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Conselho de pastores acusa Lula de explorar fake news sobre Nossa Senhora e estimular conflito entre católicos e evangélicos

Publicado 29/09/2026 • 16:11 | Atualizado há 1 hora

KEY POINTS

  • Cimeb acusou Lula e seus apoiadores de explorar uma informação falsa sobre Nossa Senhora Aparecida para estimular uma “guerra religiosa” entre católicos e evangélicos.
  • Entidade afirmou que não existe articulação de lideranças evangélicas para cancelar feriados ou cultos; nota é assinada por 14 pastores e líderes religiosos.
  • Projeto associado falsamente a Flávio Bolsonaro foi apresentado em 2007 por Victório Galli, não extinguia o feriado de 12 de outubro e foi arquivado em 2008.

O Conselho Interdenominacional dos Ministros Evangélicos do Brasil (Cimeb) acusou o presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus apoiadores de utilizar uma informação falsa envolvendo Nossa Senhora Aparecida para estimular um conflito entre católicos e evangélicos na reta final da campanha presidencial.

Em nota divulgada nesta segunda-feira (28), a entidade, que reúne mais de 10 mil pastores de diferentes denominações, disse repudiar o uso eleitoral do conteúdo falso que atribuiu a Flávio Bolsonaro (PL) uma proposta para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

“O Cimeb repudia com veemência a utilização de uma fake news por Lula e seus seguidores para atingir um adversário político e, o mais grave, promover uma guerra religiosa entre católicos e evangélicos”, afirma o documento.

O Cimeb também nega a existência de uma articulação de lideranças evangélicas para interferir em celebrações de outras religiões.

“Evangélicos e católicos vivem em paz. Não existe nenhuma iniciativa por parte de líderes evangélicos, junto a nenhuma candidatura, para promover o cancelamento de feriados ou cultos de qualquer religião”, diz o comunicado.

O documento é assinado por 14 líderes religiosos, entre eles Silas Malafaia, Robson Rodovalho, Estevam Hernandes, Samuel Câmara, Cláudio Duarte e Luiz Hermínio. Parte dos signatários declarou apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro.

Leia também: DECISÃO 2026: Lula diz que ninguém vai desrespeitar Nossa Senhora e Flávio compara fake news sobre santa à facada sofrida pelo pai; veja o dia dos candidatos ao Planalto

Projeto era de 2007 e não tinha relação com Flávio

A polêmica ganhou força depois que começou a circular nas redes sociais a afirmação de que Flávio pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

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A informação é falsa. O projeto usado como origem da alegação foi apresentado em dezembro de 2007 pelo então deputado federal Professor Victório Galli, à época no PMDB de Mato Grosso. Flávio não participou da elaboração da proposta.

O Projeto de Lei 2.623/2007 pretendia alterar a Lei 6.802, de 1980, substituindo a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. A proposta também trocava a previsão de “culto público e oficial” por “homenagem oficial”.

Ao contrário de parte do conteúdo que circulou sobre o episódio, o projeto não acabava com o feriado nacional de 12 de outubro. A data seria mantida. A matéria acabou arquivada em agosto de 2008.

Lula entra na disputa religiosa

A manifestação do Cimeb ocorreu no mesmo dia em que a questão passou a integrar diretamente o discurso eleitoral de Lula.

À noite, durante um comício em Belém, no Pará, o presidente afirmou que defenderia o respeito a Nossa Senhora Aparecida e também às religiões de matriz africana.

“Enquanto eu for presidente da República, ninguém vai avacalhar com Nossa Senhora Aparecida. Ninguém”, disse Lula.

A polêmica também chegou à Justiça Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal, com decisões divergentes sobre a retirada das publicações que associavam Flávio à proposta. O impasse ainda deve ser analisado pelo plenário do STF.

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