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Caso Master: mensagens revelam articulação de diretor do banco com ex-ministro de Lula para acessar fundos previdenciários
Publicado 12/10/2026 • 07:03 | Atualizado há 28 minutos
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Publicado 12/10/2026 • 07:03 | Atualizado há 28 minutos
KEY POINTS
Em maio de 2024, o então ministro da Previdência Social do governo Lula, Carlos Lupi, recebeu um representante do Banco Master, durante uma articulação para incluir a instituição financeira na lista de bancos aptos a receber investimentos de fundos previdenciários de estados e municípios.
Após o encontro, o banco de Daniel Vorcaro passou a integrar a relação do ministério, da qual havia ficado de fora em meio a uma crise financeira. As negociações também tiveram a participação do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil).
A inclusão era considerada importante pela direção do Master para manter a captação de recursos dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), responsáveis pelo pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos. Antes de ficar fora da relação, a instituição já havia recebido R$ 490 milhões desses fundos.
As tratativas ocorreram em abril e maio de 2024, período em que o banco enfrentava dificuldades e buscava alternativas para preservar suas operações. A ausência do Master na lista do Ministério da Previdência provocou uma mobilização interna para reverter a situação.
As informações foram reveladas em reportagem do UOL, publicada nesta segunda-feira (12), com base em mensagens de WhatsApp trocadas entre Vorcaro e Fernando Mascarenhas, então diretor comercial da instituição. Os registros detalham os contatos com interlocutores políticos, os questionamentos apresentados ao ministério e a comunicação sobre a inclusão do banco.
Leia também: Caso Master: Vorcaro buscou apoio de interlocutores de Alexandre Padilha, ministro de Lula, para captar até R$ 10 bilhões de fundos de pensão
A movimentação começou em 23 de abril de 2024, quando Mascarenhas informou a Vorcaro que o Ministério da Previdência havia divulgado uma lista de instituições financeiras autorizadas a receber investimentos dos regimes previdenciários.
Ao perceber que o Master não constava da relação, o executivo questionou os critérios adotados pelo governo.
“Colocaram if [instituição financeira] emissora de ativo de renda fixa na lista!”, escreveu Mascarenhas. “Estamos sendo atacados de verdade! Precisamos contestar isso, eles não têm alçada para fazer isso”, acrescentou.
Os dirigentes argumentavam que bancos classificados como S3, categoria que inclui instituições de porte médio, não precisariam de autorização específica da Previdência para receber os investimentos, desde que cumprissem as regras do Conselho Monetário Nacional (CMN).
Mascarenhas sugeriu procurar o Banco Central para resolver o impasse. Vorcaro, porém, orientou o executivo a buscar a inclusão diretamente na relação do ministério. “Não interessa o Bacen pra nós agora. Você precisa levar a ata da assembleia em que o banco já elegeu. E pedir para eles nos colocarem na lista”, respondeu o banqueiro.
Em 25 de abril, Mascarenhas se reuniu com ACM Neto para discutir a situação. No dia seguinte, o Master encaminhou um documento ao Ministério da Previdência contestando os critérios utilizados para definir quais instituições poderiam receber recursos dos fundos.
O banco argumentou que sua exclusão poderia provocar insegurança jurídica, especialmente em relação aos investimentos já realizados pelos regimes previdenciários.
Após os primeiros contatos, Mascarenhas conseguiu agendar uma reunião com Carlos Lupi, que ocupava o Ministério da Previdência no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As mensagens mostram que Vorcaro autorizou o deslocamento do executivo a Brasília para acompanhar as negociações.
“Caixa marcou quinta 10:30 em SP e Lupi às 15 hrs em Brasília! Conseguiria o avião pra eu e André irmos daqui de SP pra Brasília após a reunião da Caixa? Abração”, perguntou Mascarenhas ao banqueiro.
“Of cousw”, respondeu Vorcaro, em mensagem em inglês com erros de digitação. O encontro foi marcado para 2 de maio de 2024, quando o banco buscava uma solução para voltar a receber aplicações previdenciárias.
