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Preso por violência doméstica, Ivo Kos tentou envolver Banco Master em operação de R$ 130 milhões
Publicado 20/10/2026 • 08:51 | Atualizado há 48 minutos
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Publicado 20/10/2026 • 08:51 | Atualizado há 48 minutos
KEY POINTS
O empresário Ivo Kos, de 48 anos, preso preventivamente desde agosto por agredir a esposa, também é investigado por suspeitas de irregularidades no mercado financeiro. Proprietário da securitizadora Virgo, posteriormente rebatizada de Riza Securitizadora, ele tentou atrair o Banco Master para uma operação de R$ 130 milhões que acabou sendo alvo de investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Kos foi preso em flagrante em 14 de agosto de 2026, após agredir a esposa, a cirurgiã-dentista Giullia Kos, de 27 anos, em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. Segundo o relato da vítima à polícia, o empresário a ameaçou com um taser e a atingiu na mão com um taco de beisebol. Ele se tornou réu por lesão corporal contra mulher e ameaça e permanece detido preventivamente no Centro de Detenção Provisória (CDP) II de Pinheiros.
Paralelamente ao processo criminal, o empresário é investigado por sua atuação à frente da Virgo. A CVM identificou movimentações financeiras suspeitas envolvendo recursos de investidores que deveriam permanecer separados do patrimônio da empresa. A apuração aponta a utilização indevida de reservas de dezenas de operações financeiras para sustentar uma captação de recursos.
De acordo com informações publicadas pelo Metrópoles, mensagens trocadas entre Kos e Eduardo Levy, ex-diretor de distribuição da Virgo, mostram que os dois buscaram a participação do Banco Master e de outras instituições na operação. Apesar das tentativas de negociação, o banco controlado por Daniel Vorcaro não aceitou participar do negócio, que posteriormente passou a ser investigado por suspeitas de fraude.
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As conversas ocorreram em maio de 2025, quando Kos e Levy procuravam instituições interessadas em comprar e distribuir títulos vinculados a um projeto imobiliário em Belo Horizonte (MG). Em uma das mensagens enviadas em 15 de maio, o empresário mencionou uma tentativa de aproximação com o Banco Master.
“Se quiser o pessoal da EXA fala com ele! Master está saindo”, escreveu Kos, em referência à gestora e assessora financeira Exa Capital Asset. A proposta envolvia a primeira série do Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) BTS BH, emitido para financiar a construção de um imóvel destinado ao grupo Oncoclínicas.
O projeto tinha valor total estimado em R$ 390 milhões, dos quais R$ 130 milhões seriam captados por meio dos títulos. A operação envolvia a Castelo Byblos Participações como devedora, a Cedro Participações como coobrigada e a Terra Investimentos na coordenação da oferta.
A Virgo havia assumido contratualmente o compromisso de captar os recursos. Entretanto, instituições financeiras avaliaram que a operação apresentava riscos elevados e recusaram a compra dos títulos.
Após o fracasso da captação no mercado, a Virgo direcionou os R$ 130 milhões em títulos para o fundo Allocation, do qual a própria securitizadora era a única cotista. Segundo a apuração da CVM, os recursos utilizados não vieram do caixa da empresa. O dinheiro teria sido retirado de reservas pertencentes a 76 patrimônios separados de outras operações financeiras administradas pela securitizadora.
Quando gestoras identificaram os desvios e exigiram a devolução dos valores, a empresa realizou novas movimentações para atender aos pedidos. Entre 1º e 21 de agosto de 2025, foram efetuados quatro aportes que totalizaram R$ 55 milhões. Os recursos saíram do fundo destinado à construção do empreendimento e foram transferidos para o fundo de investimentos.
A CVM apontou que essa movimentação criou uma operação circular, na qual os recursos retornavam ao próprio circuito financeiro. Segundo o órgão, aproximadamente 40% do valor que deveria ter sido captado para a obra sequer existia efetivamente.
As mensagens analisadas pela investigação também apresentam referências de Kos aos riscos envolvidos nas operações. Em uma conversa com Levy, em 19 de maio de 2025, o empresário afirmou:
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Siga o Times | CNBC“Se der ruim pra mim seu nome está limpo pra continuar tocando”.
Em outro trecho, ao tratar da documentação e de possíveis questionamentos, Kos tentou tranquilizar o então associado. “Rlx. Tô rlx. Vc é head de IB [Investment Banking]. Não quero problemas. Assinei o documento com você”, escreveu.
O empresário também discutiu os benefícios financeiros que pretendia receber pela estruturação do negócio. Em uma das mensagens, declarou: “Tô tomando um risco MAMUTE nisso. Vou querer uma parte grande no fee”. O termo “fee” é utilizado no mercado financeiro para se referir às comissões cobradas pela realização de operações.
Segundo a CVM, essas comissões poderiam render mais de R$ 17 milhões à Virgo. A securitizadora recebeu aproximadamente R$ 5 milhões pela venda da primeira série dos títulos. Outra mensagem, enviada em junho de 2025, foi considerada relevante pela fiscalização. Após a cobrança de devolução de recursos por uma gestora, Kos informou que havia colocado R$ 1 milhão da própria empresa no fundo.
“Botei $ do nosso caixa no fio do BTS”, escreveu. A autarquia considerou que as comunicações ajudavam a demonstrar o conhecimento do empresário sobre as movimentações investigadas.
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Eduardo Levy ingressou na Virgo em janeiro de 2025 para comandar as áreas de novos negócios e operações de investimento. Em maio daquele ano, assumiu a diretoria de distribuição, enquanto Kos passou à presidência da empresa.
Levy participou da assinatura de documentos de constituição do fundo Allocation e da aprovação de determinadas movimentações financeiras. Em 8 de julho de 2025, no entanto, rompeu com Kos e formalizou sua saída da securitizadora. Posteriormente, apresentou denúncia à CVM e entregou voluntariamente mensagens que passaram a integrar a investigação.
A autarquia apura a responsabilidade do ex-diretor por atos praticados durante sua permanência na administração. Segundo o processo, ele é investigado por irregularidades relacionadas a 39 das 76 emissões afetadas.
Outro investigado é Alexandre João da Rocha, ex-gerente da área de investimentos da Virgo, que passou a exercer funções de controle e conformidade na empresa.
Em julho de 2026, o Comitê de Termo de Compromisso da CVM rejeitou propostas apresentadas pelos investigados para encerrar o processo administrativo mediante o cumprimento de obrigações. Kos ofereceu o pagamento de R$ 700 mil, acompanhado de restrições temporárias à sua atuação no mercado financeiro. Alexandre João da Rocha apresentou proposta de igual valor.
Levy ofereceu R$ 64.114,85 e o compromisso de não trabalhar em securitizadoras durante 12 meses. A Riza Securitizadora, atual denominação da Virgo, propôs pagar R$ 1,35 milhão e apresentar medidas para aperfeiçoar seus mecanismos de controle.
O comitê considerou que os acordos não seriam adequados diante da gravidade das suspeitas. O caso também foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF), que informou conduzir a apuração sob sigilo.
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