DECISÃO 2026: coordenadora econômica de Flávio Bolsonaro diz que ‘tesouraço’ não atingirá benefícios sociais e prevê corte de ministérios e cargos comissionados
Publicado
19/10/2026 • 14:00
| Atualizado há 26 minutos
Daniella Marques afirma que o “tesouraço” de Flávio Bolsonaro não atingirá programas sociais e terá início pela redução do IOF, além de prever cortes na burocracia e nos gastos públicos.
Coordenadora econômica critica a reforma tributária e alerta que o crescimento da dívida pública em relação ao PIB poderá pressionar os juros e agravar o endividamento de empresas e famílias.
Ela também questiona a eficácia do Desenrola e defende a redução de cargos comissionados, a qualificação profissional e o estímulo ao empreendedorismo para aumentar a produtividade.
Valter Campanato/Agência Brasil
A coordenadora econômica da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, afirmou que o “tesouraço” previsto no plano econômico do candidato não atingirá programas sociais, mas será direcionado à redução de impostos, da burocracia e de despesas da máquina pública.
Em entrevista ao programa Pânico, da Jovem Pan, nesta segunda-feira (19), a ex-presidente da Caixa Econômica Federal disse que a primeira medida será uma revisão do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que, segundo ela, encarece o crédito. A economista também criticou o crescimento da dívida pública e defendeu mudanças estruturais para enfrentar o endividamento de famílias e empresas.
“Tesouraço é imposto e burocracia. Eles estão mentindo que tesouraço é em programa social. Está lá no plano que ninguém vai mexer em programa social”, declarou Daniella, ao rebater críticas às propostas econômicas da campanha. A coordenadora ressaltou, entretanto, que as mudanças deverão ocorrer gradualmente para evitar desequilíbrios nas contas públicas.
Ex-assessora especial do ex-ministro Paulo Guedes, Daniella é responsável pela formulação das diretrizes econômicas da candidatura de Flávio Bolsonaro, que disputa o segundo turno da eleição presidencial de 2026 contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT). No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o candidato do PL recebeu 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula obteve 45,16%.
IOF será primeira medida do ‘tesouraço’
A redução do IOF foi apresentada por Daniella como a prioridade inicial do programa econômico. O tributo incide sobre operações financeiras, incluindo determinadas modalidades de crédito, câmbio e seguros.
Segundo a coordenadora, a cobrança aumenta o custo dos empréstimos e dificulta a renegociação de dívidas por consumidores e empresas. Ela também criticou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) relacionada às alterações do imposto, após uma deliberação do Congresso Nacional.
“Não dá para fazer tudo de uma vez, senão você gera desequilíbrio nas contas públicas. Mas o primeiro […] vai ser no IOF, que justamente encarece o custo de crédito”, afirmou.
Daniella considera que a redução da carga tributária precisa fazer parte de uma reorganização mais ampla da política econômica, sem comprometer o equilíbrio fiscal.
Reforma tributária também deverá passar por revisão
Outro ponto questionado pela coordenadora foi o formato da reforma tributária. Embora reconheça a importância de um sistema baseado no Imposto sobre Valor Agregado (IVA), Daniella avalia que o modelo brasileiro poderá resultar em alíquotas excessivamente elevadas.
Na entrevista, ela mencionou uma alíquota de 28% para os novos tributos sobre o consumo, o IBS e a CBS, e criticou a quantidade de exceções previstas na legislação. “É desejável você ter um imposto de valor agregado, é o que funciona no mundo afora também, mas do jeito que está, é impraticável a alíquota que chegou em função do número das exceções”, declarou.
Na avaliação de Daniella, a tributação poderá provocar aumentos de preços em diferentes setores, incluindo serviços, passagens aéreas e produtos de consumo. A coordenadora argumentou que esse possível impacto agravaria a perda de poder de compra da população.
Dívida pública em relação ao PIB preocupa coordenadora
Ao analisar os desafios econômicos brasileiros, Daniella afirmou que o país possui vantagens em áreas como produção de alimentos e disponibilidade de energia, mas enfrenta dificuldades para transformá-las em maior competitividade.
