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Caso Master: Vorcaro mandou ‘moer’ diretor do BC na imprensa e pediu rastreamento de celular

Publicado 20/10/2026 • 09:41 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Daniel Vorcaro ordenou uma campanha de ataques na imprensa contra Renato Gomes, então diretor do Banco Central, durante a análise da venda do Banco Master ao BRB.
  • Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que o banqueiro pediu a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como "Sicário", que verificasse a localização de Gomes pelo celular e reunisse informações pessoais.
  • As conversas ocorreram nas semanas anteriores ao veto do Banco Central à compra do Master pelo BRB, em meio a suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo a instituição.
Daniel Vorcaro, dono do Banco Master

Reprodução/LinkedIn

Vorcaro

O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ordenou uma campanha para atingir a imagem de Renato Gomes, então diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do Banco Central (BC).

A determinação aparece em mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF). As conversas ocorreram durante a análise da tentativa de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB), operação que enfrentava resistência na autoridade monetária.

A solicitação foi encaminhada a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado pela PF como responsável por coordenar um grupo que reunia informações sobre pessoas consideradas adversárias de Vorcaro. Segundo a investigação, a equipe também realizava ações de intimidação, inclusive com ameaças.

Vorcaro determinou ataques durante uma semana

Em 31 de agosto de 2025, Vorcaro pediu a Mourão que organizasse um ataque na imprensa contra Renato Gomes. Conforme as informações divulgadas pela jornalista Malu Gaspar, do Globo, a estratégia envolvia o site Diário do Centro do Mundo (DCM), no qual o Banco Master havia publicado anúncios pagos como parte de sua reação a notícias negativas sobre a instituição.

Ao receber a orientação, Mourão informou que poderia preparar o material conforme as instruções do banqueiro. “Me passa tudo como quer, que já deixo preparado e pronto”, respondeu. Vorcaro indicou como a campanha deveria ser conduzida: “É para moer ele a partir de amanhã durante uma semana”.

A ordem foi enviada três dias antes do Banco Central anunciar o veto à aquisição do Master pelo BRB. Naquele momento, Renato Gomes era um dos principais integrantes da diretoria contrários à aprovação da operação, em razão de problemas financeiros e suspeitas de fraudes envolvendo carteiras de crédito do banco privado.

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Banqueiro pediu localização de Gomes pelo celular

Em outra conversa, registrada na manhã de 3 de setembro de 2025, Vorcaro acionou Mourão para descobrir onde Renato Gomes estava. “Consegue checar no celular Renato [sic] onde ele está? Rio ou BSB (Brasília)?”, perguntou.

“Vou pedir isto aqui para a turma. Agora”, respondeu Mourão. A solicitação ocorreu no dia em que o Banco Central divulgaria sua decisão sobre a venda do Master ao BRB.

🔍 “A Turma” é o nome dado pela Polícia Federal (PF) a um núcleo de intimidação, vigilância clandestina e obstrução de justiça ligado a Vorcaro.

Grupo reuniu informações sobre a vida pessoal do diretor

A busca por dados de Renato Gomes havia começado pelo menos algumas semanas antes. Em 7 de agosto de 2025, Vorcaro solicitou a Mourão um levantamento sobre o integrante da diretoria do Banco Central.

Cerca de uma hora depois, o auxiliar encaminhou um dossiê com informações reunidas por sua equipe, acompanhado de mensagens de outros participantes do grupo.

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“Tem pouca informação sobre ele. Não tem nenhum veículo registrado no nome dele, emprego só no Banco Central mesmo. Nenhum processo criminal contra ele, nada. Muito limpo”, relatou Mourão.

Vorcaro considerou os dados insuficientes e pediu informações adicionais. “Precisava endereço Brasília [sic]. E dados mais atualizados”, escreveu.

Na sequência, Mourão afirmou que Gomes aparentemente não mantinha residência fixa em Brasília e sugeriu a possibilidade de uma abordagem presencial no Rio de Janeiro. Ele também mencionou acesso a aplicativos de entrega associados ao ex-diretor.

Investigações sobre o Master preocupavam Vorcaro

As conversas ocorreram enquanto o Banco Master enfrentava questionamentos relacionados à sua situação financeira e às operações realizadas com o BRB. Mensagens atribuídas a Vorcaro mostram preocupação com investigações do Ministério Público e da Polícia Federal sobre possíveis fraudes envolvendo a instituição.

Nesse contexto, o banqueiro também procurava apoio para viabilizar a operação. Entre os interlocutores mencionados na reportagem estavam o advogado Walfrido Warde, o publicitário Thiago Miranda e o ex-ministro Guido Mantega.

Os diálogos indicam ainda que Vorcaro discutiu a possibilidade de acionar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que procurasse Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, com o objetivo de pressionar pela autorização da compra.

Banco Central vetou a compra e identificou irregularidades

A proposta de aquisição do Master pelo BRB havia sido anunciada em março de 2025 e passou a ser examinada pelo Banco Central. A negociação também mobilizou parlamentares de diferentes partidos, que atuaram nos bastidores em favor da aprovação.

Durante a análise, técnicos da autoridade monetária identificaram irregularidades em contratos de crédito negociados entre as instituições. As suspeitas foram comunicadas à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal.

Em setembro de 2025, o Banco Central rejeitou a compra. A investigação decorrente das suspeitas de fraude resultou em uma operação que levou à prisão de Vorcaro e de outros seis executivos ligados ao caso.

O Master acabou liquidado, enquanto Paulo Henrique Costa foi afastado da presidência do BRB.

Renato Gomes, que havia defendido uma intervenção no Master diante dos problemas encontrados, também entrou em divergência com Ailton Aquino, diretor de Fiscalização do Banco Central. Posteriormente, deixou a autoridade monetária e, em outubro, assumiu a presidência da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), entidade que representa instituições financeiras de médio porte.

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