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Judiciário

Quebra de sigilo coloca em xeque notas oficiais de Moraes

Publicado 14/09/2026 • 07:00 | Atualizado há 9 minutos

KEY POINTS

  • Nota que negava mensagens com Vorcaro é desmentida por relatório da Polícia Federal, mostra confronto.
  • Contrato liberado pelo STF contradiz nota que negava atuação da esposa de Moraes no Banco Central.
  • Levantamento de sigilo expõe contradições entre notas oficiais de Moraes e documentos do caso Master.
Alexandre de Moraes, ministro do STF, está no centro da repercussão internacional sobre as mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro.

Alexandre de Moraes, ministro do STF, está no centro da repercussão internacional sobre as mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro.

Por cinco vezes o gabinete de Alexandre de Moraes saiu a público para negar fatos sobre sua relação com Daniel Vorcaro e o caso Master. Passados os meses, e com o avanço do levantamento de sigilo das investigações, os documentos que vieram à tona contam uma história diferente da que as notas oficiais tentaram fixar, e Moraes viu suas justificativas serem desmentidas, uma a uma, pelos fatos

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Nota sobre o Banco Central é desmentida pelo contrato da esposa

Em uma nota divulgada na noite de 23 de dezembro de 2025, Moraes afirmou que o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, “jamais atuou na operação de aquisição BRB-Master perante o Banco Central”.

O contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, cuja íntegra foi liberada em 11 de setembro após o Supremo suspender parte do sigilo das investigações, prevê expressamente atuação jurídica em todas as instâncias do Judiciário e consultoria em órgãos como Banco Central, Receita Federal e Conselho Administrativo de Defesa Econômica.

A previsão contratual de atuação perante o Banco Central contraria diretamente o que a nota afirmou.

Nota que negou mensagens é desmentida por relatório da PF

Em 5 de março, Moraes afirmou que não recebeu as mensagens atribuídas a ele em reportagens sobre o celular de Vorcaro.

O relatório da Polícia Federal, elaborado com a ferramenta forense IPED e tornado público após a suspensão do sigilo, identificou um padrão de comunicação entre Vorcaro e um contato salvo em seu celular como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”, com horários de mensagens que coincidem com capturas de tela feitas pelo banqueiro.

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O Times Brasil – Licenciado Exclusivo CNBC já havia mostrado que os dois usavam mensagens de visualização única no WhatsApp, o que dificultava o rastreamento das conversas.

Nota sobre análise técnica é desmentida pelo próprio relatório da PF

Em 6 de março, a Secretaria de Comunicação do Supremo, a pedido do gabinete de Moraes, divulgou nota afirmando que uma análise técnica constatou que as mensagens de Vorcaro “não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes”.

O relatório da Polícia Federal, no entanto, aponta o caminho inverso, ao descrever que o contato usado por Vorcaro para enviar as mensagens estava salvo em seu próprio celular como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”, conclusão obtida a partir do cruzamento de horários de edição de notas, capturas de tela e registros de tráfego do WhatsApp.

Nota sobre reunião na casa de Vorcaro é contestada por reportagem

Em 27 de janeiro, o ministro classificou como falsa uma reportagem do portal Metrópoles, que descrevia um encontro seu com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, na casa do banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a coluna, quatro pessoas presenciaram o episódio. A Polícia Federal passou a analisar, a partir de fevereiro, imagens de câmeras de segurança dos imóveis de Vorcaro para tentar confirmar visitas de autoridades ao local, mas até a publicação desta matéria não há documento tornado público que comprove ou refute definitivamente o encontro.

Nota de 23 de dezembro pela manhã responde a reportagem sobre pressão ao Banco Central

Na primeira nota, divulgada em 23 de dezembro de 2025 pela manhã, Moraes esclareceu que recebeu, em razão da aplicação da Lei Magnitsky, o presidente do Banco Central, a presidente do Banco do Brasil, o presidente e o vice-presidente jurídico do Itaú, além de dirigentes da Febraban, do BTG e do Santander, para tratar exclusivamente dos efeitos da sanção norte-americana sobre movimentações bancárias. A nota veio em resposta a uma reportagem do jornal O Globo, que havia publicado que o ministro procurou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em pelo menos quatro ocasiões, três por telefone e uma presencial, especificamente para pressionar pela venda do Banco Master ao BRB. Até o momento, não há documento público que resolva essa divergência entre a reportagem e a nota.

As cinco notas foram divulgadas antes da sessão extraordinária do Supremo marcada para terça-feira (15), quando a Corte deve tratar diretamente do caso que envolve o ministro.

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