Segundo ela, o Brasil está entre os países com maiores custos de produção, apesar de contar com recursos que poderiam favorecer sua posição na economia internacional. A coordenadora apontou a trajetória da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) como um dos principais problemas a serem enfrentados pelo próximo governo.
“Se a gente não tiver um controle da trajetória da dívida, que é o quanto a sua dívida cresce em relação à riqueza gerada no seu país”, haverá consequências para os juros, alertou durante a entrevista.
Daniella mencionou projeções que atribuiu ao Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), segundo as quais a dívida poderia ultrapassar 100% do PIB nos próximos quatro anos e chegar posteriormente a 117%.
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Na avaliação dela, a ausência de mecanismos de controle das despesas poderia pressionar ainda mais as taxas de juros, comprometendo a capacidade de financiamento do governo, das empresas e da população. “A economia é uma ciência, não é ideologia”, afirmou, ao defender uma mudança na condução da política fiscal.
Endividamento de empresas e famílias exige mudanças estruturais, diz Daniella
O custo do crédito foi apontado pela coordenadora como um dos fatores que agravam as dificuldades financeiras do setor produtivo.
Daniella citou empresas que enfrentam processos de recuperação judicial e relacionou esse cenário aos juros elevados, ao aumento da carga tributária e ao endividamento do governo. “A empresa, na verdade, o empregador também, pelo mesmo tumor em metástase, que é esse custo de capital na lua, que é o endividamento em bola de neve no governo, com ajuste na receita esfolando por impostos”, declarou.
Segundo ela, o problema não se limita às grandes companhias. Durante a entrevista, afirmou que mais de 8 milhões de CNPJs de micro e pequenas empresas estariam inadimplentes. A coordenadora argumentou que as dificuldades dos empregadores acabam afetando a geração de empregos e a renda dos trabalhadores.
Para Daniella, a solução exige uma mudança no modelo econômico, com maior controle das contas públicas e estímulo à produtividade, em vez de medidas isoladas de apoio financeiro a setores específicos.
Daniella critica Desenrola e situação financeira das famílias
A coordenadora também questionou a eficácia das iniciativas de renegociação de dívidas adotadas pelo governo Lula, incluindo o Desenrola. Na avaliação dela, esses programas não conseguiram resolver as causas do endividamento, que estariam relacionadas ao custo do crédito e à perda de capacidade de pagamento da população. “Ele fez o Desenrola um, o dois, o três, não desenrolou as famílias”, criticou.
A coordenadora defendeu que a recuperação financeira da população dependa de mudanças mais amplas, capazes de fortalecer a renda e diminuir os custos enfrentados por consumidores e empresas. “Não existe uma medida que vai fazer isso. É a mudança de direção que vai fazer isso”, afirmou.
Corte de cargos comissionados integra discussão sobre a máquina pública
Além da redução de impostos e burocracia, Daniella defendeu mudanças na estrutura administrativa federal. Na entrevista, criticou a ocupação de cargos públicos por indicações políticas e questionou a utilização da máquina estatal para atender a interesses partidários.
A coordenadora afirmou que aproximadamente 22,5 mil cargos comissionados teriam sido criados para acomodar aliados políticos, número apresentado por ela durante a conversa.
Daniella relacionou a necessidade de cortes à profissionalização da administração pública e defendeu que cargos governamentais sejam ocupados por pessoas com capacidade técnica. “Então precisa de gente técnica que queira trabalhar para servir”, afirmou.
Produtividade é apontada como alternativa para crescimento econômico
Para Daniella Marques, a recuperação da economia brasileira depende de um modelo que priorize o aumento da produtividade e incentive a atividade empresarial. A coordenadora afirmou que a burocracia e os impostos excessivos dificultam a abertura de negócios e a ampliação das contratações.
Segundo ela, o país também enfrenta dificuldades para conectar trabalhadores que dependem de programas sociais às oportunidades disponíveis no mercado de trabalho. “Não há maior ferramenta de transformação social do que o empreendedorismo”, afirmou.
Daniella defendeu políticas de qualificação profissional e iniciativas que facilitem a participação da população no mercado de trabalho, além de medidas para reduzir os custos suportados pelas empresas.
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