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Casas Bahia corta estoque em 40% e reduz quadro em 4,6 mil pessoas

Publicado 06/10/2026 • 08:25 | Atualizado há 33 minutos

KEY POINTS

  • Perícia judicial aponta queda de 40,5% no estoque dado em garantia e redução de 4.647 pessoas no quadro da Casas Bahia.
  • Varejista mantém operação em 735 lojas e 25 centros de distribuição, apesar de áreas ociosas e 298 lojas fechadas.
  • Companhia informou passivo de R$ 17,32 bilhões e pode precisar de reforço de capital de até R$ 257,1 milhões.
Casas Bahia

Foto: Divulgação

Casas Bahia encolhe operação com menos estoque, lojas e funcionários

A Casas Bahia reduziu em 40,5% o estoque de mercadorias dado em garantia a credores entre abril e agosto, enquanto o quadro de funcionários encolheu em 4.647 pessoas. Uma perícia determinada pela Justiça também identificou áreas ociosas em parte da estrutura da varejista, que aguarda decisão sobre o processamento de sua recuperação judicial.

Apesar da redução, a operação segue ativa na maior parte da rede. A ACFB Administração Judicial verificou funcionamento em 735 das 744 lojas e em 25 dos 29 centros de distribuição, além de atividade normalizada na fábrica Bartira e no comércio eletrônico. Não foi identificado desabastecimento perceptível nas lojas, embora haja estoques menores e espaços ociosos em parte dos centros de distribuição.

Os dados fazem parte de um laudo elaborado pela ACFB Administração Judicial, nomeada pela Justiça para verificar a situação financeira e operacional da companhia. O documento foi obtido pelo Valor Econômico.

O estoque fiduciário (mercadoria oferecida como garantia a credores) caiu de R$ 3,18 bilhões para R$ 1,89 bilhão no período analisado. Segundo a perícia, mesmo em um cenário em que os credores retirassem esses produtos, não haveria paralisação imediata da operação, mas o volume disponível para venda diminuiria e 65 itens poderiam ficar sem oferta.

Leia também: Casas Bahia: entenda como a crise começou e chegou à recuperação judicial

Quase 300 lojas foram fechadas

A Casas Bahia já havia informado o fechamento de 298 lojas como parte de sua reestruturação. A perícia confirmou o número, embora o levantamento não detalhe a data de encerramento de cada unidade.

Atualmente, a companhia mantém 765 imóveis alugados, com pagamentos mensais de cerca de R$ 66 milhões. Sete lojas já tiveram decisões de desocupação e perda de posse em Itaúna (MG) e Sarandi (PR).

Nos centros de distribuição, porém, o laudo não identificou risco atual à posse dos imóveis. As unidades de Jundiaí (SP) e Duque de Caxias (RJ) concentram 54,5% da movimentação logística.

A perícia também identificou avisos de corte de energia em 22 unidades e na fábrica Bartira, além de R$ 42 milhões em contas em aberto relacionadas à infraestrutura digital, ainda sem notificação de interrupção.

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Passivo supera R$ 17 bilhões

No pedido de recuperação judicial, a Casas Bahia informou um passivo de R$ 17,32 bilhões, distribuído em cerca de 28,8 mil registros de credores. Desse total, 94,76% correspondem a créditos quirografários, sem garantia, e 4,36% são trabalhistas.

Fornecedores representam 51,23% dos credores, seguidos por instituições financeiras (27,87%) e seguradoras (13,81%). Os dez maiores credores concentram pouco mais da metade da dívida, enquanto as 88 posições acima de R$ 10 milhões respondem por 89,25% do valor total.

Outro ponto analisado pela ACFB é o montante de R$ 756 milhões em depósitos judiciais e recursais. A administradora avaliou que os valores vinculados aos créditos incluídos na recuperação poderiam ser utilizados pela companhia, caso haja autorização judicial.

Em agosto, a varejista registrou entradas de caixa de R$ 999,2 milhões, das quais 40,8% passaram por contas vinculadas a garantias. Uma simulação elaborada pela perícia apontou necessidade de reforço de capital entre R$ 212,7 milhões e R$ 257,1 milhões no ponto mais crítico do período analisado, além de insuficiência entre R$ 136,4 milhões e R$ 184,2 milhões ao final.

A decisão sobre o processamento da recuperação judicial cabe agora à Justiça de São Paulo, após a análise das informações levantadas pela administradora judicial.

Entenda a crise da Casas Bahia

A Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial em agosto, com dívida declarada de R$ 17,3 bilhões. A medida veio após anos de reestruturação financeira, fechamento de lojas e tentativa de redução de custos.

Antes disso, a empresa já havia recorrido à recuperação extrajudicial em 2024 para reorganizar cerca de R$ 4,1 bilhões em dívidas. Em 2025, a Mapa Capital passou a controlar 85,5% da companhia após converter debêntures em ações, o que reduziu a dívida corporativa em R$ 1,6 bilhão.

No segundo trimestre deste ano, a varejista registrou prejuízo líquido contábil de R$ 10,1 bilhões, dos quais R$ 9,1 bilhões foram atribuídos a efeitos contábeis não recorrentes relacionados à segunda fase do plano de transformação da empresa.

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