechamento de 298 lojas informado pela companhia, embora não apresente datas individuais que permitam determinar quantas unidades encerraram suas atividades especificamente em agosto.

Nas verificações realizadas pela perícia, 735 das 744 lojas apresentavam atividade regular. Nos centros de distribuição, 25 das 29 unidades estavam em funcionamento, enquanto quatro apresentavam irregularidades operacionais. A fábrica de móveis Bartira e a plataforma de comércio eletrônico mantinham suas operações.

Segundo o Valor Econômico, a avaliação também apontou que, embora não houvesse sinais generalizados de falta de mercadorias nas lojas, parte da estrutura logística operava com menor volume de produtos e áreas sem utilização.

Leia também: Casas Bahia corta estoque em 40% e reduz quadro em 4,6 mil pessoas

Estoques recuam e centros de distribuição apresentam áreas ociosas

Um dos principais indicadores apresentados pela perícia foi a redução do estoque fiduciário, composto por mercadorias oferecidas como garantia em operações financeiras.

Nos centros de distribuição, o valor desses produtos passou de R$ 3,18 bilhões para R$ 1,89 bilhão, uma diminuição de 40,5% no período analisado.

Esse tipo de garantia permite que determinados credores tenham direitos sobre mercadorias vinculadas a dívidas da companhia. Por isso, a disponibilidade desses produtos pode ser afetada conforme as condições dos contratos de financiamento.

Segundo a análise da ACFB, uma eventual retirada dos estoques pelos credores não provocaria necessariamente a interrupção das atividades da varejista. Entretanto, poderia reduzir a variedade de mercadorias comercializadas, inclusive com a possibilidade de esgotamento da oferta em 65 itens.

A perícia também identificou compromissos relacionados à manutenção de serviços essenciais. O relatório menciona avisos de interrupção de energia em 22 unidades e na fábrica Bartira, além de R$ 42 milhões em contas pendentes na área de infraestrutura digital.

Projeção indica necessidade de até R$ 257 milhões para o caixa

A situação financeira da Casas Bahia também foi examinada a partir de uma simulação que considerou o comportamento das entradas e saídas de recursos durante 30 dias.

De acordo com o relatório, a companhia registrou entradas de R$ 999,2 milhões em agosto, sendo que 40,8% desse montante passaram por contas vinculadas a operações com credores.

Essas contas podem estar sujeitas à retenção de valores para o pagamento de obrigações financeiras, o que limita a disponibilidade imediata de parte do dinheiro recebido pela empresa.

Na projeção elaborada pela perícia, considerando um caixa inicial de R$ 120 milhões e a retenção integral dos recebimentos cedidos em garantia, a necessidade adicional de recursos variaria entre R$ 212,7 milhões e R$ 257,1 milhões no momento de maior pressão financeira.

Ao término dos 30 dias simulados, a insuficiência de caixa ficaria entre R$ 136,4 milhões e R$ 184,2 milhões.

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Os valores representam resultados de um cenário hipotético construído pela equipe responsável pelo laudo, e não uma confirmação de que a companhia enfrentará necessariamente essa necessidade de capital.

O documento também identificou diferenças entre os números utilizados nos controles gerenciais e os registros contábeis da controladora. Outro indicador apontado foi um caixa operacional ajustado negativo em R$ 298 milhões no primeiro semestre.

Recuperação judicial envolve passivo de R$ 17,3 bilhões

A análise foi determinada pela Justiça de São Paulo após o pedido de recuperação judicial apresentado pela Casas Bahia e por determinadas subsidiárias, anunciado em 16 de agosto de 2026.

O procedimento busca permitir a reorganização das obrigações financeiras da empresa sob supervisão judicial, enquanto são examinadas as condições para a continuidade de suas atividades.

De acordo com os dados reunidos pela perícia, a varejista informou um passivo de aproximadamente R$ 17,32 bilhões, distribuído entre 28,8 mil registros de credores.

A maior parcela dos valores está relacionada a créditos sem garantia específica, que representam 94,76% do total. As obrigações trabalhistas correspondem a 4,36%, enquanto os créditos de microempresas e empresas de pequeno porte representam 0,89%.

O relatório também aponta a existência de R$ 756 milhões em depósitos judiciais e recursais. A eventual utilização desses recursos depende das condições legais aplicáveis e de decisões judiciais.

A constatação prévia foi solicitada para verificar as condições reais de funcionamento da companhia, a documentação apresentada no processo, os principais contratos e a capacidade de manutenção de serviços essenciais.

CVM cobra esclarecimentos sobre divulgação das informações

A manifestação da Casas Bahia ocorreu depois que a CVM enviou um ofício à empresa em 06 de outubro, solicitando explicações sobre a reportagem publicada pelo Valor Econômico no dia anterior.

O órgão pediu que a varejista esclarecesse a veracidade das informações divulgadas e justificasse a ausência de um comunicado classificado como fato relevante.

Pelas regras do mercado de capitais, companhias abertas devem informar acontecimentos capazes de influenciar de maneira significativa as decisões dos investidores ou a negociação de seus valores mobiliários.

Na resposta, a Casas Bahia confirmou que os trechos selecionados pela CVM correspondem, de maneira geral, ao que foi registrado no documento judicial. Entretanto, destacou que a perícia foi realizada a partir de metodologia própria, com informações obtidas em diligências, fontes públicas e dados fornecidos pela companhia.

A varejista também argumentou que o relatório ainda não havia sido submetido à sua contestação formal nem analisado pelo juiz responsável pela recuperação judicial.

Diante dessas circunstâncias, a empresa sustentou que a apresentação do laudo ao processo não caracterizava, por si só, um fato relevante que exigisse divulgação específica ao mercado.

A CVM, por sua vez, ressaltou no ofício que a apresentação dos esclarecimentos não impede eventual apuração sobre o cumprimento das obrigações de divulgação de informações.

Laudo ainda depende de análise judicial

A Casas Bahia afirmou que as conclusões da ACFB Administração Judicial não vinculam a decisão do magistrado e que o documento possui caráter preliminar. Isso significa que as informações e avaliações apresentadas pela perícia ainda podem ser objeto de questionamentos e manifestações das partes envolvidas antes de uma decisão judicial.

A análise da constatação prévia integra a etapa de avaliação do pedido de recuperação judicial, na qual são examinadas as condições de funcionamento da empresa e os requisitos necessários ao andamento do processo.

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