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Caso Master: Moraes se encontrou com Vorcaro um dia antes da prisão do ex-banqueiro

Publicado 14/09/2026 • 08:00 | Atualizado há 34 minutos

KEY POINTS

  • Vorcaro se encontrou com Moraes na véspera de ser preso pela Polícia Federal.
  • Mensagens mostram que o banqueiro vinha tentando marcar reuniões com o ministro nos dias anteriores à operação.
  • Divulgação dos diálogos ampliou a crise no STF e provocou questionamentos sobre as provas, a atuação de ministros e a relação do Banco Master com o escritório da esposa de Moraes.

Mensagens extraídas do celular do ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro colocaram no centro da crise institucional do Supremo Tribunal Federal (STF) uma sequência de encontros com o ministro Alexandre de Moraes nos dias que antecederam sua prisão. As conversas obtidas pelas autoridades revelam uma reunião em 16 de novembro de 2025, um dia antes de Vorcaro ser detido pela Polícia Federal.

O material indica que o banqueiro vinha tentando se reunir com Moraes há semanas e intensificou os contatos pouco antes da Operação Compliance Zero. A proximidade entre as reuniões e a prisão passou a ser um dos principais pontos de interesse da investigação e, meses depois, tornou-se o estopim de um conflito interno no Supremo.

O plenário do STF deve analisar o caso nesta terça-feira, 15 de setembro de 2026, em sessão com transmissão ao vivo.

Leia também: Vorcaro diz não lembrar destinatário de mensagem atribuída pela PF ao ministro Alexandre de Moraes

Encontro foi marcado para a véspera da prisão

As mensagens mostram que Vorcaro procurou Moraes em 15 de novembro para combinar uma nova reunião. Em uma das mensagens, perguntou: “Podemos nos ver amanhã rapidamente em algum horário?”. Pouco depois, acrescentou: “Vou na parte da tarde então. Veja um horário que não vai te atrapalhar muito. Pode ser bem rápido”.

Na manhã seguinte, 16 de novembro, Vorcaro voltou a escrever. “Bom dia, já estou em voo, vou pousar 14h20 e irei direto pra aí, tudo bem?”, informou. O conteúdo indica que o deslocamento estava relacionado ao encontro previamente agendado.

Reuniões vinham sendo articuladas havia semanas

O encontro de 16 de novembro não aparece de forma isolada. Segundo o material, investigadores identificaram ao menos 15 mensagens que indicariam contatos para reuniões entre Vorcaro e Moraes entre 28 de outubro e 16 de novembro de 2025.

Em 28 de outubro, enquanto Moraes estava na Espanha, Vorcaro se dispôs a viajar a Brasília apenas para conversar com o ministro. “Se não puder hoje mais tarde, eu posso passar em sua casa amanhã alguma hora que puder”, escreveu.

Os registros também apontam para um encontro em 14 de novembro, dois dias antes da reunião da véspera da prisão. A sequência reforçou o interesse dos investigadores pela natureza dos contatos e pelo que estava sendo discutido naquele período.

Em outra mensagem, depois de tentativas de ajustar uma conversa, Vorcaro escreveu: “Não quero atrapalhar o programa da família! Podemos falar outro dia!”.

Forma de comunicação também entrou no foco da investigação

Parte das mensagens teria sido enviada por meio de imagens de visualização única no WhatsApp. Segundo o material anexado, Vorcaro digitava textos em um aplicativo de notas, fazia capturas de tela e encaminhava as imagens, que desapareciam depois de abertas.

A Polícia Federal conseguiu reconstruir parte desse conteúdo a partir de dados encontrados no aparelho.

Os diálogos, conforme o conteúdo apresentado, também fazem referências a autoridades como o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Nesse mesmo período, Vorcaro demonstrava preocupação com a possibilidade de ser preso e acompanhava o avanço das investigações.

Divulgação das mensagens desencadeou crise no Supremo

A dimensão institucional do caso aumentou em 1º de setembro de 2026, quando o ministro André Mendonça, relator de inquéritos relacionados ao Banco Master, retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal.

A divulgação expôs as mensagens atribuídas a Vorcaro e a uma pessoa identificada como Alexandre de Moraes, o que abriu uma disputa no tribunal.

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No dia seguinte, surgiram informações de que o próprio Mendonça havia recebido Vorcaro em seu gabinete no ano anterior. Paralelamente, a Procuradoria-Geral da República pediu a anulação do relatório policial, enquanto parlamentares de oposição passaram a aumentar a pressão sobre a Corte.

Conflito entre ministros atingiu comando da PF

A crise se agravou nos dias seguintes e passou a envolver decisões conflitantes entre os integrantes do Supremo.

Moraes acusou Mendonça de abuso de autoridade. Em meio à escalada, Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

Pouco depois, Flávio Dino determinou a reintegração do chefe da corporação. A sequência de decisões mobilizou a Advocacia-Geral da União e ampliou a instabilidade interna do tribunal em pleno período eleitoral.

O episódio transformou um caso inicialmente concentrado no conteúdo das mensagens de Vorcaro em uma disputa sobre os limites de atuação dos próprios ministros e sobre a condução das investigações.

Fachin centralizou processos para conter disputa

Entre 9 e 11 de setembro, o presidente do STF, Edson Fachin, passou a intervir diretamente na crise. Ele centralizou inquéritos considerados mais sensíveis e anulou os efeitos das decisões cruzadas entre gabinetes.

Em 12 de setembro, Fachin avocou para si a condução do processo principal que envolve Moraes e os desdobramentos do material apreendido com Vorcaro.

No dia seguinte, quase 200 ex-autoridades, juristas e empresários assinaram um manifesto em apoio ao presidente da Corte. O documento classificou o momento como um dos períodos de maior pressão já enfrentados pelo Supremo.

Contrato ligado ao escritório da esposa de Moraes também é apurado

Além dos encontros, outro eixo do caso envolve a relação entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro.

O material menciona uma minuta de contrato de honorários de aproximadamente R$ 131 milhões e metadados que, segundo a perícia, estariam associados ao usuário “Ministro Alexandre de Moraes”.

Moraes e Viviane reconheceram ter tido acesso ao documento, segundo a reportagem anexada, mas negaram qualquer ilegalidade.

A defesa sustenta que a minuta foi encaminhada ao gabinete apenas para análise de possíveis impedimentos jurídicos e questões de conformidade. O material também menciona pagamentos e um contrato envolvendo cotas de aeronaves, pontos que permanecem sob contestação.

Defesas contestam interpretação do material

Moraes e o escritório de sua mulher negam irregularidades. A defesa afirma ainda que o número de telefone submetido à perícia não pertence ao ministro e questiona a interpretação dada às mensagens.

Vorcaro, por sua vez, declarou não se lembrar com precisão da autoria ou dos destinatários de determinadas conversas recuperadas de seu aparelho. Ele também sustenta que nunca recebeu decisões favoráveis do Supremo em troca de pagamentos ou contratos.

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