Mascarenhas recebeu, em 30 de abril, uma informação preliminar de que a instituição seria acrescentada à relação do ministério. A confirmação veio dois dias depois, após o encontro com Lupi em Brasília.
“Acabamos de receber um retorno da secretaria a respeito da nossa solicitação. A conclusão é de que o Banco Master cumpriu todos os requisitos e será incluído na lista exaustiva”, escreveu Mascarenhas a Vorcaro. O banqueiro respondeu: “Show”.
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Siga o Times | CNBCPoucos minutos depois, o diretor encaminhou uma fotografia da relação atualizada com o nome do Master destacado.
O documento foi publicado nos canais oficiais do Ministério da Previdência no dia seguinte. A atualização ocorreu dez dias depois da divulgação da primeira lista, tendo o Master como única instituição financeira acrescentada. A inclusão ocorreu com o compromisso de que o banco instalaria um comitê de auditoria, uma das exigências para receber investimentos dos regimes previdenciários.
Após a publicação da nova relação, Mascarenhas enviou uma mensagem ao ex-prefeito de Salvador agradecendo sua participação nas tratativas. “Irmão, passando pra agradecer mais uma vez o seu apoio incondicional! Lista nova publicada, agora vamos pra cima”, escreveu o executivo a ACM Neto em 3 de maio de 2024.
A conversa foi posteriormente compartilhada com Vorcaro e integra os registros que detalham a articulação.
Em uma proposta de delação premiada posteriormente rejeitada, Vorcaro afirmou que ACM Neto era remunerado por serviços relacionados à captação de investimentos previdenciários. Segundo o relato do banqueiro, os pagamentos corresponderiam a 10% dos valores obtidos junto aos institutos de previdência, com supostos repasses em dinheiro e contratos fictícios de consultoria.
ACM Neto nega as acusações e afirma não ter exercido influência sobre decisões administrativas do governo federal.
O político diz que nunca participou de reuniões com integrantes do Executivo para tratar da “inclusão do Banco Master na lista de instituições elegíveis para receber recursos de Regimes Próprios de Previdência Social”.
O ex-prefeito também condenou os “constantes vazamentos seletivos e manipulados, que demonstram o claro objetivo de exploração política no período eleitoral”.
Carlos Lupi afirma que o processo de inclusão do Master foi conduzido exclusivamente pela equipe técnica do Ministério da Previdência. “Este assunto foi tratado pela equipe técnica do ministério. Se no dia foi publicado, não teve qualquer ingerência que não seja técnica”, declarou.
O ex-ministro não respondeu se recebeu diretores do Banco Master para conversar sobre a lista de instituições financeiras habilitadas a captar recursos previdenciários.
O Ministério da Previdência informou que o Master passou a integrar a relação depois de cumprir as condições estabelecidas nas normas aplicáveis. Segundo a pasta, o Banco Central comunicou, em 29 de abril de 2024, a autorização para a posse dos integrantes do comitê de auditoria do banco.
O ministério também declarou ter identificado movimentações financeiras atípicas envolvendo aplicações previdenciárias no Master e adotado medidas de orientação, fiscalização e auditoria.
Lupi deixou posteriormente o governo Lula em meio à crise provocada pelas investigações sobre fraudes em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Entre 2023 e novembro de 2025, quando ocorreu sua liquidação, o Banco Master recebeu aproximadamente R$ 4,5 bilhões em recursos de regimes previdenciários estaduais e municipais. A captação desses investimentos envolvia ACM Neto, Antônio Rueda e Ricardo Siqueira, lobista conhecido como Gordo, também citado em investigações relacionadas à instituição financeira.
Diferentemente de determinadas aplicações bancárias, os recursos investidos pelos regimes próprios de previdência não são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Isso significa que os fundos não têm direito ao mecanismo de proteção oferecido a alguns depositantes e investidores em casos de quebra de instituições financeiras.
Após a liquidação do Master, fundos previdenciários passaram a buscar na Justiça o ressarcimento dos valores investidos, inclusive por meio dos bens bloqueados de alvos das investigações.
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